Empresas que criam serviços que fazem uso de informações criadas pelos usuários, como o Waze, estão fazendo sucesso na web e em dispositivos móveis

Brasil Econômico

A imprensa especializada diz que está tudo certo para a compra do Waze pelo Google. É um negócio nada desprezível: US$ 1,3 bilhão. E para que serve o Waze? Serve para monitorar o trânsito. E quem dá as dicas sobre a situação nas ruas e estradas são seus próprios usuários. Ou seja: nada de confiar nas câmeras ou indicações de guardinhas atrapalhados.

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Aplicativo de mapas Waze permite criar perfil e informar vias congestionadas na cidade
Reprodução
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Você vai pela Rua Senador Vergueiro, por exemplo, e identifica que o poste na esquina com a Paissandu está quase caindo e ninguém toma providência. Aí avisa e recomenda cuidado. Quem estiver na área vai receber o recado. É mais um exemplo do bom uso da tal da inteligência coletiva.

Não por acaso, já são mais de 45 milhões de usuários em 130 países. Se a venda do Waze para o Google não for adiante, a culpa deverá ser do Facebook, que também está propenso a investir uma grana preta no programinha, criado em 2006 por uma empresa israelense.

O que existe de sintomático nesse aplicativo, capaz de provocar briga de cachorros grandes, é que por trás dele está um conceito que a revista “Wired” chamou de crowdsourcing no longínquo ano de 2006.

O nome ficou e, como em boa parte das palavras nascidas na cultura web, não tem exatamente tradução para o português. Mas significa que a turma, a turba, a galera, o povo todo é o grande ‘responsável’ por determinado produto ou serviço, assim como pelas informações que o sustentam.

Complicado? Para quem conhece o jeitão com que a internet funciona, não é tão estranho. Trata-se, pois, de uma rede que integra outras redes — e cada uma, por sua vez, integra milhares ou milhões de seres. Se cada indivíduo tem algo a contribuir, ou acha que tem, imagine o quanto de informação pode ser gerada.

Ok, a web é isso. O Facebook é isso. Muita gente gerando informação. Útil ou não, aí é outra história. Mas essa coisa chamada crowdsourcing só existe quando existe um fio condutor para reunir essa contribuição conjunta e colaborativa — de várias fontes — em torno de um objetivo específico.

É o caso do Waze. Ou do iStockphoto, que em 2006 começou a reunir um acervo gigantesco da obra de fotógrafos amadores e hoje arrecada nada menos que US$ 256 milhões negociando todo esse conhecimento acumulado. Ou essa inteligência coletiva.

Vamos refletir, então: a sua empresa sabe aproveitar o conhecimento de cada um dos funcionários? Ou tende a repetir um velho padrão de hierarquia militar, em que um pensa e o resto vai marchando sem dar opinião? Será que, aqui e ali, não vale a pena experimentar esse sistema? Hmm...

*Nelson Vasconcelos escreve no Brasil Econômico às terças-feiras.

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