Projetores, suporte a 3D e Wi-Fi inteligente são apostas dos fabricantes para retomar vendas de câmeras compactas

Com as vendas de celulares com câmeras digitais integradas cada vez maiores , as câmeras digitais estão perdendo espaço no Brasil. De acordo com dados da consultoria GfK Retail and Technology, elas representam apenas 9,4% das vendas no primeiro semestre de 2012, enquanto as câmeras em celulares reinam com mais de 90% do total. A guerra parece perdida para as câmeras digitais, mas o resultado no primeiro semestre de 2012 representa um avanço para a categoria.

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No total, os fabricantes venderam 2,3 milhões de câmeras digitais nos primeiros seis meses de 2012, o que já representa metade do volume de 2011. Uma pequena fatia de mercado foi recuperada, já que, no ano passado, as câmeras representaram 8,5% das vendas, enquanto os celulares com câmera estavam próximos a 92% do mercado.

O motivo principal são os novos modelos de câmeras que, além de atrair mais consumidores, aumentam a receita dos fabricantes por unidade vendida. "A média de preço também influenciou. O consumidor paga cerca de R$ 394 por uma câmera digital compacta que fotografa com 14 megapixels e teria que pagar R$ 1,3 mil por um smartphone com câmera de 8 megapixels", diz Alex Ivanov, diretor de negócios da consultoria GfK Retail and Technology.

“O mercado de smartphones tomou parte do mercado de compactas, mas agora percebemos que não devemos mais brigar. O melhor é buscar sinergias”, disse Fernando Ogava, analista de produto da Panasonic, ao iG . Durante a PhotoImage Brazil, feira de fotografia para profissionais realizada esta semana em São Paulo, a Panasonic mostrou a câmera SZ5, que representa a mudança de mentalidade da fabricante.

A nova câmera digital compacta funciona em conjunto com o smartphone ou tablet do usuário, seja ele um iPhone, iPad ou dispositivo com Android. Depois de conectar os dois produtos via Wi-Fi, o usuário pode usar o smartphone como controle remoto: dá para acionar a câmera à distância, gerenciar os álbuns pela tela sensível ao toque e publicar imagens nas redes sociais com o gesto swipe.

Aplicativo da Panasonic para iPhone e Android permite controlar câmera digital SZ5
iG São Paulo
Aplicativo da Panasonic para iPhone e Android permite controlar câmera digital SZ5

Para usar o recurso, contudo, é preciso instalar um aplicativo da Panasonic por meio da App Store ou Android Market. “É possível também ver as fotos por meio de TVs conectadas de qualquer marca, sem instalar nenhum aplicativo”, diz Ogava. O novo recurso, aposta da empresa para aumentar as vendas do segmento de câmeras compactas, chega ao Brasil por R$ 1,1 mil.

A Nikon também está investindo em novos modelos de câmeras, com funções não encontradas nos celulares, para atrair os consumidores brasileiros. Uma das apostas da empresa neste ano é a AW100, com GPS integrado e à prova d’água, queda e congelamento. O modelo tem 16 megapixels de resolução, zoom digital de 5x e filma em resolução máxima (full HD). A AW100 chega ao Brasil por R$ 1,8 mil.

Outro modelo da empresa, a L810, chega em nova versão ao País agora com suporte a 3D e zoom óptico de 26x – outros dois recursos que estão se popularizando para diferenciar as câmeras digitais das câmeras de celulares. Até o momento, apenas um smartphone, da LG , suporta 3D e, em geral, os celulares básicos e smartphones com câmera só permitem zoom digital.

“As câmeras digitais com suporte a 3D e a full HD já representam quase 10% do mercado”, diz Ivanov, da GfK. Além disso, de acordo com a consultoria, as câmeras com maior zoom óptico estão ganhando mercado: no ano passado, quase 40% das câmeras ofereciam zoom óptico de até 3x; nos primeiros seis meses de 2012, 44% das vendas foram de câmeras com zoom óptico de até 5x.

A Fujifilm, por outro lado, resolveu lançar uma câmera inspirada na Polaroid, com "jeitão" retrô. Ela permite tirar fotos instantâneas, que demoram apenas cinco minutos para terminar a revelação. A Instax Mini 7S imprime fotos com tamanho de 8,6 x 5,4 centímetros e vem com flash e obturador eletrônico para diferentes níveis de luminosidade. A câmera chega com preço similar ao das compactas, R$ 350. Revelar fotos na hora custa caro: cada pacote com 20 lâminas de filme custa R$ 45.

Uma aposta no futuro

Além de trazer novos recursos para as câmeras digitais compactas, os fabricantes apostam nas câmeras semi-profissionais, mais caras e com recursos avançados, para manter os consumidores fiéis à categoria de câmeras fotográficas. Segundo o iG apurou, todos os grandes fabricantes presentes na PhotoImage lançaram pelo menos um modelo de câmera com sistema sem espelho e lentes intercambiáveis.

Nex-F3: aposta da Sony para câmeras semi-profissionais representarem 20% de todas as vendas no Brasil
iG São Paulo
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A Canon, uma das fabricantes mais tradicionais do segmento, pretende trazer seu primeiro modelo deste tipo ao Brasil em janeiro de 2013. “Este modelo atenderá um público entre o amador e profissional, que é muito representativo”, disse Kaoru Ono, diretor comercial da Canon do Brasil, ao iG . Ono não arriscou estimar o preço da nova câmera, mas, segundo representantes da empresa no estande, o valor de câmeras com qualidade de imagem similar começa em R$ 4,8 mil.

A Fujifilm apresentou ao Brasil a X-Pro 1. Com design retrô, a câmera fotografa com resolução de 16 megapixels e tem LCD fixo de 6 polegadas. A fabricante também venderá no Brasil diversos modelos de lentes intercambiáveis compatíveis com o modelo. O problema para popularizar o produto, no entanto, ainda é o preço: só o corpo da câmera será vendido por R$ 8 mil. Este é um dos motivos, segundo a GfK, que faz as câmeras semi-profissionais e profissionais só ficarem com 1% do total das vendas no Brasil.

A Panasonic enfrenta o mesmo desafio: a empresa trouxe três modelos de câmeras com sistema sem espelho e lentes intercambiáveis. O mais popular, para usuários amadores, custa R$ 3 mil. A GF5 tem corpo compacto, sensor de 12.1 megapixels e conta com 14 efeitos de filtro, além de um guia de configurações automáticas que permite o usuário escolher pelo resultado esperado na foto. "É nossa segunda tentativa de vender essas câmeras no mercado brasileiro", diz Ogava.

A Sony é a única fabricante de câmeras que já obteve algum sucesso com sua estratégia para o segmento de câmeras semi-profissionais. A empresa acaba de lançar a Nex-F3, uma câmera com o sistema sem espelho, que substituirá a Nex-C3 , lançada no Brasil durante a PhotoImage no ano passado. A câmera, que oferece recursos para facilitar a vida do fotógrafo amador, como enquadramento automático, custa R$ 1,9 mil.

"Em 2011, vendemos oito vezes mais câmeras semi-profissionais que em 2010, por conta do lançamento da Nex-C3 no Brasil", diz Fábio Purcino, gerente de marketing de câmeras semi-profissionais e filmadoras da Sony no Brasil. "Em 2012, com o lançamento da Nex-F3, a meta é vender 2,2 vezes mais câmeras deste tipo." Nos próximos anos, a Sony pretende aumentar a fatia de semi-profissionais de 5% para 20% do total de câmeras digitais vendidas pela empresa no País.

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