Empresa aposta em recursos exclusivos e integração com smartphones para garantir sobrevivência da categoria

Queridinhas dos fãs de tecnologia nos anos 2000, as câmeras fotográficas básicas estão em baixa. Em 2008, as vendas dessas câmeras (também conhecidas como compactas ou point-and-shoot) foram de 114 milhões de unidades, segundo dados da Canon. Para 2013, a previsão é que 70 milhões de câmeras dessa categoria sejam vendidas até o fim do ano.

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A culpa pela queda pode ser atribuída em grande parte aos smartphones, que têm câmeras cada vez mais sofisticadas. Este ano, as vendas globais de  smartphones ultrapassaram as de celulares básicos  pela primeira vez. Um estudo da Ericsson prevê que, até 2018, haverá 3,3 bilhões de usuários de smartphone , em comparação ao 1,2 bilhão de usuários do fim de 2012.

Mitarai, da Canon: câmeras básicas sobreviverão
André Cardozo/iG
Mitarai, da Canon: câmeras básicas sobreviverão

Uma das maiores fabricantes de câmeras do mundo, a Canon sentiu na pele a queda no interesse pelas câmeras básicas. Mas a empresa não acredita que elas vão acabar. “As vendas de câmeras compactas vêm caindo, mas acredito que estão perto de se estabilizar, em um nível menor do que o de anos anteriores”, disse Fujio Mitarai, CEO global da empresa, em evento para jornalistas da América Latina realizado em Tóquio (Japão).

A Canon aposta em duas estratégias para manter o interesse dos consumidores pelas câmeras básicas. A primeira delas é enfatizar que, em algumas situações, a câmera de smartphone não é suficiente. Câmeras básicas ainda são superiores a de celulares em situações como fotos no escuro, fotos de objetos em movimento e fotos de objetos que estão longe do usuário (nas quais o zoom é necessário).

A segunda estratégia da Canon é reforçar os recursos de conectividade das câmeras. O suporte a redes Wi-Fi, também presente em câmeras de rivais como Sony, Samsung e Panasonic, está em vários dos modelos mais recentes da linha Powershot. Com esse recurso, fica mais fácil enviar uma foto da câmera para o smartphone ou para uma impressora, por exemplo.

Intermediárias ganham espaço

Na contramão das câmeras básicas, os modelos intermediários vêm ganhando espaço entre fãs de fotografia. Esse segmento é formado por câmeras com funções mais avançadas e que permitem a troca de lentes, conhecidas como câmeras DSLR (Digital Single-lens Reflex) ou simplesmente Reflex.

Câmeras Reflex, como o modelo EOS 7D, estão mais populares, diz Canon
André Cardozo/iG
Câmeras Reflex, como o modelo EOS 7D, estão mais populares, diz Canon

Essas câmeras têm sido uma opção popular para usuários com maior conhecimento de fotografia e também fotógrafos profissionais. Em 2010, 13 milhões desses equipamentos foram vendidos, segundo dados da Canon. Para este ano, a previsão é de 20 milhões de unidades comercializadas.

Para o CEO da Canon, esse mercado ainda tem potencial para crescer mais. “Observamos que muitos fotógrafos profissionais ainda usam câmeras de filme. A migração para o formato digital ainda não se completou neste segmento. Em algum momento, eles migrarão para o digital”, afirma Mitarai.

Android é só possibilidade

Fabricantes como Samsung e até a mais conservadora Nikon têm câmeras com sistema Android, do Google. Questionados sobre essa possibilidade, os executivos da Canon são evasivos. A empresa limita-se a dizer que estuda a possibilidade de incluir outros sistemas em algumas de suas câmeras, mas nada está decidido.

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*O jornalista viajou a Tóquio a convite da Canon.

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