Subsidiária da Sony para a distribuição de filmes na internet lança aplicativos para aumentar tempo do usuário no serviço

Brasil Econômico

Não faz muito tempo, assistir a um filme direto da internet durante o deslocamento entre casa e trabalho era coisa de ficção científica. As limitações na velocidade de conexão fazia com que ver filmes armazenados na rede mundial de computadores em dispositivos móveis como tablets e smartphones fosse praticamente impossível — e muito estressante. Essa realidade, porém, começa a ficar no passado.

A Crackle, subsidiária criada pela Sony para fornecer conteúdos produzidos por Hollywood gratuitamente na internet, lança hoje, na América Latina,um aplicativo para sistemas móveis que dá acesso a todo o seu conteúdo. “Nosso objetivo com isso é fazer com que a Crackle esteja disponível absolutamente em qualquer lugar que o usuário quiser”, afirmou, ao BRASIL ECONÔMICO, Jose Rivera Font, vice-presidente da Crackle e gerente geral da empresa para a América Latina e o Brasil. O novo aplicativo está disponível para aparelhos com sistemas operacionais iOS, da Apple, e Android, do Google. Com isso, a Crackle deixa os filmes que tem em catálogo disponíveis para mais de 80% dos usuários de aparelhos móveis.

O lançamento da nova versão do sistema é o primeiro movimento da Crackle para expandir seus usuários além dos donos de produtos da Sony e de quem acessa o conteúdo por PCs. Antes das versões para iPad e aparelhos Android, a empresa havia investido em aplicativos para as SmartTVs, os celulares e os jogos de mão desenvolvidos pela empresa japonesa. “Primeiro cumprimos essa etapa. Agora, é chegada a hora de levar para diferentes tipos de sistemas. Precisamos ter certeza de que nosso usuário sempre terá uma opção disponível para ver os filmes do nosso catálogo”, diz Font.

Estar presente em mais tipos de plataformas, além de ser uma forma de atrair novos usuários para a Crackle e de aumentar o tempo de uso dos atuais, deve ajudar a empresa a atrair mais anunciantes para o sistema. Diferentemente da maioria dos sites que disponibilizam filmes na íntegra, a subsidiária da Sony não cobra nada dos usuário, ficando totalmente dependente da venda de anúncios que são exibidos antes do início dos filmes — em um sistema mais próximo do Youtube, conhecido por concentrar milhões de vídeos amadores, do que da Netflix, também especializada em produções hollywoodianas. “Criar formas para o consumidor ficar por mais tempo no nosso sistema é a melhor forma que temos de atrair novos anunciantes”, diz Font.

A Crackle chegou ao Brasil em março deste ano. Desde então, o site atingiu a marca de 1,4 milhão de visitantes únicos por mês no país. Em média, cada um dos usuários brasileiros passa 50 minutos assistindo filmes na página. “Pesquisas indicam que 85% dos internautas brasileiros assistem vídeos na internet. Agora, todo esse pessoal espera por novas formas de fazer isso”, afirma o executivo.Para ele, o crescimento do mercado de smartphones no Brasil é um indicativo de que estar presente neste tipo de dispositivo é o melhor caminho para a Crackle manter o crescimento no país.

Atualmente, os usuários brasileiros da Crackle têm cerca de 160 filmes a disposição. “Aumentamos esse número o tempo todo”, diz Font. A maioria dos filmes e séries disponíveis são produções de Hollywood, porém a Crackle se mantém aberta à inclusão de conteúdos regionais em seus catálogos. “Estamos sempre abertos à possibilidade de parcerias com produtores de conteúdos locais”, afirma o executivo.

Mercado

O setor de vídeos online vive um momento de consolidação. Enquanto o Youtube parece ter se firmado como a melhor opção para a divulgação de vídeos virais, diversas empresas disputam a liderança da distribuição dos filmes produzidos pelos grandes estúdios. Uma das primeiras a investir nesse segmento, a americana Netflix tem atraído a atenção de investidores, como Carl Icahn, que, recentemente, anunciou que adquiriu 10% das ações da companhia, o que gerou rumores de que ele estaria interessado em realizar uma aquisição hostil do negócio.

Ao investir no segmento, a Sony buscou criar um novo modelo de negócios, apostando na distribuição gratuita dos conteúdos. “Acreditamos que, havendo um grande número de usuários, o sistema se torna atraente para os anunciantes e o modelo fica muito viável”, diz Font.

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