CEO do Viber, Talmon Marco veio ao Brasil para anunciar a criação de um escritório local e também palestrar na Campus Party sobre empreendedorismo

CEO do Viber, Talmon Marco, posa ao lado do country manager do Brasil, Luiz Felipe Barros
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
CEO do Viber, Talmon Marco, posa ao lado do country manager do Brasil, Luiz Felipe Barros

Talmon Marco, CEO do Viber, plataforma de ligações e troca de mensagens, ainda conhece pouco o Brasil. Quando perguntado sobre o que sabe do primeiro país da América Latina em que o Viber inaugura escritório, ele dispara: “é um ótimo país para passar férias, pessoas felizes, boa comida, Gisele [Bündchen]”.

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Após uma breve pausa, ele explica: “Eu estive aqui pela primeira vez há um ano e meio, no Rio de Janeiro, e foi ótimo. Vimos que nossa base de usuários vinha crescendo no Brasil, mas que podíamos fazer mais e melhor com uma operação local”.

Em conversa com os jornalistas antes de palestrar na Campus Party na tarde desta quinta-feira (30), o israelense Talmon Marco enumerou as qualidades do seu serviço, comentou sobre a concorrência e a respeito da estratégia no Brasil.

O CEO acredita que as funcionalidades do Viber, atreladas a uma operação local que entenda melhor o usuário e atenda suas necessidades, serão suficientes para conquistar cada vez mais brasileiros, mesmo aqueles que já utilizam o aplicativo concorrente, o WhatsApp. No Brasil, o Viber tem 10 milhões de usuários e cresce a uma taxa de 700 mil usuários por dia em todo o mundo. Globalmente, são 300 milhões de usuários contra 430 milhões do WhatsApp.

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O Viber, no entanto, é gratuito e, de acordo com Marco, vai continuar desta forma. Além disso, conforme o próprio CEO gosta de frisar, o Viber é uma plataforma. O serviço funciona em quase todos os sistemas operacionais de smartphones, tablets e PCs. E além da troca de mensagens, permite que o usuário faça ligações gratuitas para quem tem Viber e pagas para pessoas de fora da rede por meio do Viber Out, uma solução bem similar ao Skype, mas com preços menores de acordo com Luiz Felipe Barros, country manager do Viber no Brasil.

O Facebook Messenger, outro concorrente, não assusta os executivos. Marco acredita que o foco da sua plataforma em comunicação o torna mais competitivo, pois conecta as pessoas com pequenos grupos do seu convívio, e não com todo mundo como fazem as redes sociais, que agregam até colegas do jardim de infância. “A questão não é sobre o Facebook desenvolver aplicativos de mensagens, mas se as pessoas querem usar o Facebook para mensagens”, questiona.

Luiz Felipe Barros vai mais longe e afirma que o Facebook tem comprometido a experiência na tentativa de migrar o usuário para o aplicativo de mensagens. “Você está vendo as fotos que todo mundo compartilha e quando recebe uma mensagem e clica ele te joga para outro aplicativo [Facebook Messenger]. Isso consome bateria, é ruim para a experiência, fica difícil de você voltar para o que estava fazendo antes. Eles estão criando uma ruptura que acaba sendo negativa para eles mesmo".

Stickers são um dos destaques do Viber
Divulgação
Stickers são um dos destaques do Viber

Qualidades que vão além do preço

A estratégia para competir com WhatsApp, vai além do preço - o primeiro ano do WhatsApp é gratuito, mas depois o aplicativo passa a custar US$ 0,99 por ano. Talmon acredita é nas riquezas da sua plataforma, como os stickers, figurinhas para enviar aos contatos por mensagens. No Viber, assim como no Facebook Messenger, é possível comprar mais stikers.

A loja de stickers é uma das formas de ganhar dinheiro do Viber, uma vez que o serviço não exibe anúncios. Além disso, a empresa lucra com as ligações de usuários para pessoas que não usam o serviço. Mas segundo o CEO, não vai parar por aí: o objetivo é criar novos produtos dentro da plataforma que sejam pagos, mas totalmente opcionais. Um exemplo seria uma loja de jogos dentro do Viber. 

Outro diferencial do Viber é funcionar em smartphones, computadores e tablets, sincronizando os contatos, e de oferecer uma experiência bastante similar em cada um deles. Uma das missões do executivo é que o serviço continue sendo fácil de usar, com interfaces cada vez mais parecidas independente do dispositivo e do sistema operacional.

O detalhamento da entrega das mensagens também é um destaque. Além de mostrar que elas foram entregues, o Viber deixa claro ao usuário que elas foram lidas, funcionalidade inexistente no concorrente WhatsApp. Outro recurso importante para o CEO é o silenciador de conversas em grupo.

“Grupos são ótimos, mas às vezes eles começam a falar e eu não quero o que eles falam nesse grupo. No WhatsApp é preciso escolher silenciar, já o Viber é capaz de detectar seu interesse”, diz ele.  Quando o usuário para de acompanhar uma conversa, ela é silenciada pelo serviço, que só volta a mostrar as mensagens se o usuário retornar à conversa ou quando, após um tempo de inatividade, o grupo começa, supostamente, outro tópico na troca de mensagens.

Talmon Marco fez questão de falar sobre privacidade diante de todas as polêmicas envolvendo Estados Unidos, NSA e Brasil. Com servidores espalhados pelo mundo e também na nuvem, o Viber optou por não armazenar as conversas. As trocas de mensagens ficam com o usuário. Em sua base de dados, as conversas ficam cerca de dois meses, e depois são apagadas.

Recentemente, na Arábia Saudita, o governo exigiu que Viber, WhatsApp e Skype abrissem seus dados de usuário, caso contrário seriam bloqueados. “O Viber foi bloqueado e é isso”, finaliza o CEO.

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