Designer holandês criou aparelho com peças de fácil substituição

BBC

William Kremer
Do Serviço Mundial da BBC

Um designer holandês criou um projeto de telefone celular em módulos, cujas peças podem ser substituídas ou trocadas quando necessário, desobrigando o dono a comprar um novo aparelho toda vez que uma parte deixa de funcionar.

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Divulgação
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Dave Hakkens teve a ideia ao desmontar uma câmera fotográfica. "Notei todas estas peças pequenas. E tudo estava funcionando bem, exceto o motor da lente. Aquilo estava quebrado", disse. Quando Hakkens entrou em contato com o fabricante para substituir a peça, foi aconselhado a trocar de câmera.

"Com a sua bicicleta, você conserta o pneu, você não joga a bicicleta fora. Mas, por alguma razão isto é o que fazemos com aparelhos eletrônicos", acrescentou.

O designer se deu conta de que se um aparelho pudesse ser desmontado e trocado mais facilmente, poderia durar muito mais. E assim nasceu a ideia do Phonebloks. O projeto de Hakkens prevê um celular em que a tela e outros componentes como bateria, receptor do chip, teclado e câmera podem ser trocados.

O celular em blocos ainda não foi fabricado, mas Hakkens já criou um vídeo para divulgar o projeto. No vídeo, as peças são introduzidas na placa traseira do telefone como peças de Lego. O tamanho dos blocos varia e eles podem ser combinados de várias formas.

"Vamos dizer que este é o seu telefone e você faz tudo na nuvem (armazenamento de arquivos, etc.). Por que não substituir o bloco de armazenagem por um bloco maior para a bateria?", pergunta a voz no vídeo postado pelo designer. "Se você adora fazer fotos, por que não melhorar sua câmera?"

Promovendo a ideia

Em outubro, Dave Hakkens começou a promover o projeto do Phonebloks usando a plataforma Thunderclap. Os usuários da plataforma "doam" a influência que têm nas redes sociais para um projeto, permitindo que o Thunderclap comande suas páginas de Twitter, Tumblr e Facebook para transmitir uma mensagem em um momento predeterminado.

Inicialmente, Hakkens esperava que 500 pessoas dessem apoio ao seu projeto, mas o vídeo do Phonebloks se transformou em um viral, com 7 milhões de exibições em apenas três dias. O designer já conseguiu 950 mil usuários para apoiar seu projeto no Thunderclap.

"No fim das contas se trata de um sinal do consumidor. O mercado precisa indicar aos fabricantes que nos importamos com hardware modular, que pode ser consertado", afirmou Kyle Wiens, fundador do iFixit.com, um site onde os usuários podem disponibilizar e encontrar manuais de conserto e vídeos para solução de problemas com aparelhos eletrônicos.

Celulares nunca foram aparelhos modulares como computadores, mas, segundo Wiens, eles costumavam ser mais resistentes e podiam ser consertados.

Baterias escondidas

Tomando como exemplo o caso das baterias . Até a chegada do iPhone em 2007, as baterias de todos os celulares podiam ser removidas facilmente. Mas, a cada modelo novo lançado, fica mais difícil retirar a bateria, que agora é presa com mais cola, ou fica dentro de uma caixa muito difícil de abrir.

Por exemplo, para retirar a bateria do celular HTC One, os membros do iFixit tiveram que mutilar o invólucro do telefone e remover a placa-mãe.

"Queria que as baterias pudessem ser substituídas como antes. A razão é para que o telefone seja pequeno, a bateria precisa caber (no formato do telefone) ao invés de ser um bloco quadrado (como no projeto Phonebloks)", disse o engenheiro Bruce Harvey, da Universidade Estadual da Flórida.

Além da bateria ficar escondida, a preferência do consumidor também fez com que os fabricantes colocassem cada vez mais hardware dentro dos celulares, como processadores, memória, wi-fi, sem separar nada em blocos.

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