Para comissão que responde por novas políticas para web, "internet funciona e não se deve mexer em time que está ganhando"

Reuters

BRUXELAS - A União Europeia e os Estados Unidos estão se preparando para unir as forças contra uma proposta da Rússia e de países africanos para taxar o tráfego da internet e facilitar o rastreamento de usuários.

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O embate sobre o policiamento da internet ocorrerá em uma reunião da União Internacional de Telecomunicações (UIT) em Dubai, entre 3 e 14 de dezembro, em que os 193 países membros da UIT debaterão novas regras para a rede.

Os 27 países da UE são absolutamente contra os planos radicais de regulamentação da internet, como os que África e Ásia apresentaram para que governos possam rastrear o tráfego na web e taxar companhias como o Google e Yahoo caso transfiram conteúdo para redes internacionais.

Os Estados Unidos, fundamentais na administração da Corporação para Atribuição de Nomes e Números na internet, opõem-se a quaisquer novas restrições, que, temem, limitariam inovação e comércio. Nesse aspecto, Washington tem com o apoio da UE, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e outros países da UIT. Além do apoio de países africanos, observadores dizem que a Rússia conta com a China em algumas propostas.

"Para a UE, não há justificativas para essas propostas", afirmou a Comissão Europeia nesta sexta-feira, afirmando que essa era a visão de todos os 27 membros do bloco.

A comissária europeia que responde pela política de internet, Neelie Kroes, afirmou que algumas das propostas que estão vindo à tona antes da conferência da UIT podem prejudicar a evolução da internet como uma peça imprescindível para o comércio mundial e o livre fluxo de dados e informações. "A posição da UE é a de que a internet funciona", declarou a comissária esta semana. "E não se deve mexer em time que está ganhando".

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