Empresas de internet devem simplificar condições de uso dos serviços para facilitar compreensão sobre tratamento de dados pessoais, diz FecomercioSP

Cerca de 60% dos internautas brasileiros não leem os termos de uso de redes sociais, como Facebook e Twitter, antes de se cadastrar, aponta um novo estudo realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) divulgado nesta segunda-feira (12). Os dados mostram que 60,5% dos entrevistados ignora os termos de uso desses sites, enquanto 39,5% afirmam ler integralmente contratos associados ao cadastro em um site de relacionamentos.

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Usuários de internet no Brasil têm medo de fraudes e ataques de hackers, diz pesquisa
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A quantidade de usuários que afirmaram ler os termos de uso na edição 2013 da pesquisa "O comportamento do usuário na internet" é menor do que em 2012, quando 53% afirmaram ler os termos de uso. Contudo, a metodologia de pesquisa, realizada durante o mês de maio de 2013, passou por ajustes para determinar se os usuários liam o conteúdo dos termos de uso integralmente, o que pode ter determinado a queda no resultado.

"Há um aumento da conscientização das pessoas em relação aos termos de uso, mas ainda temos quase 60% que não leem. As empresas precisam simplificar e colocar de forma mais direta os termos e condições de uso", diz Renato Opice Blum, especialista em direito digital e presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da FecomercioSP.

Apesar de uma quantidade significativa das pessoas afirmarem ler os termos de uso, a maior parte dos internautas ainda têm poucas informações sobre o modelo de negócios de redes sociais e serviços de e-mail gratuito. "Mais de 72% das pessoas não conhecem as razões", diz Opice Blum. Além disso, as pessoas desconhecem as regras que as empresas seguem para armazenar os dados coletados e de que maneira podem compartilhar esses dados com terceiros.

Confiança em baixa

O estudo incluiu entrevistas com 1 mil pessoas da cidade de São Paulo e foi realizado antes das denúncias de Edward Snowden , ex-técnico de informática da agência nacional de segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês) revelar o esquema de espionagem do governo dos EUA às comunicações de cidadãos estrangeiros, inclusive do Brasil, com o objetivo de combater ações de terrorismo. De acordo com as denúncias, empresas de internet e operadoras americanas teriam colaborado com o governo dos EUA em ações de espionagem.

Apesar de ter ocorrido antes da denúncia, a pesquisa aponta que os internautas não acreditam que as informações cadastradas estarão seguras. Ao perguntar para os entrevistados se eles confiam na guarda de seus dados pessoais por empresas que oferecem redes sociais, 72,3% afirmaram que não confiam. O percentual de pessoas que duvidam que as suas informações cadastradas sejam guardadas da maneira correta é maior entre pessoas com mais de 35 anos (78%).

O estudo também mostra que os internautas ainda têm dúvidas sobre a possibilidade de compartilhamento de seus dados pessoais sem sua autorização. De acordo com a FecomercioSP, 50,2% dos entrevistados afirmaram que as empresas não podem compartilhar seus dados com outras pessoas ou empresas sem sua expressa autorização, mas outros 49,8% do total afirmaram acreditar que as empresas tem a permissão de compartilhar esses dados com terceiros.

Do total de brasileiros entrevistados, 84,1% é usuário de redes sociais. A rede social mais acessada continua a ser o Facebook (96,7%), seguida do MSN/Skype (25,6%), Twitter (23,4%) e Orkut (16,6%). Somente o Facebook registrou alta em relação ao ano passado, enquanto as demais redes apresentaram declínio.

Proteção contra ataques

Com base nas entrevistas com os internautas, a FecomercioSP também aponta que 86,4% das pessoas têm receio de que ocorram fraudes ou invasões por hackers em seu dispositivo pessoal, seja ele um computador, smartphone ou tablet. Para evitar este tipo de problema, 65,4% dos entrevistados afirmaram usar algum tipo de ferramenta que evite a captação remota de senhas ou a instalação de aplicativos no computador que possam inviabilizar fraudes.

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