Em palestra na Campus Party 2013, Rainey Reitman, diretora da Electronic Frontier Foundation, pediu ajuda dos brasileiros para defender a liberdade na internet

Uma das mulheres à frente da Electronic Frontier Foundation (EFF), uma entidade americana que defende a liberdade e privacidade dos usuários na internet, Rainey Reitman esteve pela primeira vez na Campus Party na tarde desta quarta-feira (30) para fazer um apelo: os brasileiros devem se engajar mais no debate sobre novas regras e leis criadas para regular a internet em todo o mundo.

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Rainey Reitman, diretora de ativismo da EFF, em palestra na Campus Party 2013
iG São Paulo
Rainey Reitman, diretora de ativismo da EFF, em palestra na Campus Party 2013

"Quando o Brasil começou a discutir o Marco Civil da internet , todos nós pensamos que seria uma lei muito forte para proteger os intermediários, as empresas que oferecem as plataformas para as pessoas publicarem seus conteúdos", disse Rainey. "Agora, o Marco Civil está em negociação novamente e está em perigo. Estamos preocupados que ele deixe de trazer os benefícios prometidos para a internet."

Em sua palestra, Rainey citou vários países que possuem legislações que limitam a liberdade dos internautas, como a China e a Síria. Ela pediu que os brasileiros pressionem o governo para que a legislação adotada no País proteja a privacidade dos dados dos internautas e a liberdade de expressão na web. Enquanto não é possível garantir esses direitos em vários países do mundo, disse ela, as ferramentas de código aberto têm papel fundamental para proteger os internautas.

Confira algumas das ferramentas de código aberto criadas com o apoio da EFF que ajudam a manter a sua privacidade na web:

Tor

Inicialmente desenvolvido como um projeto de pesquisa da Marinha americana, o Tor virou um projeto livre que ajuda a proteger a localização dos internautas. Depois de instalar o aplicativo no computador, o usuário pode acessar a internet por meio de "túneis virtuais" que não permitem que ninguém intercepte sua navegação ou determine onde ele está ou de onde publicou determinado conteúdo.

A tecnologia, segundo Rainey, é usada por ativistas, jornalistas e pessoas que precisam acessar determinados sites na internet que são bloqueados em algumas regiões. O Tor não permite esconder, no entanto, a identidade do usuário na web. "A ferramenta ainda é difícil de usar e lenta e por isso precisamos da ajuda de desenvolvedores", disse Rainey, na Campus Party.

Pidgin

Um cliente para mensagens instantâneas que suporta Google Talk, MSN, ICQ e outros serviços de chat pela internet, o Pidgin permite bater papo com os amigos com a certeza de que as conversas não estão sendo armazenadas pelas empresas. "As empresas guardarão apenas uma mensagem criptografada, que não pode ser lida", explica Rainey.

Ao instalar o cliente no computador, o internauta pode fazer login em várias contas de serviços de mensagens instantâneas ao mesmo tempo. O serviço, que não exibe anúncios e é gratuito, está disponível para computadores com sistema operacional Windows e Linux.

HTTPS Everywhere

Uma extensão gratuita que já está disponível para o navegador Firefox, da Fundação Mozilla, e para o Google Chrome, permite que o usuário acesse a versão segura de todos os sites na internet, ou seja, as que possuem a URL iniciada por https. "Muitos sites na internet possuem uma versão https, mas dificultam seu uso", alerta Rainey.

Depois de instalada a extensão, quando o internauta digitar o endereço da URL no navegador, o aplicativo automaticamente reescreve a solicitação para que o navegador se conecte à versão segura do site. Isso previne que as informações enviadas entre o computador do internauta e o servidor onde o site está hospedado sejam interceptadas por terceiros.

TOSBack

A ferramenta TOSBack quer alertar os usuários sobre mudanças nos termos de uso de sites como Facebook, Twitter e outros, que podem mudar sem aviso prévio. Na página do projeto, que monitora mudanças nos textos dos termos de uso de diversos serviços, os usuários podem consultar o texto do termo atual e cópias das versões anteriores.

O recurso é útil, por exemplo, para notar mudanças importantes, como o compartilhamento de informações de usuários de dois serviços mantidos pela mesma empresa -- recentemente o Instagram mudou seus termos de uso para permitir o uso de dados de seus usuários pelo Facebook e vice-versa.

O TOSBack, no entanto, está parado no momento por falta de recursos. Para ajudar a colocar o projeto de volta no ar, Rainey promoveu uma maratona de programação na Campus Party para pedir a ajuda dos desenvolvedores brasileiros para desenvolver novos recursos e encontrar falhas no código da ferramenta.

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