Após meses de procura e especulação, a Microsoft anunciou nesta terça-feira seu novo executivo-chefe: Satya Nadella, veterano da empresa

BBC

Após meses de procura e especulação, a Microsoft anunciou nesta terça-feira seu novo executivo-chefe: Satya Nadella , veterano da empresa.

O executivo, que nasceu na Índia em 1967, tem como tarefa liderar uma empresa dominada pelos nomes de seus antecessores - Bill Gates e Steve Ballmer - desde sua fundação, nos anos 1970.

Satya Nadella é o novo presidente-executivo da Microsoft
Divulgação/Microsoft
Satya Nadella é o novo presidente-executivo da Microsoft

A empresa ainda lidera o mercado mundial de softwares, mas perdeu terreno para seus rivais, como a Apple, na última década - e viu a confiança de seus investidores abalar em alguns momentos por conta de flutuações nos preços de suas ações.

A Microsoft vinha sendo liderada desde 2000 por Ballmer, que ficou conhecido por seu estilo exibicionista nas apresentações da empresa.

No ano em que assumiu o cargo de executivo-chefe, substituindo Bill Gates, Ballmer proclamou que "amava" a Microsoft.

Escolha 'inevitável'

Mas e quanto ao novo executivo?

Nadella é um engenheiro elétrico formado na Universidade de Mangalore, na Índia, e com pós-graduação em ciências da computação e negócios. Ele trabalha na Microsoft desde 1992, após ter trabalhado na Sun Microsystems.

Desde meados de 2013, ele era responsável pelas plataformas de negócios e de computação na nuvem (em que os arquivos ficam guardados na própria internet) da Microsoft. A parte de computação na nuvem, em especial, ganha cada vez mais importância para empresas de software, à medida que mais pessoas conectam diferentes dispositivos - tablets e celulares - na internet e compartilham arquivos online.

Nadella foi a "escolha inevitável" para o cargo de executivo-chefe, opina Paul Kedrosky, sócio da SK Ventures, companhia californiana de investimentos.

"A maioria das pessoas de fora (vistas como possíveis candidatas ao posto) ou não tinham informações suficientes sobre a indústria ou eram espertas o bastante para saber que este é um trabalho praticamente impossível", afirma.

Para Kedrosky, "trata-se de um emprego difícil em uma empresa complexa, que não sabia ao certo o que queria - um técnico puro? Um visionário? Um 'outsider' ou um 'insider'?"

Ele afirma que muitos outros candidatos temiam que não seriam capazes de promover mudanças reais ante uma possível interferência de executivos prévios, como Gates.

"Tudo isso foi considerado, enquanto a lista de candidatos diminuía e a demora da busca (por um novo CEO) se tornava embaraçosa", diz Kedrosky, opinando que Nadella era o "candidato certo - e terá muitas dificuldades".

Incômodo

Rupert Goodwins, jornalista e especialista em tecnologia, concorda - e agrega que a escolha é "significativa e tem o potencial de trazer ganhos financeiros à empresa".

"Nadella é o 'homem da nuvem'. Poderá tirar a Microsoft de sua dependência das caras taxas de licenciamento que cobra das pessoas por softwares que elas sequer querem (ainda que tenham que usá-los). Para ser justo, a Microsoft já está indo nessa direção, mas relutante e com muitas disputas internas."

Goodwins diz ainda que o novo executivo-chefe tem a reputação de ser "excelente intelectualmente e muito talentoso tecnicamente".

O fato de ele ser "da casa" e ter feito sua carreira na Microsoft causa incômodos pela possibilidade de ele não conseguir implementar mudanças?

Para Goodwins, esse debate é exagerado.

"A clássica história do 'outsider que salva a empresa (do fracasso)' remete a Lou Gerstner, que mudou a IBM ao assumir seu comando. Mas as duas empresas não são as mesmas, seus problemas não são tão semelhantes. A Microsoft sabe o que está fazendo, e (na época) a IBM não sabia, e Nadella está totalmente em sintonia com o futuro da computação corporativa."

Mas para Colin Gillis, analista de tecnologia da empresa financeira BGC, diz que alguns investidores ficarão insatisfeitos com a ausência de mudanças mais radicais.

"Um sangue novo faria bem", opina. "Mas (Nadella) conhece a empresa - pode acabar se mostrando mais agressivo do que as pessoas esperam -, e a Microsoft deveria ter anunciado seu novo CEO no Ano-Novo, mas não achou ninguém adequado ao cargo (na ocasião)."

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