Mesmo comprada pelo Google, empresa não teria privilégios adicionais de acesso ao Android em relação a outras grandes fabricantes como LG e Samsung

O Google afirma encarar a Motorola, empresa adquirida em 2010, como só mais uma parceira de fabricação de produtos, sem privilégios de acesso a versões futuras do Android. A afirmação é de Sundar Pichai, chefe da divisão de Android do Google desde março de 2013, em entrevista exclusiva ao site da revista Wired .

LEIA TAMBÉM:
Enquanto Samsung "esconde" Android, Motorola segue caminho inverso

Sundar Pichai, do Google, elogiou trabalho da equipe que criou o aplicativo Facebook Home para Android
Reprodução
Sundar Pichai, do Google, elogiou trabalho da equipe que criou o aplicativo Facebook Home para Android

Desde a aquisição da Motorola, em agosto de 2011, o Google mostrou poucos sinais do trabalho em conjunto entre as duas empresas. Até o momento, o Google não desenvolveu nenhum dispositivo móvel da linha Nexus com a Motorola, enquanto já faz parcerias para produção desses produtos com a Samsung, LG e Asus.

Recentemente, no entanto, uma atualização do Android para smartphones da Motorola mostrou sinais claros de que o Google vem aumentando sua influência na empresa . O sistema perdeu a interface MotoBlur, usada pela Motorola para customizar o Android, além de muitos aplicativos criados pela empresa para seus produtos.

De acordo com a Motorola, a estratégia da empresa a partir de agora é promover os recursos nativos do Android, desenvolvidos pelo Google. Nos comerciais de TV veiculados pela empresa no Brasil para apresentar seus mais novos aparelhos, o Razr D1 e Razr D3, a empresa valoriza o Google Now, aplicativo que mostra informações de acordo com o contexto e geolocalização do usuário.

Parceria com a Samsung

Durante a entrevista, Pichai também falou sobre a Samsung, maior fabricante de celulares do mundo e principal parceira de fabricação de aparelhos com sistema operacional Android. "A Samsung tem um papel crítico para ajudar o Android a ter sucesso. Nosso relacionamento é muito forte tanto no dia a dia, como em nível tático", disse Pichai à Wired.

De acordo com o executivo, o fato de a Samsung lucrar tanto com seus aparelhos, em parte por conta do bom desempenho do sistema operacional Android, não incomoda o Google. "Historicamente, a indústria sempre teve estruturas estáveis. Veja a Microsoft e a Intel. Eles sempre foram codependentes entre si, mas essa codependência serviu bem a ambos", diz Pichai, à revista.

Dois sistemas operacionais

O chefe da divisão do Android também é responsável pelo ChromeOS, sistema operacional centralizado na nuvem, que está presente em alguns modelos de Chromebooks que já chegaram ao mercado. Segundo Pichai, o Google pretende continuar investindo em dois sistemas operacionais separados. "Os usuários ligam para os aplicativos e serviços que eles usam, não sistemas operacionais", disse o executivo.

"Nós abraçamos ambos e continuaremos a investir em ambos. Em curto prazo, nada muda. Em longo prazo, a computação ditará as mudanças. Estamos vivendo em um momento essencial. Estamos em um mundo de telas múltiplas, displays inteligentes, sensores dentro dos dispositivos. No Google, nós queremos trazer algo bonito e sem emendas ao longo de todas essas telas (...) No curto prazo, nós temos Android e temos Chrome e não estamos mudando o curso."

Facebook Home e Kindle Fire

Para Pichai, o Google continuará aberto à inovações e modificações no Android, desde que elas sirvam para melhorar a experiência do usuário. "O Android foi criado para ser personalizável e estamos abertos a inovações (...) Nós temos que chegar a uma forma de racionalizar as coisas e fazer isso de uma forma que faça sentido para usuários e desenvolvedores. Mas no momento não planejamos fazer nenhuma mudança", disse Pinchai.

Após elogiar o trabalho de customização do Android executado pelo Facebook, Pichai afirmou que sua visão do que o usuário quer em um sistema operacional. "Para Mark Zuckerberg, as pessoas são o centro de tudo. Eu tenho uma visão um pouco diferente. Eu penso que a vida é multifacetada: as pessoas são uma grande parte disso, mas não o centro de tudo."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.