Uma das líderes em impressão 3D, empresa americana amplia investimentos no País com aquisição da Robtec

“O que está ocorrendo conosco nestes últimos 12 ou 18 meses, nós não vimos acontecer nos 18 anos anteriores”, afirma Luiz Fernando Dompieri, diretor geral da Robtec, empresa com 20 anos de mercado que nesta semana foi anunciada como a mais nova aquisição da 3D Systems, líder mundial em impressão 3D.

Veja abaixo fotos de objetos e impressoras 3D expostas na Inside 3D Printing:

A frase de Dompieri ao iG  faz referência ao sucesso que a tecnologia de impressão tridimensional está fazendo no Brasil. Antes restrita às indústrias de grande porte, que trabalham com prototipagem, a impressora 3D cada vez mais ganha espaço em pequenos escritórios de design e até mesmo entre usuários comuns e interessados em novidades tecnológicas.

A 3D Systems, por meio da Robtec, chegou no Brasil no início de 2013, com a sua impressora pessoal chamada Cube. Desde o meio do ano passado, a Cube está à venda na rede de lojas Saraiva. Mesmo com o consumidor final representando apenas uma pequena parte mercado de impressão 3D, as cerca de cem máquinas Cube vendidas por mês pela Robtec mostram que há procura no País.

A Cube não é a única impressora 3D no Brasil, a MakerBot possui representantes e startups brasileiras que criaram suas próprias máquinas também atuam neste mercado. Diante deste cenário, Dompieri espera um crescimento na ordem dos 40% a 50% para os próximos dois anos.

A recente aquisição pela 3D Systems trará para o Brasil, ainda este ano, uma série de novos produtos, inclusive uma impressora 3D pessoal por menos de R$ 4 mil, segundo Dompieri. Um dos destaques do segundo semestre, no entanto, deve ser a ChefJet, máquina que imprime com açúcar, apresentada recentemente na CES 2014.

Na CES 2014, a 3D Systems anunciou para o segundo semestre deste ano a ChefJet, uma impressora que faz objetos 3D de açúcar e chocolate, entre outros
Divulgação
Na CES 2014, a 3D Systems anunciou para o segundo semestre deste ano a ChefJet, uma impressora que faz objetos 3D de açúcar e chocolate, entre outros

A ChefJet faz criações com até 20 x 20 x 15 centímetros e seu software traz uma variedade de receitas que incluem chocolate, baunilha, menta, maçã, cereja e até melancia. Nos Estados Unidos, ela foi anunciada por US$ 5 mil, cerca de R$ 11.000, mas não tem preço fechado para o Brasil ainda.

O valor da impressão 3D

Para Michele Marchesan, Chief Opportunity Officer da 3D Systems, a adoção da tecnologia 3D não é mais uma questão de custo, mas sim implementação. Segundo o executivo, a parte mais importante é que as pessoas saibam o que é possível fazer com uma impressora tridimensional e reconheçam o valor do equipamento.

Tanto Marchesan quanto Dompieri, da Robtec, acreditam que as pessoas já começam a perceber o valor de uma impressora 3D e logo estarão dispostas a investir nos modelos que mais se adequarem às suas necessidades. Os executivos traçam um paralelo com o mercado de smartphones, no qual há consumidores que se contentam com modelos mais simples e outros que buscam mais recursos e funções em aparelhos mais caros, como um iPhone.

“Hoje você encontra impressoras mais baratas, e elas vão baratear cada vez mais. Mas haverá também o produto top de linha, que é um pouco mais caro, mas que dá mais benefícios. Na linha Cube, temos a Cube X, que permite imprimir em três cores simultâneas e tem área de impressão maior e mais resolução", explica Dompieri.

Dompieri afirma que as taxas de importação afetam bastante o preço final do produto no Brasil. No entanto, ele acredita que, com aumento da demanda, os custos tendem a cair. O executivo descarta, no entanto, a produção das impressoras no Brasil, pelo menos nessa fase inicial. 

Cube permite imprimir em 3D pequenos objetos e está à venda no Brasil
Divulgação
Cube permite imprimir em 3D pequenos objetos e está à venda no Brasil

Crianças são consumidor final de amanhã

Um dos mercados que mais têm crescido entre aqueles que adotam impressoras 3D é o de escolas e universidades. Assim como a Cliever e a Metamáquina, startups brasileiras que possuem suas próprias máquinas, a 3D Systems também tem fortes vendas neste mercado, no Brasil e em outros países.

“As crianças de hoje em dia já têm uma mentalidade voltada para a tecnologia. E essas crianças vão ter contato com a impressão 3D ainda na escola, ou em casa, porque os pais vão começar a adquirir. São essas crianças e jovens que vão ditar esse mercado”, acredita o diretor geral da Robtec.

Marchesan, da 3D Systems, afirma que as crianças de hoje serão jovens e adultos com um pensamento tridimensional. “A questão hoje não é mais como se pode fabricar algo, mas como se desenha esse algo. Tudo pode ser feito”, disse ele em sua conferência no evento Inside 3D Printing, realizado em São Paulo na semana passada.

Ao iG , Marchesan disse que a 3D Systems está investindo para tornar a impressão 3D fácil, e isso inclui o software em que os modelos 3D são criados. "Eles devem ser tão acessíveis quanto Windows ou a internet", afirmou o executivo.

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