Máquina da empresa irlandesa MCor é voltada para setores industrial, comercial e educacional

Em meio a tantos objetos de plástico, um estande se destacava na Inside 3D Printing, evento realizado em meados de abril em São Paulo. Trazia objetos tão realistas que até pareciam de verdade. O estande era da BSCA Impressão 3D, representante da Mcor Technologies no Brasil. A empresa mostrava a impressora 3D MCor IRIS full color.

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Como qualquer impressora 3D, a máquina é destinada à produção de protótipos, maquetes, modelos e moldes em 3D, e serve aos setores industrial, comercial e educacional. A diferença fica mesmo por conta da matéria-prima usada na confecção dos objetos: folhas de papel A4.

A técnica de impressão das máquinas também é bastante distinta. O processo conhecido por Selective Deposition Lamination (SDL) foi desenvolvido pelos donos da MCor Technologies, Conor MacCormack e Fintan MacCormack, ambos irlandeses.

O termo Selective, ou seletivo em português, diz respeito à capacidade da impressora de identificar a parte da folha que formará o objeto, e que por isso precisa de mais cola, e a parte que serve apenas de suporte para o objeto e que será descartada.

O Deposition, ou deposição, faz referência ao processo de corte da peça, que acontece antes da máquina depositar a cola. Já o Lamination, ou laminação, descreve o processo de construção do objeto a partir de camadas sucessivas de papel que são grudadas para formar o produto final.

Eduardo Bueno, da BSCA Impressão 3D, responsável por trazer a impressora para o Brasil, dá detalhes de como funciona esse diferente processo. Segundo ele, para imprimir um objeto 3D na máquina é necessário antes de tudo imprimir cada camada dele em uma impressora a laser comum, mas como uma tinta proprietária que, ao contrário das comuns, atravessa o papel e garante que peça final será totalmente colorida. Cada folha corresponde a uma camada, ou lâmina, desse objeto e, por isso, cada folha impressa é diferente, pois traz uma parte diferente do que vai ser transformado em objeto.

“As folhas são numeradas pelo software da máquina porque é necessário respeitar a ordem delas na hora de confeccionar o objeto. A fase seguinte é a que acontece dentro da impressora 3D. A máquina puxa uma folha por vez, recorta o desenho impresso com uma faca, aplica cola e levanta as folhas para comprimi-las com uma pressão equivalente a uma tonelada”. Esse processo é repetido centenas de vezes, dependendo do número de folhas necessárias para a confecção do objeto.

No Inside 3D Printing, apenas a MCor IRIS estava em exposição e por enquanto só ela está disponível. O valor aproximado é de R$ 200 mil. Segundo Bueno, outra unidade da máquina além da que estava em exposição está negociada com uma instituição de ensino, mas ainda não foi instalada.

Impressora 3D da MCor Technologies, Mcor IRIS, chega ao Brasil por cerca de R$ 200 mil
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Impressora 3D da MCor Technologies, Mcor IRIS, chega ao Brasil por cerca de R$ 200 mil

O empresário acredita que empresas que fazem réplicas de comida para restaurantes podem ser interessar pela sua impressora 3D, mas o equipamento tem outras possibilidades de uso. O próprio Bueno fez uma experiência de imprimir uma foto na MCor IRIS. A imagem ganhou profundidade e contornos de pintura.

Bueno afirma que, apesar dos restos de papel deixados após a impressão dos objetos, sua impressora 3D é uma das mais amigáveis quando o assunto é meio ambiente. “Em termos de economia e ecologia não existe nada mais ecológico, se você considerar o papel ecológico, é claro, mas se comparar com pó, plástico, é o mais ecológico que tem. A própria peça branca pode ser reciclada inteira”, explica. Bueno explica ainda que cola usada tem alto percentual de água. O objeto colorido, no entanto, não pode ser reciclado porque a tinta contém solvente.

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