Sistema permite que robôs, ou seus programadores, se conectem a uma base de dados comum para buscar informações

Sistema permite que robôs se conectem para buscar informações de como fazer algo
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Sistema permite que robôs se conectem para buscar informações de como fazer algo

Um sistema criado para acelerar o desenvolvimento de robôs que ajudam humanos está gerando expectativa entre os membros da comunidade científica.

Cientistas das cinco das maiores universidades técnicas da Europa se reuniram nessa semana na Holanda para demonstrar algumas das possíveis aplicações do RoboEarth.

O RoboEarth é uma espécie de Wikipédia para robôs, que permite que os robôs, ou seus programadores, se conectem a uma base de dados comum para buscar informações.

Em uma demonstração realizada na quarta-feira (15), na Universidade Técnica de Eindhoven, o RoboEarth foi usado para instruir um robô a entregar uma caixa de leite para um paciente em uma cama de hospital. Para isso, o robô devia digitalizar uma sala, localizar a cama do paciente e também mapear a localização de uma caixa de leite.

Em seguida, o sistema ativou um segundo robô, mais humanoide, chamado Amigo. Ele usou o mapa feito pelo robô Avi para localizar, pegar a caixa de leite e deixá-la do lado da cama do paciente. No fim do teste, a caixa caiu no chão. Felizmente, foi um teste, o leite não derramou e Amigo não chorou, até porque ele não foi programado para isso.

Os organizadores da apresentação dizem que seus robôs estão desempenhando tarefas de uma sofisticação comparável a dos robôs que trabalham na indústria automotiva. A diferença é que eles não fazem atividades tão repetitivas quanto às das fábricas.

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O projeto do RoboEarth recebeu cerca de 4 milhões de euros de fundos da União Europeia para projetos de colaboração entre países, e envolve também a Philips e universidades na Holanda, Alemanha, Espanha e Suíça.

A ideia é que designers de robôs adicionem informações ao sistema, que é compartilhado de graça, para que seus colegas não tenham que reinventar a roda elétrica. Se, por exemplo, um fabricante de robô deseja programar uma mão para agarrar algo, mas não sabe como fazê-lo, ele pode conectar seu robô ao RoboEarth, que possui três maneiras diferentes de como o robô pode concluir tal tarefa.

No entanto, o RoboEarth é mais do que uma enciclopédia. Ele é um sistema de computadores em rede que permite a execução de tarefas mais intensivas que computadores, ou robôs menores, não conseguem executar.

O sistema também permite que o robôs se comuniquem entre si por meio do RoboCloud da rede de computadores, uma base de dados robôs.

"O futuro na área da robótica e, especialmente, na computação em nuvem, é muito emocionante", disse Gajan Mohanaraja, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique, que participa do projeto. Mohanarajah foi um dos desenvolvedores do RoboCloud, às vezes chamado de "cérebro online para robôs", que foi lançado em março à frente do restante do projeto.

Sascha Griffiths, da Universidade Técnica de Munique descreve a tecnologia que sua equipe desenvolveu: digitalizar a fala humana para, em seguida, enviá-la para o RoboCloud para interpretação. O que eles construíram não poderia competir com a Siri, da Apple, mas ele nem precisa: atualmente o robô deve apenas entender os pedidos de uma pessoa em uma cama de hospital.

"Nós só pedimos que as pessoas que usam o RoboEarth para reunir informações ou fazer melhorias em seus robôs que enviem o que eles fizeram de volta ao sistema para que outras pessoas usem também", disse Heico Sandee, gerente do programa.

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