Após forte crescimento em seus primeiros anos de vida, empresa quer manter usuários com serviços de avaliação de restaurantes e lojas

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Jenna Wortham

Há dois anos, o Foursquare era a maior estrela entre as startups nova-iorquinas. Celebridades e marcas importantes adotaram seu aplicativo para celular e empresas como o Facebook e o Yahoo estavam ansiosas para comprá-lo.

Os fundadores do Foursquare não aceitaram essas ofertas, convencidos de seu potencial enquanto empresa independente. Desde então, o Foursquare deixou de ser assunto e o crescimento diminuiu, forçando-o a provar que essa decisão foi a mais correta.

Dennis Crowley (à esq.), na sede do Foursquare
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Dennis Crowley (à esq.), na sede do Foursquare

No dia 7 de junho, a empresa apresentou uma versão reformulada de seu aplicativo – que, segundo Dennis Crowley, presidente e um dos fundadores, seria a visão mais verdadeira do Foursquare, e o transformaria em um serviço de recomendações que poderia competir com sites como o Yelp.

Mas o Foursquare precisa lutar contra o curto período de atenção dos usuários de aplicativos para celular. Suas ações demonstram como as coisas podem ser difíceis nos dias de hoje para que as startups mantenham seu impulso inicial e consigam encontrar a rota para o sucesso de mercado em um setor que muda rapidamente.

"A natureza desse jogo é que sempre há uma nova ideia ou tecnologia bem ao lado", afirmou Susan Etlinger, analista no Altimeter Group, que aconselha empresas quanto à melhor maneira de utilizar as tecnologias. "As empresas atraem a imaginação do público. Elas se tornam o centro das atenções. Mas é muito difícil continuar a oferecer um serviço suficientemente interessante e valioso para as pessoas."

Em seu núcleo, o Foursquare permite que as pessoas compartilhem sua localização com amigos, para que realizem encontros espontâneos ou apenas para compartilhar. Também há alguns elementos de jogo, como pontos para quem realiza um "check-in" em um novo restaurante. Esse DNA não irá mudar na nova versão. Mas o foco está mudando para um botão de "explorar", que dá sugestões de lugares aonde ir, com base em informações como o horário, a popularidade dos locais próximos e os check-ins anteriores.

Por exemplo, alguém que geralmente faz check-ins em padarias verá mais locais que pertençam a essa categoria, que alguém que prefere ir a churrascarias.

"As pessoas pensam a nosso respeito em termos de pontos e de troféus, que ainda funcionam como uma forma de trazer novos usuários para a rede", afirmou Crowley. "Mas o principal ponto é utilizar os ricos dados que possuímos a respeito da forma como as pessoas interagem com seus locais e transformá-los em recomendações."

Informações sobre restaurantes estão entre as apostas do Foursquare
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Informações sobre restaurantes estão entre as apostas do Foursquare

Crowley afirma que, desde 2009, a empresa coletou mais de dois bilhões de dados individuais sobre aonde e quando seus 20 milhões de usuários gostam de ir.

A empresa pode utilizar esses dados para oferecer informações sobre determinados locais, como permitir que um usuário saiba se o seu restaurante favorito está menos cheio do que de costume e, portanto, mais atraente para um jantar naquela noite.

"Essa é a primeira ação que acreditamos que vocês acharão interessante", afirmou Crowley.

O Foursquare ainda não gerou nenhuma renda significativa e Crowley não explicou como a ênfase nas recomendações poderá ajudar a empresa nesse sentido. Entretanto, não é difícil imaginar como as empresas poderiam pagar para obter uma posição de destaque entre as recomendações.

Há muito em jogo com o sucesso dessa nova abordagem. O número de usuários ativos do Foursquare cresceu 750 por cento no ano que terminou em abril de 2011, e 135 por cento durante aquele mês de abril – esse ainda é um crescimento forte, mas que continua longe dos números exponenciais do crescimento de outros serviços sociais, como o Instagram. Cerca de um milhão de novos usuários estão se cadastrando a cada mês. 

A empresa afirma que a função básica de check-in do aplicativo se tornou menos popular, com usuários apenas vendo o que seus amigos estão fazendo, ou procurando por informações a respeito de bares e restaurantes.

"O Foursquare tinha um diferencial que atraía as pessoas, mas ele precisa ser mais do que um detalhe para poder se tornar parte essencial da experiência do consumidor", afirmou Ray Valdes, o analista da Gartner responsável por acompanhar as redes móveis e sociais.

À medida que a empresa amadureceu, ela também perdeu funcionários, incluindo Tristan Walker, diretor de desenvolvimento de negócios; Chrysanthe Tenentes, a primeira gerente de comunidade da empresa; e principalmente, Naveen Selvadurai, seu outro fundador.

Selvadurai deixou o Foursquare no início de maio, dizendo em seu blog pessoal que gostaria de fazer algo novo.

Crowley afirma que essas saídas são parte natural dos problemas oriundos do crescimento de uma startup que passou de um punhado de funcionários em 2010, para 120, atualmente, com escritórios em Nova York, San Francisco e Londres.

Foursquare tem versão para iPad, iPhone e aparelhos com Android
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Foursquare tem versão para iPad, iPhone e aparelhos com Android

Entretanto, de acordo com uma pessoa próxima à empresa que pediu para que seu nome não fosse revelado, uma vez que não estava autorizada a falar sobre o assunto, Selvadurai foi colocado para fora, para que executivos mais experientes pudessem dar forma ao futuro da empresa. 

O Foursquare também enfrenta uma concorrência mais intensa do que há alguns anos.

O mercado de propaganda e negócios envolvendo localização se aqueceu desde que o Facebook, o Google, o Twitter, o Yelp e até mesmo o Groupon começaram a se concentrar com mais intensidade em ofertas baseadas em localização. A transformação deixa o Foursquare em uma posição muito mais vulnerável na concorrência contra essas grandes empresas, fazendo com que seja ainda mais importante que a empresa acerte seu alvo.

Etlinger, do Altimeter Group, destaca que até o momento nenhum concorrente foi realmente capaz de tirar o Foursquare da liderança. E muitos dos primeiros concorrentes do Foursquare, incluindo o Loopt, o Gowalla, o Whrrl, o Brightkite e o Hot Potato, já desapareceram, seja encerrando o negócio ou fechando após serem adquiridos.

Crowley preferiu não revelar quando a empresa iria ativar as características que poderiam trazer lucros, afirmando que a startup ainda tinha "dois ou três anos de tranquilidade", querendo dizer que ela possui 72 milhões de dólares em capital de investimento no banco e que não precisa se preocupar por enquanto.

O Foursquare tem aumentado sua capacidade de utilizar dados para beneficiar seus parceiros corporativos. A American Express, por exemplo, permite que os titulares dos cartões unam suas contas ao Foursquare e utilizem cupons e pontos em algumas lojas e restaurantes quando fazem check-in e pagam com o cartão.

Crowley afirmou que esse tipo de colaboração foi apenas o começo, apontando para outras uniões potenciais com sistemas de navegação em automóveis, e novos tipos de dispositivos móveis.

"Nós estamos preparados para aproveitar as próximas tecnologias", afirmou. "E se nós provêssemos os dados que movimentarão todos esses serviços?"

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