Criador do Facebook se mostra cada vez mais à vontade no papel de líder

O Facebook reunia 5,5 milhões de estudantes cadastrados no final de 2008 e estava prestes a ser aberto para qualquer internauta do mundo. Mark Zuckerberg, criador da rede social, já tinha passado por situações difíceis: falta de dinheiro para suportar o crescimento do Facebook, intrigas com amigos, exigências de investidores.

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Naquele momento ele só precisava se preocupar com o desenvolvimento do site, já que seu amigo Sean Parker havia assumido a presidência do Facebook. No entanto, Parker foi detido sob acusação de porte de drogas e demitido da empresa. Zuckerberg se tornou então o presidente do Facebook.

A situação, narrada por Ben Mezrich em seu livro “Bilionários por acaso: a criação do Facebook”, detalha o grande desafio da trajetória de Zuckerberg à frente da rede social. Ele promoveu uma revolução na forma como as pessoas se relacionam na internet, mas desenvolver software já era algo natural para ele. Relacionar-se com as pessoas cara-a-cara, ao contrário, não era uma de suas maiores habilidades. Mas era uma característica que a função de presidente da companhia exigia.

Bill Gates foi inspiração

Ambicioso, Zuckerberg já almejava chegar onde está na época que estudava psicologia e ciências da computação na Universidade de Harvard. Neste período, assistiu a uma palestra de Bill Gates, fundador da Microsoft. “O próximo Bill Gates talvez já esteja em ação, talvez nesta sala mesmo”, disse Gates durante a palestra.

As palavras incentivaram ainda mais o jovem Zuckerberg, que acabava de lançar a primeira versão do Facebook, a seguir seu destino. Anos depois, nem mesmo os amigos impediram que ele tentasse alcançar igual sucesso.

Após se tornar o CEO da rede social, Zuckerberg precisou aprender a se comunicar com os investidores e com a imprensa, além de coordenar o desenvolvimento da rede social. A necessidade se tornou maior com o passar dos anos, após o Facebook ser liberado para qualquer internauta e ganhar versão no idioma local da maioria dos países. O fundador passou a ficar menos na frente do computador e mais em eventos para explicar a grande variedade de recursos lançados e responder questionamentos sobre a privacidade dos usuários.

Seguindo os passos de Gates e Jobs

Mesmo assim, ser o presidente da rede social mais popular do mundo não era suficiente. Assim como Bill Gates está para a Microsoft e Steve Jobs está para a Apple, Zuckerberg precisava vincular sua imagem, de vez, à história do Facebook. Chegava a hora de o jovem empreendedor se tornar um ícone do mundo da tecnologia.

Basta observar com atenção o comportamento recente de Zuckerberg para ver que ele tem seguido os passos de seus ídolos. Como Steve Jobs fazia, Zuckerberg passou a ir apenas aos eventos mais importantes da empresa e a repetir o visual: uma combinação de tênis, calça jeans e camiseta escura com símbolos que representam a rede social.

Frases de efeito

O discurso simples e às vezes confuso de Zuckerberg também mudou. “Nós continuaremos focados em cumprir nossa missão de dar as pessoas o poder de compartilhar e de tornar o mundo mais aberto e conectado”, foi a frase usada por Zuckerberg para rechaçar os ataques sobre privacidade em maio de 2010, em carta ao jornal The Washington Post.

Mais recentemente o criador do Facebook afirmou que “a internet é um campo aberto, pouco explorado. Não é necessário roubar espaço de nenhuma outra companhia”, para explicar o que pensa do futuro da rede e dos possíveis concorrentes. Frases de efeito como essas têm sido reproduzidas muitas vezes pela imprensa especializada.

A busca pelo reconhecimento

Se Zuckerberg ainda não tinha o reconhecimento que queria, o fato de ter sido o personagem principal do filme “A rede social”, recheado de conflitos, sexo e dinheiro, o ajudou em 2011. Outro aspecto que o colocou em destaque foi a explosão no uso do Facebook em diversos países: atualmente a rede possui quase 1 bilhão de usuários em todo o mundo. No Brasil, a rede social cresceu rapidamente e, em setembro de 2011, conseguiu superar o Orkut , até então a rede social mais popular no Brasil.

A estratégia de Zuckerberg, seja ela intencional ou não, deu resultados. Em setembro de 2011, a revista Vanity Fair colocou Zuckerberg, pela segunda vez, no topo da lista de “novos poderosos” divulgada anualmente. Ele ficou à frente de Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google, que dividiram o segundo lugar, e de outros executivos poderosos, como Jeff Bezos, CEO da Amazon, e Tim Cook, CEO da Apple.

Em 2011, Zuckerberg também foi destacado pelo jornal britânico The Guardian, que publicou sua tradicional lista anual dos 100 mais influentes da mídia em julho. Zuckerberg ficou em primeiro lugar, quatro anos depois de sua estreia na lista, quando ficou em 100º lugar. Em 2010, Zuckerberg ficou em 7º lugar no mesmo ranking e, em 2009, já havia ocupado o 11º lugar.

O reconhecimento se torna cada vez mais importante, afinal, Zuckerberg tem dinheiro de sobra: mesmo com a oferta inicial de ações (IPO) , ele continuará a ser o principal acionista da maior rede social do mundo, que agora é avaliada em US$ 104 bilhões. Com a estreia na bolsa de valores, Zuckerberg se tornou a 29ª pessoa mais rica do mundo , com fortuna avaliada pela Bloomberg em R$ 38,2 bilhões.

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