Sistemas usados atualmente não acompanharam o avanço de processadores e outros componentes

NYT

SÃO FRANCISCO – O próximo smartphone revolucionário, ou talvez o seguinte, pode não ter uma bateria tradicional como sua única fonte de energia. Em vez disso, ele poderá puxar energia do ar ou carregar a si mesmo através de sinais televisivos, celulares ou Wi-Fi.

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Há alguns anos a Apple vêm tentando criar uma bateria solar para o iPhone
André Cardozo/iG
Há alguns anos a Apple vêm tentando criar uma bateria solar para o iPhone

Engenheiros da Apple inclusive tentaram, por muitos anos, criar uma bateria inteligente acrescentando recarga solar a iPhones e iPods, afirmou um ex-executivo da Apple. E eles continuaram experimentando com o carregamento solar, segundo duas pessoas que trabalham na empresa.

As baterias, antigas primas pobres dos chips de computador no Vale do Silício obcecado por pesquisas, hoje representam a ira.

Conforme as empresas passaram a fazer dispositivos "de vestir", como pulseiras de fitness, óculos e relógios inteligentes, as limitações da tecnologia de bateria se tornaram o maior obstáculo para o aumento de vendas e lucros. Os consumidores não deverão adotar um computador de pulso como o que está sendo desenvolvido pela Apple, ou os óculos inteligentes do Google, se eles funcionarem apenas algumas horas por carga e precisarem ser conectados para recarregar.

Então a corrida começou – para encontrar alternativas à bateria tradicional, e para descobrir maneiras de fazer as baterias durarem mais.

Os consumidores irão dizer: "Me dê uma bateria melhor, pois esta não dura o suficiente", afirmou Mujeeb Ijaz, diretor de tecnologia na A123 Systems, empresa que produz baterias para carros elétricos e investe em iniciantes que estão criando novas tecnologias de bateria.

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"Essa necessidade não existia há cinco anos. Agora é uma questão do mercado e dos desenvolvedores se unirem e perguntar, qual é a necessidade e quantos dólares devemos investir em pesquisa e desenvolvimento? ", continuou ele.

Bateria não acompanhou chips

Embora os chips de computador venham dobrando em velocidade de tempos em tempos, e as telas digitais estejam se tornando significativamente mais nítidas e claras, a tecnologia de baterias está praticamente estacionada no século 20. Os fabricantes de dispositivos têm contado com algumas melhorias ao poder das baterias, hoje geralmente fornecido por uma mistura de íon-lítio com décadas de idade, em combinação com chips e telas que gastam menos energia.

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O problema, em parte, é que fica difícil assegurar a segurança de muitas das novas tecnologias. Uma bateria com defeito poderia potencialmente se transformar em uma bomba em miniatura. Assim, antes de chegar às prateleiras, os produtos exigem testes exaustivos pelas agências reguladoras.

Mesmo se um novo sistema de energia for aprovado, isso muitas vezes requer a adoção por marcas respeitadas como Apple, Samsung ou Microsoft antes que os consumidores comecem a confiar.

Melhorias pequenas e constantes

Alguns no Vale do Silício, como Tony Fadell, ex-vice-presidente da Apple que comandou o desenvolvimento do iPod e do iPhone, acham melhor focar aprimorar as baterias e outros componentes através de pequenos passos, em vez de tentar reinventar a bateria em si.

"Para mim, esperar e apostar em uma nova tecnologia de baterias não faz sentido", declarou Fadell, atual CEO da Nest, que fabrica tecnologias domésticas e foi comprada pelo Google em janeiro. "Não espere que a tecnologia de baterias chegue lá, pois ela é incrivelmente lenta".

Ao longo dos últimos anos, a Apple contratou engenheiros com experiência em tecnologia de energia e design de baterias de empresas como Tesla, Toyota e A123 Systems. No ano passado, a Apple adquiriu a Passif Semiconductor, iniciante que desenvolveu chips de comunicação de baixo consumo de energia.

Relógio da Apple pode ter carregamento sem fio

Para seu relógio de pulso, a Apple vem testando um método de recarregar a bateria via wireless com indução magnética, segundo um profissional informado sobre o produto. Uma tecnologia similar já está sendo usada em alguns smartphones da Nokia – quando o celular é colocado sobre uma placa de carga, uma corrente elétrica cria um campo magnético, criando uma voltagem que recarrega o aparelho.

A Apple também testou novos métodos de recarga para um possível relógio de pulso, disseram pessoas envolvidas na iniciativa – embora tais experimentos estejam a anos de se tornar realidade. O relógio teria uma tela curvada de vidro, e uma das ideias é acrescentar uma camada de recarga solar a essa tela, que poderia fornecer energia ao dispositivo com a luz do dia.

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No outono, a Apple publicou uma oferta de emprego buscando engenheiros especializados em energia solar.

O Google também está analisando novas tecnologias de bateria, tentando encontrar maneiras de prolongar a vida de smartphones. "As pessoas não querem ter de encontrar um carregador às três da tarde todos os dias", disse Mark Randall, vice-presidente de abastecimento e operações da Motorola – empresa vendida pelo Google para a Lenovo há algumas semanas.

Samsung tem baterias curvas

A Samsung também vêm projetando novos tipos de baterias focando computadores de vestir. A empresa lançou baterias compactas curvas que podem ser instaladas dentro de pulseiras. E, no ano passado, introduziu a Dream Battery, que usa eletrólitos sólidos, em vez do líquido ou polímero utilizado nas baterias de íon-lítio, para eliminar o risco de explosão e outros problemas de segurança para eletrônicos flexíveis.

Universidades e iniciantes também estão fazendo esforços – alguns tão ambiciosos quanto os da Apple e, talvez, um pouco utópicos. Mesmo assim, os projetos vêm atraindo atenção e capital de risco.

Por exemplo, investidores proeminentes como o Founders Fund; a CEO do Yahoo, Marissa Mayer; e a firma Andreessen Horowitz estão apoiando a uBeam, iniciante em Mountain View, na Califórnia, que está trabalhando em um sistema onde os dispositivos puxarão energia do ar. A tecnologia envolve a piezoeletricidade – uma forma de carga criada através das vibrações de certos cristais e cerâmicas.

"Os avanços na tecnologia de baterias estão ficando muito atrás dos avanços da tecnologia móvel, e a taxa de consumo de energia vem aumentando conforme os consumidores exigem mais de seus dispositivos", explicou Meredith Perry, fundadora da uBeam.

"Quando a energia wireless estiver em todo lugar, a vida da bateria e as taxas de recarga deixarão de ser fatores críticos para dispositivos móveis – pois nossos aparelhos estarão sempre se recarregando", afirmou Perry.

Yi Cui, um professor de Stanford que fundou a iniciante Amprius, está desenvolvendo uma forma de substituir por silício os ânodos de carbono nas baterias de íon-lítio. O silício, disse ele, possui 10 vezes a capacidade de armazenamento do carbono, mas se expande e se quebra. Assim, Cui e sua equipe revestiram o silício com polímero, uma substância macia e elástica similar ao material usado em lentes de contato, que cura espontaneamente pequenas rachaduras durante a operação da bateria.

No Google, criar uma bateria melhor é tão importante que a missão envolve até a cúpula da empresa. Durante uma divulgação de lucros no ano passado, Larry Page, CEO do Google, declarou que a vida da bateria em dispositivos móveis, incluindo tablets e smartphones, era primordial para a reinvenção.

"Existe um potencial real para inventar experiências novas e melhores", afirmou ele.

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