Com aumento do alcance da internet em todo o mundo, governos tentam aumentar mecanismos de controle e criam "exércitos digitais"

Brasil Econômico

A bola de cristal do Boston Consulting Group estima que, em 2016, a internet vai movimentar mais que US$ 4,2 trilhões dentro de suas fronteiras digitais - que, aliás, estão cada vez menos delimitadas. Se for isso mesmo, e nenhum gigante adormecido resolver acordar, significa que a internet será a quinta maior economia do mundo, ficando atrás apenas de EUA, China, Japão e Índia.

Internet será a quinta maior economia do mundo de acordo com estudo do Boston Consulting Group
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Internet será a quinta maior economia do mundo de acordo com estudo do Boston Consulting Group

Somos hoje 2,5 bilhões de internautas, afogados em cerca de 100 bilhões de sites que contém virtualmente tudo o que se imagina. É tanta coisa que alguns países reais decidiram que a internet pode ser danosa aos seus interesses e tornaram-se inimigos da rede, como diz a organização Repórteres Sem Fronteiras.

Bahrein, China, Irã, Síria e Vietnam são os cinco piores (mas a verdade é que ninguém é tão bonzinho quanto parece, quando se trata de liberdade).

Números e cifras assim nos levam a imaginar sobre o futuro econômico - e, por extensão - político da rede. São inúmeras oportunidades e nichos que se abrem, e tende a ganhar quem sair na frente. Tem sido assim na história através dos milênios, e também na própria história da internet. Sabem disso as gigantes Google e Facebook, que vão pouco a pouco mexendo suas peças em todo o planeta real.

Com tanta grana boiando por aí, não é à toa que muita gente esteja se armando. Estima-se que a China, por exemplo, conte com nada menos que 50 mil “soldados” construindo a grande muralha virtual do seu país, blindando-o de eventuais ataques e surpresas dos inimigos ocidentais.

Já nos EUA, calcula-se que o Pentágono mantenha 14 mil ciber-soldados, mamando num orçamento de US$ 3,7 bilhões somente para “cyberspace operations” neste ano. Sem contar US$ 8,4 bilhões na construção de alguns quartéis-generais dedicados somente a proteger as fronteiras digitais do país - além, naturalmente, de fuxicar a vida alheia.

As guerras esperadas para um futuro distante, aliás, já existem. Há pouco mais de dois anos, os EUA conseguiram suspender a distribuição de energia no Irã usando ataques cibernéticos. Ninguém morreu, nenhum tiro foi disparado, mas o prejuízo foi gigantesco. E nem falemos dos drones, pequenos robôs voadores operados à distância, capazes de detonar vidas e bens sem que o agressor deixe sua vida em risco.

Até mesmo nosso Brasilzão está se articulando para criar um certo sistema de inteligência para monitorar as redes sociais. Que, pelo jeito, são as grandes inimigas das instituições, principalmente depois das manifestações que tanto assustaram os poderes democraticamente constituídos e paulatinamente prostituídos.

*Nelson Vasconcelos escreve no Brasil Econômico às terças-feiras.

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