HP e Mozilla estão entre empresas que tiveram que trocar executivos por questões polêmicas

No mundo corporativo, a reputação de um executivo é na maioria das vezes baseada no simples critério do dinheiro. Se a empresa vai bem, o presidente é bom. Se a empresa vai mal, é hora de trocar.

Mas nem sempre o fator financeiro é a causa da troca do executivo. Em alguns casos, problemas pessoais ou falhas de caráter acabam se tornando um peso insustentável para o profissional e para a empresa, forçando a troca. Veja abaixo sete executivos de tecnologia que tiveram que deixar seus cargos devido a problemas inusitados.

Patricia Dunn (HP)

Em 2006, o site Cnet publicou uma reportagem com informações sobre estratégias de longo prazo da HP. A resposta da então CEO Patricia Dunn foi contratar uma empresa de investigação para saber como as informações haviam sido passadas para o site. Os investigadores grampearam ilegamente as linhas telefônicas de vários executivos da HP e de jornalistas.

Quando esses procedimentos foram revelados pela revista Newsweek, Dunn foi forçada a renunciar. Ela foi formalmente processada por uso ilegal de grampo telefônico e roubo de informações, mas as acusações foram posteriormente retiradas. Dunn faleceu em 2011.

Mark Hurd (HP)

Jodie Fisher foi pivô de escândalo que causou a demissão de Hurd
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Jodie Fisher foi pivô de escândalo que causou a demissão de Hurd

Em 2007, Mark Hurd, membro do conselho da HP, foi nomeado para o lugar de Patricia Dunn. Mas ele também deixou a empresa devido a uma polêmica. Em 2010, Hurd foi obrigado a deixar a HP após denúncias de assédio sexual feitas pela atriz Jodie Fisher, que apresentava eventos da HP. Segundo Fisher, durante dois anos, Hurd a teria assediado sexualmente em eventos da HP. 

O conselho da HP realizou uma investigação e concluiu que não havia provas do assédio, mas constatou que Hurd usou dinheiro da HP para pagar jantares para Jodie fora de eventos da HP. Esse desvio de conduta levou à demissão do executivo, que também acabou se divorciando de sua esposa. Pouco depois de sair da HP, Hurd foi contratado pela Oracle, onde trabalha até hoje. Posteriormente, Hurd e Jodie Fisher chegaram a um acordo para encerrar o processo de assédio.

Scott Thompson (Yahoo)

Em janeiro de 2012, Scott Thompson saiu do PayPal e se tornou CEO do Yahoo!. Mas sua experiência no cargo durou apenas quatro meses. Thompson foi obrigado a deixar o cargo após a revelação de que havia mentido em seu currículo.

No currículo fornecido ao Yahoo! (e divulgado posteriormente pela empresa), Thompson afirmava que tinha formação universitária em contabilidade e ciência da computação. Mas alguns acionistas do Yahoo! fizeram uma investigação e comprovaram que Thompson era formado apenas em contabilidade. 

Thompson alegou que, durante as entrevistas para o cargo, não disse que era formado em ciência da computação. Ele alegou que essa informação poderia ter sido incluída pela empresa de head hunting contratada pelo Yahoo. Thompson admitiu apenas que errou ao não revisar a biografia antes de ela ter sido divulgada pelo Yahoo!. Mas essas justificativas não foram suficiente para mantê-lo no cargo. 

Brendan Eich (Mozilla)

Poucas pessoas têm o currículo de Brendan Eich no mundo da tecnologia. Ele é simplesmente o criador da linguagem JavaScript, usada em praticamente todas as aplicações web do mundo. 

Com esse currículo de peso, Eich certamente tinha qualificação para assumir a chefia da Mozilla, o que ocorreu em março deste ano. Mas a gestão de Eich na Mozilla durou apenas algumas semanas. Poucos dias após sua nomeação, foi revelado que, em 2008, ele teria doado dinheiro para apoiar a emenda conhecida como "Proposition 8". Essa emenda buscava proibir o casamento gay no estado da Califórnia.

Após a divulgação da notícia, vários funcionários e diretores da Mozilla passaram a pedir a renúncia de Eich. O executivo minimizou o fato e ressaltou que não tinha histórico de preconceito ou atitude indevida contra gays no ambiente de trabalho, mas isso não foi suficiente para aliviar a pressão. Eich deixou a organização em abril deste ano.

Tom Preston (GitHub)

Um dos fundadores da GitHub, empresa que fornece infraestrutura e ferramentas para projetos de software livre, Tom Preston era uma das figuras de destaque no movimento open source. Mas ele foi obrigado a deixar a empresa em abril deste ano, sob acusações de assédio moral e preconceito contra mulheres.

Os problemas de Preston começaram em março deste ano, quando Julie Horvath, engenheira de software do GitHub, deixou a empresa e alegou que a decisão tinha sido tomada devido a problemas de assédio moral. Julie alegou que o ambiente de trabalho da GitHub era hostil para mulheres e que era tratada de modo diferente de seus colegas homens.

Julie alegou ainda que a esposa de Preston, Theresa, a teria ameaçado durante um jantar. Theresa teria dito que tinha "espiões" na GitHub e que seria melhor que Julie não deixasse a empresa nem escrevesse nada que pudesse difamar a startup. 

Logo após as denúncias, a GitHub abriu uma investigação interna sobre o caso. A investigação concluiu que não houve nenhum tipo de crime, mas considerou que Preston cometeu erros de julgamento e gestão. Sob pressão, Preston deixou a GitHub em abril.

Gurbaksh Chahal (RadiumOne)

Fundador e CEO da empresa de publicidade digital RadiumOne, Gurbaksh Chahal deixou o cargo em abril deste ano, sob acusação de ter espancado sua namorada. Chahal foi formalmente indiciado por lesão corporal depois de ter agredido sua então namorada por mais de 30 minutos. Um vídeo do sistema interno de segurança da casa de Chahal foi obtido durante o processo e mostrou toda a agressão.

Em sua defesa, Chahal disse que "perdeu a calma" quando soube que sua namorada era prostituta, o que nunca foi provado.

Keith Rabois (Square)

Um dos investidores mais conhecidos do Vale do Silício, Keith Rabois era o segundo em comando da Square, badalada startup de pagamentos móveis, quando renunciou, em janeiro de 2013. O motivo foi o envolvimento com um funcionário da empresa, que ameaçava processá-lo por assédio sexual.

Em texto publicado em seu blog, Rabois afirmou que havia conhecido o homem três anos antes e se envolvido com ele. Segundo Rabois, ele sugeriu que seu namorado tentasse uma vaga na Square. O homem passou pelo processo seletivo e conseguiu uma vaga na startup comandada por Rabois.

Em janeiro de 2013, Rabois foi contactado por um grupo de advogados que trabalhavam para seu ex-namorado. O executivo deu a entender que estava sendo chantageado e teria que pagar um valor para que o caso não fosse publicado e se tornasse um processo de assédio sexual.

Rabois admitiu que foi um erro manter o relacionamento após seu namorado começar a trabalhar na Square, mas afirmou que o relacionamento sempre foi consensual e que nunca houve nenhum tipo de assédio. Ainda assim, Rabois decidiu abandonar a Square para evitar problemas para a empresa.

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