Alto preço é o principal motivo para celulares com acesso à internet e aplicativos representarem apenas 12% do total no Brasil, de acordo com a consultoria Teleco

Os smartphones vendidos no Brasil estão pouco cerca de 18,7% mais baratos do que há um ano, de acordo com informações do Balanço Huawei de Banda Larga, estudo divulgado nesta terça-feira (28), em São Paulo. Até agora, eles representam apenas 12% da base instalada de celulares 3G no Brasil e, apesar da queda, o preço ainda é o principal fator que torna os celulares com acesso à internet e aplicativos inacessíveis para a maior parte dos brasileiros.

Chegada de aparelhos de ponta, como o Galaxy X, impede queda acelerada no preço dos smartphones
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Chegada de aparelhos de ponta, como o Galaxy X, impede queda acelerada no preço dos smartphones

De acordo com Eduardo Tude, presidente da Teleco, a explicação para a lenta queda no preço desses aparelhos é a chegada de modelos cada vez mais avançados (e mais caros) ao mercado brasileiro. "Em média, um smartphone custa o dobro de um celular 3G", diz Tude. O smartphone mais caro à venda no Brasil (em sua versão desbloqueada), segundo o estudo, é o iPhone 4S, de 64 GB, que custa R$ 2,7 mil. O mais barato é o Xperia X8, da Sony, que custa R$ 400.

No segundo trimestre de 2012, os smartphones representaram 60% dos celulares 3G vendidos no Brasil. Os outros 40% dos aparelhos representam os celulares básicos com conexão 3G, que também permitem acessar a internet, apesar de não oferecerem recursos avançados como os atuais modelos de smartphones. Nesta categoria de aparelhos, o preço bem mais rápido: só nos últimos seis meses, eles ficaram 57,2% mais baratos.

Troca de celular

A queda no preço desses celulares impulsionou a troca do celular 2G (GSM) por um novo aparelho que permita navegar na internet. De acordo com a Teleco, o Brasil possuía 196,4 milhões de terminais 2G (GSM) no segundo trimestre de 2012, o que representa 76,2% do total de celulares em funcionamento. O número é 0,5% menor em relação ao trimestre anterior.

"O Brasil já superou a média mundial em quantidade de acessos 3G", diz Tude. Atualmente, 23,4% dos terminais em funcionamento no País são 3G - a média mundial é de 18,4%. Em alguns países desenvolvidos, como Estados Unidos, grandes operadoras planejam desligar a rede 2G nos próximos anos. "No Brasil ainda não dá para pensar nisso. Vamos virar a próxima década com essa rede em funcionamento."

Conexões móveis dobram

De acordo com o Balanço Huawei de Banda Larga, a quantidade de acessos de banda larga móvel chegou a 60,1 milhões no segundo trimestre de 2012, alta de 110,4% em relação ao mesmo período de 2011. Segundo Tude, o número de conexões de banda larga móvel deve chegar a 73 milhões até o final de 2012 e dobrará até 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil.

Atualmente, o Brasil têm quase 30 conexões de banda larga para cada 100 habitantes. Em média, os países desenvolvidos têm 56,5 acessos a cada 100 habitantes. "O Brasil está descontando o atraso nos últimos meses. Vamos chegar à mesma densidade dos países desenvolvidos nos próximos dois anos", prevê Tude.

Banda larga fixa na América Latina

O Brasil lidera o ranking de países da América Latina com maior quantidade de conexões de banda larga fixa (que inclui tecnologia redes de cabo, fibra óptica e fios de cobre). No segundo trimestre de 2012, segundo o estudo, o País registrou 17,9 milhões de acessos fixos, 20% mais do que no ano passado. Isso representa um terço do total de conexões de banda larga fixa em operação na América Latina.

Apesar disso, em número de conexões de banda larga fixa para cada 100 habitantes, o Brasil fica atrás do Chile, México e Argentina. De acordo com a Teleco, o Brasil chegou a 9,1 conexões de banda larga fixa para cada 100 habitantes. No Chile, que lidera o ranking, são 11,9 acessos fixos para cada 100 habitantes.

Segundo Tude, o número de conexões de banda larga fixa em operação no País deve atingir 20 milhões de acessos até o final do ano e 30 milhões em 2014. "A previsão é de que tenhamos 20 acessos para cada 100 habitantes até o final de 2014", estima Tude.

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