Para especialista da Unicamp, as vantagens de uma TV com tela curva só são realmente percebidas em modelos com mais de 70 polegadas

TVs com telas curvas foram destaque na CES 2014
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TVs com telas curvas foram destaque na CES 2014

As tendências mostradas na CES 2014 ainda ecoam pelo mundo da tecnologia. Uma delas é a TV de tela curva, que apareceu em modelos de diferentes fabricantes. Além de LG e Samsung, Panasonic, Haier e outros fabricantes mostraram protótipos que podem chegar ao mercado ainda neste ano.

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Mas, fora dos corredores da CES, o que de fato uma tela curva pode acrescentar na experiência do usuário? Para ajudar a responder a essa e outras perguntas, o iG conversou com o professor da Unicamp Yuzo Iano, doutor em Engenharia Elétrica, com ênfase em telecomunicações e eletrônica e foco em comunicações audiovisuais.

De acordo com Iano, é preciso estar ciente de que as telas curvas não vão chegar às TVs que a maioria dos consumidores tem em casa. Para que uma tela curva traga benefícios ao usuário ela precisa ser grande e ter no mínimo 70 polegadas, segundo estimativa do professor. A posição do usuário em frente à TV também é importante e muitos aparelhos estão sendo desenvolvidos para serem vistos de um único ponto. Quem ficar de fora desse ponto de vista poderá observar uma distorção forte de imagem, além de perdas em relação à luz.

Em linhas gerais, as telas cujas bordas se curvam aumentam o campo de visão do usuário quando comparado a uma tela plana. “As telas curvas tem potencial para melhorar a experiência de vídeo do usuário, de aperfeiçoar a luminosidade, o efeito de profundidade e a sensação de estar circundado por objetos. No entanto, para conseguir esses efeitos existem algumas restrições relacionadas à posição dos usuários em frente à TV”, explica Iano. Tais restrições, como aponta o professor, podem atrapalhar o desempenho das telas curvas e transformar esse recurso em um mero detalhe estético.

Casa x Cinema

Nas salas de cinema as telas já são curvas. Mas, neste caso, a posição dos assentos é calculada de acordo com o tamanho da tela e da curva para que se obtenha um melhor aproveitamento da luz. De acordo com Yuzo Iano, no cinema, a curvatura é útil, pois é possível direcionar uma maior concentração de luz para a audiência, de forma calculada. “No caso da TV em casa, a curvatura conseguida, em geral, é pequena, pois a distância de observação é curta, três metros normalmente, e assim uma melhora pode nem ser percebida pelo usuário”, afirma.

Um dos motivos pelos quais as telas de cinema são curvas é a distorção que seu tamanho provoca, deixando as imagens do centro maiores que as das bordas. Para que esse tipo de problema não aconteça nas telas planas, lentes específicas são utilizadas durante a filmagem. De acordo com Iano, para que se tenha um melhor aproveitamento das telas curvas seria necessário utilizar equipamentos específicos também, como já é feito com outras tecnologias.

Iano observa que uma confusão muito comum é misturar TV de tela curva com o IMAX. “O IMAX é um formato de vídeo de alta resolução que é exibido em cinemas com telas curvas ou em forma de domo ou cúpulas muito maiores do que as usadas em cinemas. As câmeras e lentes de filmes para IMAX não são as mesmas utilizadas pela TV convencional”, explica.

3D em baixa

Iano acredita que a tela curva dificilmente salvará a tecnologia 3D com óculos, considerada por ele um fracasso. No entanto, o uso de telas curvas com resolução 8K pode aumentar a imersão e resultar em imagens 3D sem óculos com uma qualidade melhor. As telas curvas têm processadores mais rápidos e utilizam tecnologia OLED e por isso oferecem uma sensação de tridimensionalidade mais convincente, segundo o especialista.

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Se a tela curva parece não ter espaço em uma sala de estar normal, Yuzo Iano acredita que ela pode ser bem sucedida em aparelhos menores, como computadores e smartphones. Esses aparelhos são projetados para serem usados apenas por uma pessoa e a posição de observação da tela é relativamente fixa. Mais do que na geometria das televisões, o professor aposta no OLED como tecnologia revolucionária para a sala de estar. “O OLED permite alta taxa de contraste e resolução em qualquer tipo de monitor”. Mas, segundo ele, ainda é cedo para saber se as telas curvas vão ou não vão pegar.

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