Empresa tem 1.400 funcionários em instalações localizadas no Vale do Silício

Na indústria de tecnologia, o termo disruptivo é usado para classificar serviços ou empresas que mudam completamente um determinado mercado. Em muitos casos, a palavra é usada de modo marqueteiro, apenas para tentar bombar um aplicativo ou serviço qualquer.

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Esse certamente não é o caso do Netflix. A empresa começou como um serviço de aluguel de DVDs pelo correio (ainda existente nos EUA), mas rapidamente se transformou no maior serviço de vídeo sob demanda do mundo, com mais de 40 milhões de assinantes em todo o mundo.

O iG visitou a sede da empresa, em Los Gatos, no Vale do Silício. Ela é composta de cinco prédios de quatro andares. Nesses prédios trabalham cerca de 1.400 funcionários e a empresa já planeja uma expansão: dois novos prédios estão sendo construídos no terreno ao lado. 

A visita foi realizada em uma sexta-feira e as instalações estavam vazias. "Muita gente mora em San Francisco e prefere trabalhar de casa às sextas. Aqui não há obrigação de vir sempre ao trabalho. Se você faz o que tem que fazer, tem liberdade para ficar em casa de vez em quando", diz a funcionária responsável pela visita.

Durante a visita, o iG teve a oportunidade de conversar com Greg Peters, chefe da área de parcerias do Netflix, e Todd Yellin, diretor da área de inovação da empresa. Os executivos falaram sobre os planos da empresa na área de 4K e as recentes polêmicas com operadoras americanas, entre outros assuntos. Veja a seguir os principais trechos da conversa.

Sobre a resolução 4K

"Estamos usando uma versão mais nova do codec H.264, o que nos permite transmitir mais definição usando menos bits do que o padrão anterior. É necessário usar mais bits para transmitir o 4K, mas esse valor não é quatro vezes superior ao Full HD, como poderíamos supor", diz Peters. A empresa recomenda uma conexão mínima de 20 Mbps

O Netflix, que atualmente tem a segunda temporada de House of Cards em 4K, está trabalhando em mais conteúdo de altíssima definição. "´Vamos fazer mais projetos em 4K, principalmente aqueles em que essa tecnologia faz sentido, como seriados de ação e aventura", afirma o executivo. 

Sobre a polêmica com provedores de conexão

Recentemente, o Netflix teve que começar a pagar um valor fixo para o provedor de internet americano Comcast. O pagamento está sendo feito para garantir que os assinantes da Comcast possam ver os vídeos do Netflix sem atrasos. Na época da assinatura do contrato, o CEO da Netflix, Reed Hastings, criticou a Comcast por não garantir a neutralidade da rede . Na última semana, o Netflix passou a enviar mensagens para seus clientes culpando os provedores de internet por lentidão em seus vídeos.

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Para Peters, é pouco provável que esse tipo de cenário ocorra no Brasil. "Há países que já garantiram a neutralidade da rede por meio de leis", disse o executivo em referência ao Marco Civil da Internet. "Esse problema com provedores é específico do mercado americano e não deve se repetir em outros países".

Sobre personalização de conteúdo

"Temos uma variedade enorme de conteúdo, e isso cria um desafio. Como mostrar o conteúdo mais relevante para cada um? Para resolver isso, trabalhamos com algoritmos que recomendam conteúdo com base no que o usuário assiste", explica Yellin.

Ele ressalta ainda que critérios demográficos tradicionais não são tão importantes. "Realmente não tentamos descobrir se você é homem ou mulher, onde mora, qual a sua idade. Para nós, o importante é saber se você gosta de filmes de ação, documentários, comédia. A segmentação do conteúdo é feita a partir do que você vê, e não de suas características pessoais", explica. 

Yellin ressalta ainda que a integração com o Facebook é outro recurso usado para apresentar conteúdo. "Muita gente quer descobrir coisas novas a partir de recomendações de amigos, e a integração com o Facebook ajuda nisso. Esse recurso é muito popular no Brasil e nos próximos meses devemos ter novidades nessa área", conclui.

* O jornalista viajou a convite da LG

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