Aplicativo Realtime, desenvolvido pela Internet Business Technologies (IBT), acaba com delay nas interações via internet, ainda existente nas redes sociais

Brasil Econômico

Há anos que se fala em web 2.0, ou seja, o atual estágio em que está metida nossa vida digital. Algumas de suas características principais são a interatividade, as redes sociais, as aplicações multimídia online — sendo quase tudo em tempo quase real. O “quase”, portanto, é que faz duplamente a diferença. Existe hoje um delay inevitável nas interações via internet. No Facebook, por exemplo, você tem ali uns segundos de atraso, por conta não só da tecnologia usada pela turma do Mark Zuckerberg, como também pelas condições de conexão, que invariavelmente não garantem a sincronicidade.

LEIA TAMBÉM:
Tecnologia brasileira em alta
Tumblr terá bate-papo em tempo real fornecido pela Realtime

Nova tecnologia Realtime permitirá bate-papo em tempo real no Tumblr
Getty Images
Nova tecnologia Realtime permitirá bate-papo em tempo real no Tumblr

Daí a importância do Realtime, o aplicativo desenvolvido pela Internet Business Technologies (IBT). Apesar do nome gringo, trata-se de uma empresa brasileira, sob o guarda-chuva da holding de investimentos BRZTech, também brasileira.

Parece que o Realtime veio para ficar. As suas possibilidades de uso são inúmeras, sobretudo quando a gente começa a ver que a empresa tomou a decisão acertada de não prendê-la dentro de casa. Preferiu abrir para quantos desenvolvedores se dispuserem a encarar a xRTML, a linguagem com que zilhões de aplicações podem ganhar vida. Existem hoje 2.391 desenvolvedores ligadíssimos em xRTML. Bancos, e-commerce, redes sociais... Não há limite para um aplicativo que se propõe a transmitir informações em tempo real. Foi assim com o telégrafo, com o rádio, com a TV...

No jargão tecnologês, o Realtime é uma legítima tecnologia disruptiva — ou seja, veio quebrar um determinado padrão. Há muitas delas na história do mundo (e ainda bem). O papel tirou o pergaminho da jogada; as armas tiraram as flechas do caminho; os automóveis substituíram os trens em larguíssima escala; a eletricidade matou a escuridão; a mídia digital quebrou LPs e, em seguida, os próprios CDs e DVDs. Tudo isso faz parte do grupo das tecnologias disruptivas.

No caso, o Realtime está quebrando o jeitão com que, até agora, transmite-se informação digitalmente. E tudo o que anda pela rede, como a gente sabe, é pura informação. Isso explica, por exemplo, por que, em abril do ano passado, a conceituada consultoria Gartner Group deu seu aval ao Realtime com a chancela de três de seus principais executivos. Não é uma benevolência comum.

O que eles viram no Realtime? Futuro. Segundo a análise deles, a tecnologia tem capacidade de exercer forte impacto sobre a Web 3.0. A ponto de deixarem claro que a empresa brasileira conseguiu adiantar em dois anos, pelo menos, a chegada dessa nova fase da web. Sim. Pelos cálculos mais otimistas, havia um consenso a respeito: a 3.0 só estaria plena lá em fins de 2015, justamente porque estaria à espera de alguém — ou algo — capaz de garantir interatividade em tempo real.

Nessa caminhada até a web 3.0, costuma-se dizer que há pelo menos três grandes pedras atrapalhando. Uma delas é a questão de segurança na rede, que Realtime quando abre mão da identificação do usuário, mas sabe que ali, do outro lado, existe um sujeito pronto para a interlocução. Login é o escudo, mas assusta muita gente. Na publicidade ou no mercado editorial, a coisa tende a complicar quando se pede login, que é bem mais aceito nas redes sociais ou no mercado financeiro.

Outro ponto é que o Realtime permite a comunicação direta entre dois ou mais interlocutores simultaneamente. A empresa garante que é capaz de segurar 950 mil conexões ao mesmo tempo. É uma vitória sobre os recursos atuais. Por fim, Realtime é totalmente compatível com qualquer versão de qualquer browser, o que não acontece hoje, no reino da linguagem HTML5.

Imagine-se, portanto, o uso de Realtime no comércio eletrônico, direcionando publicidade e tratamento sob medida para o cliente que está ali perdido no seu website. É, de fato, a web relacional de que se fala. Não é exagero dizer que os cookies, pelo jeito, estão com os dias contados, depois de muitos anos de bons serviços para o e-commerce mundial.

O CEO da BRZTech, Rafael Mora, garante que o Realtime vai anabolizar o comércio eletrônico, justamente porque aumenta as chances de o cliente fechar negócios no site, em vez de usá-lo apenas como apoio à decisão de compra. Estima-se que essa “taxa de conversão” esteja entre 5% e 6% na web, enquanto chega a 30% num shopping “real”.

Imagine-se também a aplicação em call centers, transformando-os em uma ferramenta realmente inteligente, e não uma praga incômoda que só aumenta a aversão a abordagens indesejadas via fone. Não seria curioso você receber uma ligação do call center do seu banco no exato momento em que você está perdido lá no site, atrás de boas opções de investimentos? Isso vale para lojas e outros serviços.

Todas essas e outras tantas possibilidades, aliás, já se traduzem em grana. De acordo com as boas línguas, inclusive o Huffington Post, Realtime teve investimento inicial de US$ 100 milhões, há menos de dois anos, e agora já estaria valendo pelo menos US$ 1 bilhão — e com viés de alta.

Como todo bom executivo de investimentos, Rafael Mora, aliás, não costuma confirmar nem comentar cifras. No entanto, garante: “O Realtime não foi caro, mas foi muito dinheiro”. Ele fala isso justamente porque sabe que vem muito mais valorização por aí. Só depende de os desenvolvedores fazerem sua parte. Tudo uma questão de tempo.

*Coluna publicada às terças-feiras no jornal Brasil Econômico.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.