Polêmico comercial da Friboi com Roberto Carlos mostra dificuldades de agências de publicidade em adaptar campanhas para a web

Brasil Econômico

A voz do povo está longe de ser um exemplo de inteligência e boa argumentação, principalmente quando ela se manifesta via internet. Mas a voz do povo, não vamos negar, tem cada vez mais poder de pressão. Por isso mesmo, é bom ficar de olho no que a sua empresa está jogando na rede. A vítima pode ser você...

Agora mesmo temos o caso do Roberto Carlos. O Rei sempre foi citado como exemplo de um bom vegetariano, entre outras esquisitices. No entanto, acaba de gravar um comercial para o frigorífico Friboi. Diz que voltou a comer carne. Resultado: milhares de internautas começaram a criticar a campanha publicitária, e o Friboi viu-se obrigado a desabilitar a área de comentários do seu vídeo no YouTube, para ver se evita mais confusão. No fim das contas, essa repercussão foi boa ou ruim para a imagem do frigorífico?

Por mais que as agências ainda estejam conhecendo a nova mídia chamada internet — que, vamos combinar, já nem é tão nova assim — o seu conteúdo ainda está muito baseado nas fórmulas da velha publicidade. Uma estrela, um argumento besta, uma produção caprichada, e eis aí os elementos para seduzir clientes. Toscamente, no caso.

Me parece que já não é bem assim que funciona. A campanha com o Rei pode dar certo ali na velha TV, nos canais abertos, que olham indiscriminadamente para milhões de pessoas, como se todas fossem iguais e ninguém tivesse voz. Mas o público web quer, sim, a tal nova narrativa, que alguns blacks bobos andaram pregando recentemente. E descobri-la dá um trabalho danado.

Nelson Vasconcelos escreve sobre tecnologia no Brasil Econômico às terças-feiras

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