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Apple pode enfrentar concorrência com um iPad menor

Sucesso do Nexus 7, do Google, pode obrigar fabricante do iPad a mudar sua estratégia de apenas um modelo de tablet

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As empresas de tecnologia estão novamente nesse jogo – tentando alcançar o iPad numa corrida para ganhar o mercado de tablets.

Em julho, o Google começou a vender seu Nexus 7, menor e mais barato do que o iPad – e que pretende concorrer com a Apple e com o Kindle Fire, da Amazon.

Veja fotos dos concorrentes mais fortes do iPad

Neste verão do hemisfério norte, a Microsoft anunciou a criação de seu próprio tablet, o Surface. E a Amazon está trabalhando numa nova versão do Kindle Fire, com uma tela maior, que poderia competir mais diretamente com o iPad, segundo um desenvolvedor que não quis ser identificado falando sobre produtos não anunciados. Analistas também acreditam que a Amazon esteja atualizando o Kindle Fire. Drew Herdner, porta-voz da Amazon, não quis comentar o assunto.

Mas a Apple não está pronta para ceder espaço.

A empresa estaria desenvolvendo um novo tablet com tela de 8 polegadas, custando bem menos do que os US$ 499 do iPad, com sua tela de 9,7 polegadas. A informação vem de diversas pessoas com conhecimento do projeto e que preferiram não se identificar. O produto deve ser anunciado este ano.

Natalie Kerris, porta-voz da Apple, preferiu não comentar.

Segundo analistas e executivos da indústria, o plano da Apple para um tablet com tela menor é parte de uma estratégia básica de negócios – atrair os consumidores que querem diferentes tamanhos de tablets para a família de produtos do iPad.

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iPad pode ganhar versão menor em breve

A estratégia provavelmente incluirá dispositivos com diferentes preços e funções personalizadas para diversos usos, dizem eles. A ideia é ajudar a Apple a solidificar sua dominância no mercado de tablets enquanto as maiores empresas de tecnologia ainda tentam descobrir como alcançá-la.

Leslie Grandy, ex-funcionária da Apple que hoje trabalha como consultora de startups, diz que um iPad menor poderia ser especialmente atraente a pessoas que não carregam seus iPads consigo devido ao tamanho e peso. Embora um dispositivo de 7 polegadas seja grande demais para o bolso da calça, explicou Grandy, é um bom tamanho para bolsas femininas. "Eu realmente sinto que esse é o ponto ideal para eles", afirmou ela.

Estratégia similar à do iPod

A empresa usou uma estratégia similar na década de 2000, para afastar rivais que estavam determinados a matar o iPod, o tocador de música digital da Apple. A empresa mexeu tanto com o design do produto que acabou vendendo do iPod Shuffle de US$ 49, um aparelho sem tela e tão pequeno que podia ser pendurado no colarinho da camiseta, ao iPod Classic de US$ 249, um dispositivo mais robusto com espaço para 40 mil músicas.

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iPod Shuffle ajudou Apple a dominar mercado de tocadores de música

A estratégia foi um grande sucesso, ajudando a Apple a criar quase um monopólio no negócio de tocadores de MP3. A empresa mantinha 80 por cento do mercado americano nos primeiros cinco meses deste ano, segundo o NPD Group.

A participação da Apple no mercado de tablets é igualmente notável: de 60 a 70 por cento, dependendo da empresa responsável pela estimativa.

Conforme apontado por muitas pessoas da indústria de tecnologia, "mercado de tablets" é uma designação equivocada. No momento, o termo correto seria "mercado do iPad".

A estratégia do iPod contrasta com a atuação da Apple no mercado de celulares; os smartphones com sistema operacional Android já ultrapassaram o iPhone em participação.

Microsoft e Google são maiores rivais

Atualmente, o maior desafio ao iPad parece ser o Nexus 7, do Google – um dispositivo Android que custa US$ 199 e é um projeto próprio da empresa. Com tela de 7 polegadas, o Nexus 7 recebeu críticas entusiasmadas por seu software e vida da bateria – além, é claro, de seu tamanho e preço.

Além de criar o Surface, que pode chegar às lojas no outono do hemisfério norte, a Microsoft também concordou em investir até US$ 605 milhões no leitor digital Nook, da Barnes & Noble. A jogada ajuda a fortalecer outro rival da Apple no mercado de tablets, e um que poderia acabar usando software da Microsoft para seus produtos.

A decisão de produzir um iPad menor seria uma clara ruptura com o passado da Apple. Durante uma conferência com analistas de Wall Street em 2010, pouco depois do lançamento do primeiro iPad, Steve Jobs, o presidente da Apple, memoravelmente menosprezou os tablets de 7 polegadas que chegavam ao mercado. Segundo Jobs, eles seriam vendidos com uma lixa – para que os usuários pudessem aparar seus dedos e deixá-los mais finos.

Jobs não apostava em tablets menores

"Existem limites claros para a distância física em que é possível inserir elementos numa tela sensível ao toque, antes que os usuários não consigam mais tocar, deslizar ou beliscar de forma confiável", declarou Jobs. "Esse é um dos principais motivos pelos quais consideramos a tela de 10 polegadas como o tamanho mínimo para criar bons aplicativos para tablets."

Mas o primeiro protótipo de tablet que a Apple começou desenvolver, em meados da década de 2000, tinha uma tela de 7 polegadas, segundo um ex-engenheiro da empresa que ajudou a criar o protótipo – e que não quis divulgar o nome para não aborrecer os atuais funcionários. Jobs achou que o dispositivo era pequeno demais, e se perguntou em voz alta para que mais ele servia "além de navegar na internet no banheiro", afirmou o engenheiro.

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Jobs achava que tablet de 7 polegadas nunca teriam sucesso

Jobs, que faleceu no ano passado, era famoso por mudar completamente de opinião – e também por criar distrações deliberadas para manter os concorrentes longe de uma grande oportunidade. Sua aversão a tablets menores poderia ser uma dessas distrações. Ou, caso estivesse vivo, ele poderia simplesmente mudar de opinião sobre o produto.

De qualquer forma, a Apple se aproximou da ideia de um dispositivo com 7 polegadas. A empresa vem tentando atrair ainda mais consumidores para o iPad, ao continuar com a venda da segunda geração do tablet por US$ 399 – US$ 100 a menos do que a versão mais recente, com a tela de alta resolução conhecida como Retina.

Horace Dediu, blogueiro e analista independente, diz que a Apple está interessada num tablet de 7 polegadas porque, em muitas ocasiões, dispositivos menores e mais leves são mais apropriados a mídias, especialmente livros. Para atividades como digitar e-mails, o iPad maior provavelmente seria vantajoso.

Para enfatizar as funções de reprodução de mídias do novo aparelho, sugeriu Dediu, a Apple poderia posicioná-lo como uma versão avançada do iPod Touch, em vez de como um "mini iPad", como muitos blogs vêm apelidando o produto.

"Em minha opinião, o que está acontecendo no mundo pós-PC é que estamos dividindo os trabalhos que eram feitos pelos PCs em soluções centradas em dispositivos", explicou ele. "É por isso que não é suficiente olhar os tablets como uma única categoria."

Segundo Stephen Baker, um analista do NPD Group, um tablet menor pode ajudar a Apple a reter a maioria do mercado de tablets, ampliando o público do dispositivo. Um fator em favor da Apple é que a maioria dos consumidores de tablets não está comprando os aparelhos através das operadoras wireless. Os agressivos esforços das operadoras para vender smartphones Android foram cruciais para as vendas desses produtos, afirmam analistas.

Mesmo perdendo alguma participação no setor, a Apple continua demonstrando um dom especial para reter parcelas desproporcionais dos lucros em mercados como o de smartphones.

"Quando eles ultrapassam 50 por cento, é quase impossível tirá-los de lá – a menos que façam alguma besteira realmente enorme", concluiu Baker.

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