Mercado deve crescer em torno de 9% neste ano, segundo IDC

Nos últimos dois anos, os pilares da tão falada terceira plataforma de TI: Cloud, Big Data, Mobilidade e Social, dominaram os holofotes na mídia especializada. E não foi por acaso, afinal, continuam sendo os grandes modelos disruptivos que trazem, ao mesmo tempo, alto potencial de inovação para os negócios e de impacto para organizações de TI. Ao longo deste tempo, o mercado naturalmente amadureceu e vimos soluções de mobilidade proliferarem, os conceitos de cloud computing e Big Data se consolidarem e alguns avanços (ainda poucos, é verdade) na seara corporativa das redes sociais pipocarem.

2013, especificamente, foi um ano bastante peculiar. Em paralelo e, em muitos casos, em função dos avanços da terceira plataforma, aconteceram muitos investimentos em infraestrutura de TI. Uma quantidade significativa de empresas entendeu ser este o momento certo para preparar-se adequadamente e procuraram construir, modernizar ou terceirizar seus data centers. Estes foram considerados projetos inadiáveis pelas áreas de TI. Por outro lado, no que se refere a aplicações, muitas iniciativas de modernização e transformação acabaram sendo congeladas ou adiadas – grande parte em função da incerteza econômica que se abateu sobre o Brasil.

Assim, prever o comportamento do mercado brasileiro de tecnologia em 2014 passa a ser tarefa das mais ingratas. Afinal, qual das facetas será predominante, a da desaceleração ou a do desenvolvimento? Tanto para os provedores de TI como para os líderes de TI, 2014 é uma espécie de enigma da Para decifrá-lo, comecemos pelos números. A IDC estima que em 2013 o mercado de TIC (TI + Telecom) terá um crescimento da ordem de 9% em relação a 2012. Para 2014, são aguardadas taxas de crescimento no mesmo patamar.

Pode parecer pouco, mas, levando em conta o desempenho fraco da nossa economia, trata-se de uma excelente notícia. Isso significa que o mercado de TIC vem mantendo o ritmo de crescimento acima do PIB, às vezes com taxas três a quatro vezes maiores. Isso se explica pelo fato de que TI é um mercado ainda em franca expansão – e também pelo fato de que investir em tecnologia é um dos principais caminhos para que as empresas possam ser mais eficientes justamente em épocas como esta.

Porém, além dos números, quando observamos detalhadamente os movimentos do mercado, começamos a perceber as diferenças mais significativas. Em 2014, veremos as ofertas de cloud já mais maduras, fazendo cada vez mais parte da prioridade dos CIOs, cientes da inevitabilidade de uma arquitetura híbrida – com cloud pública para soluções mais padronizadas (e de menor nível crítico), cloud privada para soluções mais específicas e uma infraestrutura, digamos, “tradicional” para tudo aquilo que as empresas ainda não querem (ou ainda não estão prontas para) abrir mão.

O mercado de Big Data, por sua vez, passará por um depuramento. As empresas até agora são unânimes tanto em reconhecer o poder dessa tecnologia como em ignorar o melhor caminho para começar a adotá-la. Minha opinião é que as grandes empresas darão os primeiros passos mais significativos em direção a Big Data já em 2014, com projetos iniciais específicos que possam ser mensurados e assim justificar futuros investimentos. As médias e pequenas empresas certamente adiarão seus investimentos até que cases de sucesso no Brasil sejam mais comuns.

Por fim, continuaremos a nos assombrar diante do mercado de mobilidade, puxado pela adoção cada vez maior de smartphones e tablets e consequentes iniciativas de MDM, sigla em inglês para Gestão de Dispositivos Móveis, e mobile apps. Mercado incrementado, desta vez, pela importância crescente da internet das coisas, ou seja, o uso de sensores e dispositivos inteligentes nos mais diversos equipamentos e objetos do nosso dia a dia. 

Enfim, teremos certamente um 2014 bastante movimentado com inúmeras oportunidades. Provedores e líderes de TI que se prepararem adequadamente e atentarem aos sinais do mercado terão mais chances de sucesso e não serão devorados pela Esfinge da tecnologia.

* Roberto Gutierrez é diretor de Consultoria e Insights da IDC América Latina


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