Integrados a redes sociais, sites de aluguel de apartamentos e carros ganham popularidade

Brasil Econômico

Um amigo aqui da casa acaba de ter sua primeira experiência com o Airbnb.com, site que oferece hospedagem em 30 mil cidades de 192 países. Ele viabiliza a negociação direta entre o ‘turista’ e o dono do quarto, do apartamento, do barco — qualquer lugar onde você queria se hospedar, contanto que não seja um hotel.

O nosso camarada alugou um apartamento de dois quartos em Madrid durante uma semana. Pagou 770 euros. No hotel ao lado, numa área bem interessante da cidade, a conta subiria para 1.350 euros. Ele e a família chegaram lá na hora combinada, havia um sujeito para entregar-lhe as chaves, o apartamento estava limpíssimo, igual ao que fora prometido no site. E deu tudo certo.

No fundo, esse movimento reaviva os velhos tratos entre cavalheiros, com a palavra valendo no fio do bigode. Hoje, através do Uber, você pode alugar seu carro, que fica parado na garagem boa parte do tempo, para algum turista que não goste de usar a Hertz. No Estado do Colorado, nos EUA, o sujeito pode alugar seu apartamento somente para usuários de maconha (via AirTHC). E por aí vai. Foi o que fez o nosso personagem: ele pesquisou sem pressa, confiou no que leu, pagou (via web, claro) e ficou feliz da vida. Sem nunca ter visto seu senhorio.

A revista ‘Wired’ que chega às bancas esta semana trata justamente desse tipo de ‘economia da confiança’, que surgiu com o eBay, lá nos longínquos anos 90, e anda ganhando muita força nos últimos anos, à medida que cresce nossa intimidade com os negócios via web, reforçada pelas redes sociais. Por mais que possa haver fraude (porque a Humanidade é assim mesmo), o fato de seu contratante ter um perfil no Facebook, por exemplo, já é uma referência.

E os comentários de outros clientes também servem para que você avalie se o locador é correto na hora de prestar os serviços prometidos. Segundo o Airbnb, de seis milhões de hóspedes em 2013, somente 700 ‘hosts’ reclamaram de algum tipo de ‘mau comportamento’ dos seus clientes. E eles são indenizados, se for o caso.

A diferença de preço é gritante em todos os casos. É o peso dos impostos. Não por acaso, as grandes associações hoteleiras americanas já começaram a chiar há algum tempo, exigindo que Airbnb e afins recolham algum tipo de tributo. As queixas começam a dar certo.

A Airbnb é obrigada a cobrar esses extras dos clientes de San Francisco, sua cidade-natal. Mas é uma caminhada sem volta. Afinal, se você tem alguns apartamentos largados pela cidade, por que o Estado tem que intervir caso você queira alugá-los para quem está procurando? Problema seu.

Como aconteceu no mundo da música no fim dos anos 90, quando a tecnologia peer-to-peer revolucionou a indústria fonográfica, o compartilhamento de imóveis — ou carros — deixará de ter a intermediação do Estado, e passará a ser um problema entre duas partes.

E quem se dá bem com isso é o site, que fica com sua comissão, claro, porque ninguém é de ferro. Em 2013, somente a Airbnb faturou nada menos que US$ 250 milhões, não só com a taxa de administração, mas também com publicidade. E o céu é o limite.

* Nelson Vasconcelos escreve sobre tecnologia às terças-feiras no Brasil Econômico

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