Ex-presidente da TIM pode estar a caminho da Claro

Brasil Econômico

O mundo sem fronteiras dá voltas. Depois de um longo período de férias, andam dizendo por aí que o Luca Luciani, que foi presidente da TIM Brasil entre janeiro de 2009 e maio de 2012, está para voltar à ativa. Aqui no Brasil. E à frente de uma operadora de telefonia — mais precisamente, a Claro, sua velha concorrente de outros carnavais.

No comando da TIM Brasil, Luciani foi o responsável justamente pela arrancada da operadora rumo ao segundo lugar, jogando a Claro para terceiro. Isso foi em meados de 2010, quando ambas estavam virtualmente empatadas, com cerca de 25% de market share cada uma. No ano seguinte, já começaram a descolar, com a TIM assumindo, desde então, a vice-liderança no mercado brasileiro.

A TIM fechou o ano passado com 27,09% do bolo, enquanto a Claro ficava com 25,34%. A Vivo continua na frente, com 28,49%. No Brasil de 271 milhões de linhas de celulares ativas, cada ponto percentual merece uma briga de foice.

Pois é para isso que a Claro está seduzindo o Luca Luciani. Que, por sua vez, está estudando o terreno, fazendo as contas para pagar o leite das crianças e contatando velhos parceiros, para ver se ainda pode contar com eles. Não se mexe em time que andou ganhando, como se sabe.

Se a estratégia da Claro vai dar certo, só o tempo dirá. O mercado não mudou tanto. Continuamos sendo um país de clientes pré-pagos. E foi atuando diretamente sobre esse público que o Luca Luciani conseguiu fortalecer a TIM.

Ele e equipe só não fizeram mais por conta de um ruidoso processo envolvendo supostas fraudes contábeis na sua gestão da Telecom Italia. Os números eram penteados de forma a parecer que havia mais celulares em operação do que de fato havia. Eram computadas, na numeralha, também as linhas que já deveriam ter sido desativadas. Feio, muito feio, mas parece que aprendeu-se a lição. E o mercado brasileiro está mais ligado nessas manhas.

E como anda a Claro? Vai bem. Foi a operadora que mais cresceu em 2013. Fechou o ano com 25,71% do mercado pré-pago, acima dos 25,31% da Vivo e mirando os 28,90% da TIM. Tem espaço de sobra para crescer. A Claro, aliás, não comenta rumores do mercado. Aguardemos.

* Nelson Vasconcelos escreve no Brasil Econômico às terças-feiras.

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