Cofundador da Apple junto com Steve Jobs, Wozniak fala em entrevista sobre uso da tecnologia para controlar os cidadãos e interação dos usuários com dispositivos móveis

O Dia

Rio - Para quem não sabe, Steve Wozniak foi um dos fundadores da Apple, ao lado do Jobs e do Ronald Wayne. Estive com ele há algumas semanas, durante evento da Unisys para engenheiros das empresas parceiras. Abaixo, um resuminho do que ele falou durante uma rápida conversa:

Controle: “Me assusta que estejam usando a tecnologia para controlar os cidadãos. Gosto de compartilhar informações pelas redes sociais. Mas não gosto que meus dados sejam usados para fazer marketing ou para que me vigiem. Todos temos direito à privacidade, e isso é algo que a tecnologia não deve nos tirar.”

Steve Wozniak, fundou a Apple junto com Steve Jobs
Getty Images
Steve Wozniak, fundou a Apple junto com Steve Jobs

Conselhos: “Todo dia recebo propostas de novos empreendedores. Eu sempre recomendo que pensem diferente, e que procurem a excelência em tudo o que fazem. Que sejam realmente inovadores. A falta de orçamento não é desculpa para a falta de ideias.”

Inteligência: “Acredito que levará 20 anos ou mais para termos um computador tão esperto quanto uma pessoa. Os dispositivos móveis vão ser como nossos amigos. Se esqueço o meu, sinto como se me faltasse uma parte do cérebro. Cuido dele, durmo com ele, e muita gente faz isso. E o faço por conveniência, não por ser nerd.”

Interação: “A interação entre os dispositivos e as pessoas será cada vez mais mais fácil. Os comandos de voz, como os que existem no iPhone e no Android, serão a forma com que vamos nos comunicar com as máquinas.”

Jobs: “A Apple sente falta de Jobs. É lógico, até porque, quando você constrói uma figura de alguém como se fosse um deus, acaba dependendo muito dele.”

Boas ideias: “Estou sempre pensando em problemas, e às vezes vou dormir com eles e acordo com a solução no meio da noite. Muitas ideias me aparecem enquanto tomo banho. Hoje, por exemplo, ainda não tive ideias...”.

Facebook: cada vez mais íntimo de você

E agora mais esta: nos últimos dois dias, o Facebook andou pedindo para alguns de seus 1,1 bilhão de usuários que confirmem sua identidade. Como? Simples: você tem que escanear e enviar pra eles uma cópia do seu passaporte, RG, algo assim. Isso é bonito? Taí uma questão a ser pensada, porque privacidade não é exatamente a melhor característica da internet.

Em tempos de xeretagem oficial made in USA, fica muito estranho que a maior rede do mundo comece a acumular ainda mais informações sobre os usuários.

Foi uma falha, disse a empresa. Mas, se o texto que você vê aqui ao lado já estava prontinho em algum canto do Facebook, parece que é questão de tempo para que eles exijam, de fato, esses dados. De qualquer maneira, parece que, digamos, o ‘nível de intimidade’ entre Mark Zuckerberg e cada um de nós vai ficando cada vez mais profundo. Qualquer dia vão te pedir o contracheque. Ou coisa pior.

Arquivos externos

Pela primeira vez no Brasil, as vendas de tablets superaram a de notebooks. Foi em agosto, quando 627 mil tablets saíram das lojas, contra 597 mil notebooks. Dados do IDC, que já constatou, há tempos, que os desktops ficaram para trás.

Não é por acaso que muitas escolas já perceberam que não adianta muito tentar alfabetizar as crianças nessa velha plataforma chamada PC... A primeira coisa que os pequenos fazem, quando estão na frente do computador, é correr os dedinhos pela tela, a ver se ela desliza suavemente, como acontece com seus tablets.

E é claro que esse não é um causo brasileiro. Pesquisa da GfK nos EUA constatou que 38% das crianças americanas de até 2 anos de idade já usaram smartphones ou tablets. Na sondagem anterior, em 2011, esse índice ficou em 10%. Tem gente que fica preocupada com essa conexão precoce. Adianta? A resposta é simples: não adianta.

*Nelson Vasconcelos escreve a coluna Digital & Tal no jornal O Dia às quartas-feiras.

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