Imprensa especializada elogia hardware do aparelho, mas observa falta de recursos realmente inovadores

EFE

Fernando Mexía.

A Apple se prendeu ao roteiro nesta quarta-feira para apresentar o iPhone 5, um dispositivo do qual se esperavam milagres e, que após muitos rumores, parece ser um telefone muito competitivo, mas pouco inovador em um mercado liderado pelo Android.

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O novo iPhone representa uma "melhora substancial" em relação a seu antecessor, o modelo 4S, segundo a publicação "MarketWatch" do grupo "The Wall Street Journal", e os meios tecnológicos especializados concordaram em ressaltar que se tratava de um bom aparelho que trará grandes lucro a Apple.

O telefone, que sairá à venda no dia 21 de setembro nos Estados Unidos, é mais alongado para dar lugar a uma tela de quatro polegadas, frente às 3,5 do iPhone 4S, inclui conexão à internet 4G, é 18% mais fino e 20% mais leve.

Definitivamente, um dispositivo que após cinco anos de vida deu um estirão e perdeu peso sem custo adicional (US$ 199 sua versão mais barata), mas que, longe de propor algo realmente inovador, se contentou em adotar algumas características e tecnologias que seus concorrentes já oferecem aos consumidores.

Nokia e Samsung são fortes rivais

O site CNET, que organizou um debate para seguir o evento de apresentação Apple, destacou o fato de que o iPhone 5 não resolveu a questão sobre qual é o melhor telefone de alta gama do mercado, já que suas forças estarão muito igualadas com os novos Windows Phone da Nokia e os Samsung Galaxy.

"Pela primeira vez a Apple não se destaca como um líder claro", escreveu Roger Cheng em artigo para esse mesmo site onde o analista Adam Leach assinalou que "sem a contínua inovação" a Apple "se arrisca a perder seu atrativo perante o consumidor".

Comparado com o Samsung Galaxy S III e o anunciado Nokia Lumia 920, o iPhone 5 oferece uma tela menor, embora com maior resolução, é mais fino e leve, conta com uma duração estimada de bateria e resolução de câmera similar, mas sem porta USB.

Os três telefones são compatíveis com redes 4G, mas o iPhone 5 carece da tecnologia Near Field Communication (NFC), um sistema de alta frequência que permite compartilhar dados entre dispositivos quando estão próximos que fazem parte do pacote dos rivais da Samsung e da Nokia.

Por ocasião da estreia do novo telefone, a Apple anunciou descontos para seus iPhone 4 e 4S, este último passaria a custar US$ 99, o que para analistas como Eddie Hold, da companhia de pesquisa de mercado NPD Group, é "um bom negócio" para o consumidor.

O iPhone 4S tem apenas um ano de vida, inclui o assistente de voz Siri e será compatível com o sistema operacional iOS 6 com o qual virá equipado o iPhone 5.

Além do produto em si, a Apple confirmou uma mudança de rumo na forma de realizar suas apresentações.

O falecido Steve Jobs costumava guardar um às na manga em seus eventos que iam de menos a mais com a intenção de criar expectativa.

Tim Cook, o substituto de Jobs, mudou essa ordem e a Apple dedicou a primeira hora de seu ato para falar do iPhone 5, a segunda hora se centrou na música, novos IPods e novo iTunes para terminar com dez minutos de show com a banda Foo Fighters.

"Parece que a Apple perdeu algo da magia que antes extasiou a maioria dos membros dos meios de comunicação", comentou Jason Mick, do DailyTech.

Outros asseguraram que "a Apple havia se transformado em algo chato" e "uma companhia a mais do setor". EFE

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