Empresa acompanha discussões para redução de imposto sobre o Kindle

Brasil Econômico

O conceito-chave da Amazon.com.br é agnosticismo — e, a rigor, nem deve ser muito diferente na nave-mãe. Certo é que não existe um credo único: tudo vale a pena, se o mercado não é pequeno. Afinal, a cauda longa existe, ou seja, há clientes para todos os gostos e a qualquer hora, e o negócio é servi-los melhor para servi-los sempre.

Isso ajuda a explicar como, em ano e meio de operação no Brasil, o site acabou jogando para escanteio os concorrentes — que, a bem da verdade, nunca souberam aproveitar o potencial da ainda incipiente indústria de livros eletrônicos no país. Em dezembro de 2012, os e-books respondiam por apenas 0,5% do total do mercado editorial. Pelas previsões, essa parcela deve ficar em algo entre 3,5% e 4% até o fim do ano.

Poderia ser melhor, porque a verdade é que os e-readers são caros — sobretudo para estudantes, que seriam os maiores beneficiados se fossem aparelhos de baixo custo.

Gerente-geral da Amazon no Brasil, Alex Szapiro lembra que a empresa está acompanhando bem de perto a briga por corte de impostos na venda dos e-readers. A cada Kindle ou similar que você compra, acredite, são uns 70% de farra tributária: ICMS (18%), Pis-Cofins (9,65%), IPI (15%) e por aí segue, na velha cascata. Existe projeto de lei tramitando em Brasília, tomando o rumo do Congresso. Mas, como bem sabemos, os meandros políticos são complicados, quando se trata de grana.

Dava, portanto, para baratear. Se considerarmos que os e-readers são nada mais que livros duráveis (com conteúdo variável), o trabalho agora é pressionar os legisladores, para que essas maquininhas paguem tanto imposto quanto os velhos livros em papel: zero. Faz sentido.

“É um equívoco pensar que nós queremos ganhar somente com a venda dos Kindles. Queremos vender o conteúdo, não exatamente os e-readers”, diz Szapiro. É a venda pingadinha de livros digitalizados, afinal, que faz a grana da unidade de negócios Kindle, digamos assim.

Aliás, a Apple bem que poderia adotar essa filosofia. Essa tal de obsolescência programada já encheu. O primeiro Kindle foi lançado há sete anos, e até hoje funciona, contando até com atualizações periódicas de software. Mas tente usar um dos iPhones ou iPods... Não vai dar pé. Essa é uma boa diferença. É um jogo bem mais honesto.

E quando a Amazon.com.br vai vender os velhos e bons livros ‘de papel’ aqui no Brasil? Oficialmente, nada a declarar. “A gente não fala sobre planos”, diz o executivo. “E não temos pressa.”

Mas a verdade é que tem gente com medo de que a Amazon entre pra valer no mercado livreiro brasileiro. Afinal, como se sabe, trata-se de uma gigante que tem muito poder de fogo. E, como aconteceu em outras praias, a começar pelos EUA, as livrarias virtuais podem matar (ou enfraquecer) um número incalculável de livrarias tradicionais. 

A veterana Barnes & Noble que o diga. “Não é bem assim”, rebate o Szapiro. “Somos uma empresa de inovação. Se entregamos o que o consumidor quer, então ele tem o direito de escolher”. Dá para entender. Sobretudo quando bons preços e serviços eficientes estão em jogo.

* Nelson Vasconcelos escreve sobre tecnologia às terças-feiras no Brasil Econômico

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