Novo celular traz boa parte dos atrativos que fizeram do Moto G um sucesso de vendas

Quem achava que o Moto G seria a maior sacada da Motorola atualmente se enganou. Mesmo com o recente anúncio da compra pela Lenovo, a empresa americana ainda tinha algumas cartas na manga e projetos a serem lançados.

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Eis então que chegou o Moto E, mais barato do que o Moto G, o produto mais vendido da história da Motorola, com apenas cinco meses de vida. O E é mais simples, mas não é menor e nem menos caprichado. Traz capinhas coloridas e no Brasil há uma versão exclusiva com TV digital. Vamos conferir.

A favor:

• Ótimo custo benefício;
• Traz capinhas coloridas e TV digital;
• Sistema atualizado e com updates futuros garantidos.

Contra:
• Sem câmera frontal;
• Processamento pode tropeçar em alguns casos;
• Pouco armazenamento interno.

Design

A Motorola parece ter percebido que acertou em seu design simples e ergonômico, e trouxe a cara dos Motos X e G também para o E. Ele é bem bonitinho e não perde em nada da qualidade para seus irmãos mais velhos.

Preto, tem o mesmo formato em barra com cantos arredondados de 99% dos aparelhos do mercado, mas sua traseira é côncava e bem arredondada, o que lhe dá uma boa pegada, segura e confortável. Ele também não é muito menor do que os outros modelos da linha, sendo menos de um centímetro menor do que o Moto X.

O Moto E é, entretanto, mais grosso do que os outros aparelhos, e isso faz dele um pouco maior no geral, e sabemos que se trata de um aparelho mais barato. A moldura mais grossa ao redor da tela diz o mesmo. Ele pesa o mesmo que o Moto G, 143 gramas.

Moto E não tem câmera frontal
Stella Dauer
Moto E não tem câmera frontal

Na frente ficam as principais diferenças. Não temos câmera frontal e, além da tela, há um LED branco de notificação, sensores e duas saídas de som, uma menor acima da tela e uma maior, abaixo (onde provavelmente fica também um microfone), deixando-o estéreo.

No lado direito, assim como os outros da linha, temos o botão de energia e os de volume. Acima, a conexão de áudio no centro, com um microfone ao lado. Abaixo, apenas a conexão micro USB.

A traseira acomoda a câmera e o logotipo afundado da Motorola, e só. Nada de saídas de som, informações do aparelho ou flash. É possível retirar a capa traseira e substituí-la por outra. Abaixo da capa ficam as entradas para chips SIM e cartão microSD, mas a bateria não é removível.

No geral, o Moto E não perde muito para os outros, possuindo o mesmo corpo em plástico com a frente em vidro (plástico brilhante preto nas bordas, fosco nas capinhas). É bonito, e com as capinhas coloridas que acompanham a caixa (e outras que podem ser adquiridas) ele fica diferente e personalizado. O modelo que testei é preto, mas está para ser lançado outro modelo, na cor branca.

Tela

O display do Moto E é inferior ao dos seus irmãos, como era esperado, mas não decepcionou, sendo um dos melhores de sua categoria. Com definição qHD de 540 x 960 pixels, a tela não possui nada de especial, mas mostrou qualidade.

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Sua densidade de 256 ppi pode parecer pouco, mas em suas 4,3 polegadas (o Moto G possui 4.5”) não fica ruim, e a definição é boa. Só atrapalha um pouco o baixo ângulo de visibilidade, que é menor em relação aos concorrentes, mas que existe e pode ser bem notado. Com pouco mais de 45 graus de inclinação, já notamos perda de cor.

As cores e intensidade da imagem no Moto E são boas, embora o brilho seja bem inferior ao do Moto X, por exemplo. Sob o sol a qualidade é um pouco prejudicada, mesmo em brilho máximo, mas em ambientes internos não terá qualquer problema.

O toque é rápido e bem preciso. Escrever é confortável, e quem digita rápido não presenciará engasgos. O vidro conta com proteção Gorilla Glass 3 e camada anti-manchas (realmente, suja pouco), e o corpo e o display repelem respingos d’água.

Hardware e processamento

O conjunto desse smart não é o suficiente para que ele seja um top de linha, mas o posiciona bem entre os intermediários. Com chipset Qualcomm Snapdragon 200 MSM8610, CPU dual-core Cortex-A7 de 1.2GHz, GPU Adreno 302 e 1GB de RAM, ele é bem razoável.

Em testes com os principais benchmarks, ele mostrou números relativamente baixos, como os 12.405 pontos no Antutu X (abaixo do Galaxy S3, ante 17.284 pontos do Moto G), 584 pontos no Geekbench 3 (contra 1.157 pontos do G) e 5.153 pontos no Quadrant (acima do HTC One X).

Moto E roda bem aplicativos básicos
Stella Dauer
Moto E roda bem aplicativos básicos

No Vellamo, que mede a velocidade da internet no HTML5, ele pontuou 1.171 (versus 1.955 do G), mas esse número baixo, de acordo com o app, é porque a engine de web do sistema 4.4 não está otimizada para os testes.

Para jogos, ele rodou todos os benchmarks, o que é bom. No Epic Citadel foram 47.4 fps em alta performance, 48.1 fps em alta qualidade e 33.5 fps em ultra alta qualidade, que não são resultados ótimos, mas impressionantes para um aparelho de sua categoria. No 3DMark obtive 3.743 pontos no Unlimited, 2236 no Extreme e 3.737 no Ice Storm, a metade do Moto G, exceto no último, em que foi maior.

No uso prático do dia-a-dia, o Moto E se saiu muito bem. O sistema roda rápido, sem tropeços, escrever é fácil e os apps funcionam bem. Só notei alguma diferença ao utilizar jogos que possuem muitos gráficos e que precisam de velocidade.

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Testei o aparehlo com os jogos Sonic Dash e Asphalt 8 e, embora tenha jogado normalmente, percebi uma diferença dele para o Moto X. Os tropeços, em raras vezes, podem atrapalhar o jogo, mas no geral não há empecilhos para a diversão.

Nas conexões, ele é completo. Não há NFC ou DLNA, mas temos Wi-Fi 802.11 b/g/n, WiFi hotspot, GPS com A-GPS e GLONASS (e até BeiDou, os satélites da China), Bluetooth 4.0 com LE, 3G e USB. Não, ele não é 4G, mas é dual chip e aceita micro SIM. 

Sistema operacional e usabilidade

Para a alegria de todos, o Moto E traz a versão mais atualizada do Android, a KitKat 4.4.2, algo que parece ser uma tendência atual (modelos de entrada da LG também trazem o 4.4). E a Motorola já prometeu ao menos um update para ele. 

Ainda sob as asas da Google, esse aparelho tem poucas interferências na interface, trazendo um Android quase puro. Ele obviamente não traz as features especiais de voz e gesto do Moto X, mas acaba sendo igual ao Moto G no quesito sistema.

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Com poucos apps já de fábrica, você fica livre para instalar apps que possam suprir alguma necessidade (se houver espaço, claro). Na tela de bloqueio é possível colocar widgets de mensagens, horas e outros.

Na tela de bloqueio, basta arrastar o dedo para o lado esquerdo para ativar a câmera, sem precisar destravar o aparelho e acessar o app. A barra de notificações, se puxada com dois dedos, mostra atalhos para os ajustes mais usados, como brilho de tela, modo avião, WiFi e outros. Há nas configurações uma área especial para gerenciar os dois chips SIM. 

A Motorola evidenciou no lançamento alguns cuidados que teve com o sistema dos chips. Conforme você vai usando o E para fazer ligações, ele aprende quais contatos você utiliza com quais chips, e passa a fazer isso automaticamente.

E, especialmente no Brasil, ele identifica a operadora do número para qual você está ligando e usa o chip correto para economizar dinheiro. Uma boa sacada, que vai alegrar os que aproveitam promoções.

Aplicativos

Temos apenas uma ou outra coisa da Motorola, fora o kit básico da Google e do Android. Isso faz com que encontremos apenas 36 apps na memória, o que é ótimo, uma vez que há pouco espaço interno.

O dedo da Motorola só aparece em cinco apps, como o BR Apps (pequena loja de apps brasileiros, para que o aparelho entre na Lei do Bem) e o Moto Care, que oferece ajuda e dicas para melhorar o uso.

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O Motorola Assist analisa sua agenda e pode deixar o telefone silencioso, inclusive respondendo ligações com mensagens, quando você estiver ocupado. Você também configura seu horário de dormir, e o telefone só toca se for alguém importante, ou que tente ligar mais de uma vez em pouco tempo.

O Migração Motorola transfere dados do seu smart antigo para o Moto G, como histórico de chamadas, SMS, vídeos, fotos, músicas e contatos do chip SIM. Funcionou sem problemas com um LG Nexus 4 (e funciona também com iOS), basta baixar o app gratuito na Play Store.

Já o Alerta é o app novidade para o Moto E, e segue o caminho de aplicativos parecidos que já encontramos em alguns aparelhos da Samsung. Nele, você escolhe seus contatos mais importantes e, se estiver em perigo, pode enviar sua localização a cada cinco minutos via SMS para os contatos.

O Alerta também pode ligar automaticamente para um número escolhido por você, inclusive a polícia. Também avisa seus contatos caso você chegue ou saia de um local especificado. Infelizmente, não está disponível para outros aparelhos da marca.

Câmera

A câmera, além de contar com sensor de 5 megapixels, acompanha geolocalização, captura e foco por toque, HDR automático, panorama, modo de sequência (mantenha o dedo sobre a tela, e ele vai tirar fotos até encher a memória). Ela não possui, infelizmente, foto automático, flash, macro e estabilização de imagem.

Moto E tem câmera de 5 megapixels
Stella Dauer
Moto E tem câmera de 5 megapixels

O foco por toque não foi dos melhores, e ele se recusou a focar objetos mais próximos, para fazer um macro. Seu zoom digital de 4x não é recomendado, pois perde muita informação, assim como ocorre em qualquer aparelho.

As fotos em boa luz, e até mesmo em ambientes internos apenas iluminados pelo sol, foram boas, mas ficam parecendo ligeiramente uma pintura, com pouca acuidade. Isso evita granulado e pixelação, entretanto. Em ambientes mais escuros o Moto E também não fez feio e, embora com ruídos, manteve as cores e mostrou bons detalhes. Para paisagens, o resultado foi bom.

Extremamente simples, a interface da câmera é boa para quem quer tirar fotos rápidas. Caso queira algo mais elaborado, basta baixar um app para isso. Arrastando o dedo de fora para dentro à esquerda encontramos uma roda com os ajustes de HDR e a função de ajustes de exposição por toque.

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Também temos a escolha do armazenamento, panorama, geolocalização, fotos em tela ampla e som do obturador. Fazendo o mesmo movimento, mas a partir da direita, você acessa a galeria de fotos e vídeos. No centro fica o círculo que você, com o dedo, usa para ajustar foco e outros itens, além de poder tirar fotos tocando em qualquer lugar da tela.

Ele faz vídeos com qualidade FWVGA de 854 x 480 a 30 fps, uma qualidade pouco razoável, servindo apenas para registros corriqueiros. Capta bem o som, graças aos dois microfones que possui. Para desespero de quem curte uma selfie, o Moto E não possui câmera frontal.

Música e mídia

Mesmo sendo um aparelho mais barato, a Motorola não quis descuidar da mídia. Assim, um diferencial interessante é a presença de duas saídas de som na frente do aparelho, ao invés de uma atrás e outra na frente. Isso faz com que o aparelho seja estéreo, melhorando a experiência de vídeos e da TV digital.

É um som ligeiramente estourado, mas bem alto, com um estéreo e uma amplitude boas para o seu tamanho. Com os fones convencionais que vêm na caixa (e que servem de antena para o rádio FM), o som também ficou muito bom, apenas um pouco pendente para os agudos (o que pode ser resolvido com equalizador).

O player de música é o mesmo da Google, mas com diferenciais como o Ouça agora, que escolhe músicas de acordo com o que você têm escutado ultimamente. Nos vídeos ele não teve forças para reproduzir Full HD, tropeçando bastante, mas no HD foi uma beleza. É uma boa tela para filmes, e o áudio estéreo ajuda nisso.

Uma função bem popular, que promete agradar muita gente, é a presença da TV digital no Moto E. Ela até funciona sem antena, mas essa se faz totalmente necessária em ambientes internos. A antena é flexível e precisa ser acoplada à conexão de áudio. Ela já vem na caixa, e possui conexão para áudio também, permitindo que os fones sejam usados junto com ela.

Há a possibilidade de agendar programas para serem exibidos ou gravados no horário escolhido, pedir para a TV desligar depois de um tempo (modo dormir), entre outros.

Bateria e armazenamento

A bateria de 1980 mAh é quase a mesma coisa que os 2070 mAh do Moto G, e por isso tive bons números de bateria aqui. Em bom uso durante o dia, com WiFi/3G sempre ligados, verificação de emails, navegação, redes sociais, ligações e ao menos três horas de jogo espalhadas pelas hora, obtive 26 horas de duração.

Em menor uso, como em stand by, essa marca sobe para mais de 40 horas. Em uso intenso, para ver filmes ou escutar música por streaming, por exemplo, foram nove horas, ainda um bom número. Assim, ele é uma boa opção para quem passa o dia fora de casa, sem acesso a uma tomada, e quer se divertir um pouco.

O armazenamento interno é onde o Moto E peca feio. A Motorola só colocou 4GB de espaço de memória, dos quais somente 2.2GB estão disponíveis para uso normal. Isso é bem pouco para o usuário, e o mínimo recomendado hoje é um espaço bruto de 8GB. Entretanto, se assim fosse, ele ficaria muito parecido com o Moto G.

Para ajudar um pouco, há slot para cartão de memória microSD, coisa que o Moto G só ganhou agora, com o lançamento da versão 4G, que é mais cara. Dessa forma, se o seu foco é mídia, pode adquirir um cartão de até 32GB para inserir músicas, filmes, fotos e outros.

Porém, também é possível mover uma parte dos aplicativos e jogos para o cartão de memória, o que ajuda bastante, embora possa prejudicar um pouco no desempenho. Na verdade, o Moto E automaticamente passa uma parte dos apps pesados para o microSD, sem você precisar fazer isso.

O que vem na caixa

A caixa do Moto E ajuda na definição de um bom custo benefício. Além do conteúdo normal, traz também duas shells (nome da Motorola para as capinhas traseiras), sendo nesse modelo uma verde turquesa e uma amarelo limão. Outro modelo a ser lançado em breve será branco, com capinhas verde e rosa.

Então, além das shells, temos também o aparelho, cabo USB, carregador de viagem, guia rápido e de segurança e fones de ouvido convencionais - brancos, com microfone e botão para chamadas.

Moto E ou Moto G?

Se a sua dúvida na hora da compra é qual dos modelos econômicos da Motorola escolher, a resposta está nas suas preferências. O Moto E, nas configurações, aparenta ser metade do que é o Moto G, mas isso não é verdade.

Moto G é mais poderoso do que o Moto E, mas não tem TV digital
Stella Dauer
Moto G é mais poderoso do que o Moto E, mas não tem TV digital

Com pouco mais de R$600 você pode comprar um Moto G de 8GB dual SIM. No exterior, o preço do Moto E é bem menor, e compensa a diferença. Nos Estados Unidos, por exemplo, seu preço é de US$129, aproximadamente R$290. Rumores diziam que o E poderia chegar aqui por R$430.

São preços bem próximos, e a escolha vai se firmar no fato de você precisar ou não da TV digital, se você apreciaria ter duas capinhas extras, slot para cartão SD e outros itens. O Android do Moto E está mais atualizado, mas não por muito tempo.

A solução parece pender para o Moto G, mas se você esperar mais um pouco, poderá comprar uma versão mais barata do Moto E, com apenas um chip SIM, que deve beirar os R$500 dias após seu lançamento. Se o fator decisivo por o preço, essa pode ser sua resposta.

Para quem é

O E foi criado para ser um produto extremamente popular, e a Motorola parece ter ouvido praticamente todos os desejos dos consumidores, como resistência a pingos d’água, TV digital, capas coloridas, tela grande e boa, tudo a um preço bem razoável para o nosso País.

Quem procura um bom custo benefício mas não quer sacrificar demais a qualidade, vai gostar do Moto E. É ideal como primeiro aparelho, ou para pessoas que ainda estão conhecendo a tecnologia de um smartphone, e não precisam de nada incrível.

O Moto E surpreende por trazer tantas qualidades a um preço tão baixo, e só tropeça mesmo, mesmo, no armazenamento interno, que prejudica bastante a instalação de apps variados. Ainda assim, se essa não é uma preocupação sua, pode ir sem medo, pois não vai se decepcionar.

Ficha técnica

Motorola Moto E XT1025

Preço: R$600
Configuração: tela de 4.3 polegadas com resolução de tela: 540 x 960 pixels, sistema Android 4.4.2 Jelly Bean, processador Qualcomm Snapdragon 200 MSM8610 dual-core Cortex-A7 de 1.2GHz, 1GB de RAM, 3G, 4 GB interno de armazenamento (+ slot para cartão microSD), câmera de 5 megapixels, Wi-Fi 802.11 b/g/n, WiFi hotspot, GPS com A-GPS e GLONASS, Bluetooth 4.0.
Dimensões: 12.5 x 6.5 x 1.2 cm
Peso: 143 g
Autonomia de bateria: Até 40 horas em stand-by / Até 26 horas em conversação e internet
Itens inclusos: aparelho, guia rápido e de segurança, carregador de viagem, fones de ouvido, capinhas coloridas verde e amarela e cabo USB.

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