Apesar da pouca relevância do mercado no Brasil, set-top boxes conectados podem ser opção mais barata para acessar conteúdo da web na TV

Depois de mais de dois anos do lançamento do sistema operacional do Google para TVs, o Google TV, o sistema chega ao Brasil em novembro em um set-top box da Sony . Trata-se de uma central multimídia: uma “caixinha” preta que funciona ligada à TV e a uma conexão de internet. Por meio dessa conexão, as centrais multimídia levam os conteúdos armazenados no PC e na web para a sala de estar, sem complicação.

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Com as centrais multimídia, quem já tem uma TV com conexão HDMI pode acessar a internet sem ter que trocar sua TV por outra com conexão de internet nativa. A maior parte dos set-top boxes conectados custam abaixo de R$ 1 mil e permitem, além de acessar a internet na TV, ver vídeos gravados em um pen-drive em diversos formatos e até instalar aplicativos.

“O público que estamos tentando atingir com o Internet Player é aquele que não tem TV conectada”, diz Carlos Paschoal, gerente geral de marketing da Sony Brasil, sobre sua central multimídia com Google TV. “Os usuários mais ligados em aplicativos e em tecnologia também são nosso foco.”

Além do Internet Player, outras centrais multimídia estão à venda nas lojas brasileiras: a Apple TV, que permite comprar e assistir filmes por meio da iTunes Store; o Boxee (D-Link), que permite ver filmes no Netflix e a partir de pen-drives e HD externos; e o WDTV Live (Western Digital), que suporta vídeos em vários formatos. Disponíveis há algum tempo no Brasil, no entanto, os produtos ainda seguem desconhecidos para a maioria dos brasileiros.

“Este mercado é pouco relevante no Brasil, então só monitoramos as vendas de set-top boxes em alguns outros países”, diz Gisela Pougy, diretora de negócios da consultoria GfK. Mesmo em outros países, além da Sony, apenas a Logitech apostou em um set-top box com Google TV, o Revue. Os resultados das vendas do produto nos Estados Unidos ficaram 70% abaixo do esperado. Poucos meses depois, o produto foi descontinuado .

Competição com Blu-rays

Mesmo sendo mais baratos do que uma TV com conexão de internet, as centrais multimídia enfrentam a concorrência de outros produtos, em especial os tocadores de Blu-ray. A maior parte dos modelos mais recentes lançados por grandes empresas, como LG e Samsung, já chegaram ao mercado com conexão de internet de fábrica.

Segundo a GfK, as vendas de tocadores de Blu-ray, apesar de representarem uma base pequena, cresceram 64% no Brasil no último ano (encerrado em agosto de 2012). “Os tocadores de Blu-ray demoraram a deslanchar, mas estão apresentando crescimento muito forte, principalmente em regiões mais ricas, como a grande São Paulo”, diz Gisela.

Além de ter preço médio mais baixo, os tocadores de Blu-ray têm a vantagem de oferecer um recurso inexistente nas centrais multimídia: a capacidade de rodar discos de DVD e Blu-ray. Dados da GfK mostram que o preço de um tocador de Blu-ray conectado é de R$ 384, quase 30% menor do que no ano passado. Entre as marcas de centrais multimídia pesquisadas pelo iG , o preço médio do produto é de R$ 624.

“Os benefícios dos Blu-ray players conectados e das centrais multimídia ainda estão sendo entendidos pelos consumidores. Mas a diferença de preço entre eles e o DVD player tradicional ainda é razoável”, diz Gisela. De acordo com a consultoria, o preço médio do tocador de DVD tradicional é de R$ 109 – o que ainda sustenta as vendas do produto no Brasil, apesar do declínio nos EUA e Europa.

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