Tim Berners-Lee participou da abertura da NET Mundial, conferência global sobre governança da internet

Nesta quarta-feira (23), a presidente Dilma Rousseff deu início ao NET Mundial, conferência considerada o pontapé para o desenvolvimento de um sistema de governança internacional da internet. O encontro, realizado no Brasil por um esforço da própria presidente segundo afirma a BBC Brasil , acontece no dia seguinte à aprovação do Marco Civil. Tim Berners-Lee, considerado o pai da web, presente na abertura do evento, pediu mais uma vez a criação de uma Carta Magna da internet para que ela continue livre, aberta e universal. Segundo ele, essa é a única forma de garantir que a internet "possa viver em paz".

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Criador da web, Berners-Lee afirmou que é preciso manter a neutralidade rede, livre de discriminação política ou econômica, sempre respeitando o direito a privacidade. O cientista elogiou os esforços brasileiros para aprovar o Marco Civil e disse que o documento serve de exemplo para documentos futuros. No entanto, ressaltou que a internet não tem fronteiras e que cresce além das nações.

A presidente Dilma Rousseff, que assinou o decreto do Marco Civil, a princípio de forma simbólica, antes de sua fala, disse que a aprovação do documento, uma espécie de constituição da internet, mostra a viabilidade de promover discussões abertas e multissetoriais sobre o assunto, usando a própria internet para debater o tema. A chefe de estado também elogiou o governo dos Estados Unidos por aceitar deixar o comando do ICANN (Organização da Internet para Atribuição de Nomes e Números na tradução livre para o português). Berners-Lee também parabenizou os norte-americanos pela decisão, apesar de, segundo ele, terem demorado um pouco.

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Os Estados Unidos devem abdicar da coordenação em maio de 2015, mas exigem que ela passe a ser controlada por um corpo multissetorial. De acordo com o texto base, que deve ser discutido no evento e que foi feito em colaboração por representantes das partes interessadas, a ideia é que a nova gestão seja conduzida com um espírito de participação igualitária. Berners-Lee defendeu que o ICANN utilize os fundos arrecadados com os dominíos para dar acesso à internet aos 60% da população mundial que ainda não está conectada.

Além de acesso, o cientista pediu mais acessibilidade para a web, citando as pessoas com deficiência, e também padronização e internacionalização da tecnologia. "O ICANN deve servir a toda a internet do mundo, ser um órgão público e global, fazer o que é melhor para a humanidade", disse em evento em São Paulo.

Também participaram da abertura do NET Mundial o ministro das Comunicações Paulo Bernardo, Wu Homgbo, representante do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Nnenna Nwakanma, uma das fundadoras da Fundação de Software Livre e Código Aberto da África, Vint Cerf, representante do setor privado e vice-presidente e Chief Internet-Evangelist do Google. O evento, que acontece até quinta-feira (24) no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, deve reunir quase mil participantes de mais de 85 países entre representantes de governos, universidades, setor privado e sociedade civil.

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