Novos aparelhos são vistos como última chance da empresa para se manter competitiva no mercado de smartphones

Reuters

Por Euan Rocha

NOVA YORK, 29 Jan (Reuters) - A inovadora linha de smartphones BlackBerry que a Research In Motion vai formalmente apresentar na quarta-feira já foi bem-sucedida em um objetivo crucial --trazer a RIM de volta para os assuntos do dia.

Thorsten Heins, CEO da RIM: todas as fichas no BlackBerry 10
Getty Images
Thorsten Heins, CEO da RIM: todas as fichas no BlackBerry 10

O novo BlackBerry 10 criou alarde entre observadores do setor de tecnologia e analistas financeiros, graças a características elegantes que podem diferenciá-lo num mercado abarrotado de smartphones. O papel da RIM quase triplicou ao longo dos últimos quatro meses devido a esperanças de que o aparelho possa restaurar a RIM à prosperidade sustentada.

Críticos elogiaram a velocidade do navegador e o teclado intuitivo na nova tela sensível a toque da RIM. Uma característica chamada BlackBerry Balance, que armazena dados pessoais e corporativos separadamente, pode ajudar a RIM a reconstruir sua tradicional base de clientes composta por grandes negócios.

É um início bem vindo para a RIM, a pioneira de smartphones que tem caminhando na beira da irrelevância. Mas o sucesso virá apenas se clientes nos segmentos empresarial e de consumidores abraçarem a nova tecnologia nas semanas e meses após o presidente-executivo, Thorsten Heins, apresentar o celular num pomposo lançamento em Nova York.

A RIM está apostando sua sobrevivência no muitas vezes adiado BlackBerry 10, esperando conquistar seu retorno em uma indústria atualmente dominada pelo iPhone, da Apple, e pelo Galaxy, da Samsung.

O momento pode ser perfeito. O novo celular chega às prateleiras ao mesmo tempo em que o memorável desempenho do iPhone dá sinais de desaceleração.

"Eu realmente acredito que o mercado de consumidores como um todo está pronto para algo novo", disse o chefe de mobilidade da Strategy Analytics, uma empresa de consultoria industrial, Kevin Burden.

"Eu tenho de acreditar que há algum nível de fadiga de usuários que afeta a longevidade de algumas dessas plataformas", acrescentou, referindo-se ao Android, do Google, e ao iOS, da Apple, que existem há mais de cinco anos. "A RIM provavelmente está agindo no momento certo".

Campo de batalha nos EUA

A ação da RIM acumula queda de cerca de 90 por cento em relação ao pico em 2008 perto de 150 dólares por papel, e a companhia ainda tem uma dura luta adiante. Investidores podem levar algum tempo para determinar se a grande aposta da RIM em uma tecnologia não testada foi bem-sucedida.

A participação de mercado da RIM despencou nos três anos antes do lançamento. Dados da Strategy Analytics mostram que a fatia global da RIM no mercado de smartphones foi por volta de 3,4 por cento no quarto trimestre, frente a 20 por cento há apenas três anos.

Embora a RIM tenha boa receptividade em mercados em desenvolvimento, a companhia tem perdido clientes nos EUA, um mercado que dita as tendências tecnológicas.

Reconhecendo que é crucial conquistar de volta clientes norte-americanos, a RIM vai realizar seu principal lançamento do BlackBerry 10 em Nova York, embora haja eventos simultâneos em seis cidades no mundo.

Destacando essa questão, a RIM está torrando dinheiro em um custoso anúncio durante o Super Bowl para divulgar seus novos aparelhos e tentar iluminar sua imagem enferrujada no mercado norte-americano.

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