À medida que operadoras de telefonia se concentravam para cumprir as exigências do governo para o 4G, demanda por equipamentos 3G desacelerava no primeiro trimestre

Reuters

A Nokia Siemens Networks, uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos de telecomunicações, começou a ver em abril a retomada na demanda por antenas de telefonia móvel 3G no Brasil, após uma corrida para a instalação da rede de telefonia móvel de quarta geração, disse um executivo sênior da companhia.

À medida que operadoras de telefonia se concentravam para cumprir as exigências do governo para o 4G, —para ter essa rede em operação antes do fim de abril— a demanda por equipamentos 3G desacelerava no primeiro trimestre, afirmou o diretor de tecnologia para América Latina, Wilson Cardoso.

"Grande parte dos recursos foram canalizados para cumprir a meta de cobertura da Copa das Confederações, então deu uma segurada no 3G", disse Cardoso à Reuters.

A Nokia Siemens é fornecedora de 4G para três das quatro maiores operadoras móveis no Brasil
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A Nokia Siemens é fornecedora de 4G para três das quatro maiores operadoras móveis no Brasil

"Agora já vemos um crescimento da demanda do 3G neste meio de abril", complementou, sem dar detalhes.

A Nokia Siemens, joint-venture entre a alemã Siemens e a finlandesa Nokia, produz equipamentos 4G em fábrica de Sorocaba, interior de São Paulo, em parceria de manufatura com a Flextronics, anunciada no segundo semestre de 2012.

Com o novo regime especial de tributação do Programa Nacional de Banda Larga (REPNBL), regulamentado em fevereiro para estimular investimentos no setor de telecomunicações, a Nokia Siemens deve começar a produzir equipamentos 2G e 3G.

"Com o REPNBL devemos ampliar o nosso portfólio para 2G e 3G", afirmou o executivo. Os sistemas 2G oferecem serviços de dados a velocidade baixas de conexão, sem a necessidade de ativação de redes móveis de banda larga.

No primeiro trimestre, foram produzidas cerca de 500 estações rádio-base (ERB) mensalmente para as redes LTE —padrão mais utilizado para o 4G— de acordo com o executivo, praticamente a capacidade de um turno de trabalho da fábrica.

"Na fábrica com a Flextronics temos uma capacidade elástica, se trabalhar em um turno conseguimos produzir 500 estações rádio-base por mês e essa produção pode chegar a 1.500", afirmou o executivo.

Fornecedora

A Nokia Siemens é fornecedora de 4G para três das quatro maiores operadoras móveis no Brasil —TIM, Claro e Oi— mas também tem como clientes para outros produtos Telefônica Brasil e Embratel, segundo o website da companhia.

Apesar da instalação da rede quarta geração no país, os serviços 3G ainda possuem vários anos pela frente, à medida que permitem conexões mais baratas do que o 4G e têm maior abrangência geográfica no momento.

"Tanto no Brasil quanto em toda a América Latina... estamos vendo que o 3G continua crescendo possivelmente até 2016 maciçamente", segundo Cardoso.

De olho já na próxima geração de telefonia móvel, a Nokia Siemens vai abrir na região Sul do Brasil um laboratório para estudar aplicações de velocidades dez vezes mais rápidas do que o 4G atual, afirmou Cardoso.

"Temos diversos desses laboratórios no mundo, mas no Brasil começa a aparecer uma demanda por essas velocidades", disse o executivo, sem especificar a cidade ou o montante a ser investido. O laboratório será montado a partir de julho.

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