Botão para comunicar bullying, existente no iPhone, será disponibilizado em outros sistemas

Reuters

O braço britânico do Twitter pediu desculpas no sábado (3) a um grupo de mulheres influentes que foram ameaçadas de morte e estupro no microblog, e anunciou medidas para tornar mais fácil para o usuário a denúncia de tweets abusivos.

O Twitter estava sob crescente pressão para reagir depois de uma ativista feminista, várias parlamentares britânicas e mulheres jornalistas terem sido alvo de mensagens misóginas e ameaças violentas.

“Peço, pessoalmente, desculpas às mulheres que foram alvo de abuso no Twitter e pelo que elas passaram”, disse Tony Wang, gerente geral da Twitter UK, por meio do microblog. “As agressões de que elas foram alvo é algo simplesmente inaceitável. Não é aceitável no mundo real, e não é aceitável no Twitter.”

A Twitter UK informou que aumentaria a equipe para melhor lidar com denúncias de agressões, e também informou que um botão para fazer comunicar casos de bullying, hoje disponível no app da companhia para iPhons, também seria colocado na versão web e em outras plataformas móveis.

Jane Austen nas notas de 10 libras

Nota de 10 libras com o rosto da novelista Jane Austen
Associated Press
Nota de 10 libras com o rosto da novelista Jane Austen

A questão das agressões via Twitter pelos chamados “trolls” causou furor na mídia britânica desde que a ativista Caroline Criado-Perez foi alvo de bullying por ter conseguido que um rosto feminino fosse estampado em notas de dinheiro.

Em reconhecimento por seu papel na campanha, Caroline compareceu ao anúncio, feito em 24 de julho pelo governador do Banco da Inglaterra, Mark Carney, de que a novelista Jane Austen seria o rosto da nova nota de 10 libras.

A polícia prendeu dois homens por ameaças de estupro contra Caroline. Um deles também é suspeito de ter feito ameaças de estupro contra a parlamentar Stella Creasy, do Partido Trabalhista, que apoiou a campanha sobre as notas bancárias e também estava no anúncio do dia 24.

Em incidentes separados dias depois, várias jornalistas famosas receberam tweets de alguém ameaçando explodir as casas delas e “destruir tudo”.

A Polícia Metropolitana de Londres informou na sexta-feira (2) que estava investigando alegações feitas por oito pessoas que foram vítimas de perseguição, comunicação maliciosa ou ameaças de bomas.

Enquanto os “trolls” eram denunciados pela imprensa britânica, o Twitter também foi amplamente criticado por não responder à altura.

Num comunicado emitido após o pedido de desculpa de Wang, Criado-Perez comemorou as medidas anunciadas pelo Twitter UK, mas disse ser necessária uma reforma mais profunda do sistema da rede social para lidar com abusos.

“O processo atual é lento, complicado e impossível de usar se você está sob um ataque constante como eu estive”, disse ela. “Hoje, em vez de o Twitter encontrar o agressor e pará-lo, toda a ênfase é dada à denúncia da vítima, que geralmente está sob intensa pressão."

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