Multilaser, MEU, Blu e outras empresas, responsáveis por 10% do mercado de celulares básicos, começam a lançar aparelhos mais avançados para acompanhar a demanda dos consumidores

A procura por smartphones vem aumentando ano a ano no Brasil. As vendas desses aparelhos aumentaram 78% no ano de 2012, em relação a 2011. Aproveitando essa tendência, pequenas fabricantes, como Multilaser, MEU e Blu, que já atuavam no mercado de celulares básicos, começam a apostar em smartphones baratos para tentar ocupar um nicho do mercado.

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Os primeiros aparelhos dessas empresas devem chegar às lojas do mercado brasileiro até a metade de 2013. Os pequenos fabricantes expandem o portfólio, pois aos poucos o consumidor deve migrar para aparelhos mais avançados. Enquanto as vendas de smartphones no Brasil crescem, as vendas de celulares básicos tiveram queda de 25% em 2012.

Veja smartphones de pequenos fabricantes que estão chegando ao mercado:

A MEU celulares, por exemplo, lançará em maio seu primeiro smartphone no mercado brasileiro. O aparelho, chamado AN350 possui tela de 3,5 polegadas, processador de 1 GHz, rádio FM e suporte a dois chips e custará R$ 400. A Multilaser também planeja lançar os três primeiros smartphones da linha em maio, com preços que chegarão a R$ 800.

O primeiro aparelho, mais simples, terá tela de 3,5 polegadas, processador de 1 GHz e Android 2.3 ou Gingerbread. Em seguida, a empresa deve colocar à venda um aparelho com tela de 4,3 polegadas, chip também de 1 GHz e Android na versão 4.0, além de um terceiro modelo, mais avançado, com tela de 4,7 polegadas e câmera de 8 megapixels. As configurações deste último aparecem também em smartphones lançados recentemente por grandes fabricantes.

Com a entrada dos novos smartphones no portfólio oferecido aos consumidores, as empresas pretendem aumentar, ainda mais, as vendas em 2013. Segundo Eliane Silva, gerente de produto da Multilaser, a meta de 2013 é vender cerca de 3 milhões de aparelhos (incluindo smartphones e celulares básicos), o que representa um crescimento de 50% em relação ao ano passado. Eduardo Stefano, presidente da MEU Celulares, também está otimista. “Queremos dobrar nossa participação no mercado e dobrar o volume de vendas, chegando a 3 milhões de unidades vendidas.”

Celular básico em queda

A Multilaser decidiu investir em celulares básicos há três anos. A empresa já produzia outros produtos de tecnologia em sua fábrica em Extrema (MG), como acessórios para informática e aparelhos de GPS, e passou a importar projetos de celulares e os componentes necessários de empresas na China, para fabricar os produtos no Brasil.

Celulares avançados começam a superar básicos também no comércio popular
iG/Claudia Tozetto
Celulares avançados começam a superar básicos também no comércio popular

Após passar por dificuldades, entre elas o processo de homologação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a empresa atualmente oferece 20 celulares em lojas de varejo e pequenas revendas em todo o País.

A maior parte deles suporta mais de um chip de operadora. “Só em 2012, vendemos 2 milhões de celulares, quase 50% a mais do que no ano anterior”, diz Eliane, da Multilaser. De acordo com a executiva, a venda de celulares já representa 30% do faturamento da empresa, apenas três anos após o primeiro lançamento.

A distribuidora de produtos Brightstar seguiu o mesmo caminho. Há dois anos, ela também decidiu lançar uma marca própria de celulares. Chamada MEU Celulares, a empresa fabrica na China seus aparelhos, a maior parte com preço abaixo de R$ 200. “Grandes fabricantes levaram seus aparelhos para um valor mais alto, o que abriu um grande mercado para os celulares básicos, especialmente de dois, três ou quatro chips”, diz Eduardo Stefano, presidente da Brightstar e da MEU Celulares no Brasil.

Como resultado, as vendas de fabricantes menos conhecidas, grupo que inclui Multilaser, MEU, Blu, Genesis e outras, passaram a ocupar uma parte significativa do mercado de celulares básicos no Brasil, que registrou 43,4 milhões de unidades vendidas em 2012. “É um volume considerável que está sendo vendido por cinco ou seis marcas não tradicionais”, diz Bruno Freitas, coordenador de pesquisas do IDC Brasil.

Segundo o analista, o mercado de celulares básicos está sendo “espremido” na faixa de preço abaixo de R$ 300, já que os grandes fabricantes lançaram recentemente novas linhas de smartphones, em especial com sistema operacional Android, com preços cada vez mais baixos. Empresas como Samsung, Sony, Nokia, LG e Motorola lançaram recentemente opções com preço por volta de R$ 500.

Com os produtos em uma faixa de preço mais baixa, as pequenas fabricantes disputam a atenção do consumidor com os aparelhos piratas ou importados ilegalmente para o Brasil, geralmente vendidos em regiões de grande comércio de eletrônicos . “É possível encontrar aparelhos desses fabricantes com aplicativo de Facebook e Orkut, conexão Wi-Fi e teclado Qwerty com preços de R$ 129 ou R$ 159”, diz Freitas, da IDC Brasil.

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