Novo smartphone da Amazon começa a ser distribuído nos EUA a partir de 25 de julho

NYT

Quando a Amazon convidou a mídia e centenas de seus clientes mais fiéis para testemunhar o lançamento de um novo equipamento no dia 18 de junho, todos pensaram que a empresa apresentaria um smartphone feito no molde de sua linha de tablets: bons e baratos.

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Todos se enganaram. Embora o aparelho se chame telefone Fire, a nova engenhoca da Amazon é menos um telefone e mais uma caixa registradora de bolso ligada diretamente aos depósitos inteligentes do varejista. E não é barato. O Fire é vendido nos Estados Unidos por US$ 199 com dois anos de contrato com a AT&T. Embora também venha com um ano de assinatura grátis do programa de afiliação Amazon's Prime, o Fire tem basicamente o mesmo preço de telefones de primeira linha feitos pela Apple e Samsung.

Veja fotos do lançamento do Fire Phone

Para a Amazon, empresa cujos equipamentos anteriores têm tido planos de preços inovadores que muitas vezes envolviam sua venda a preço de custo, o preço pouco inspirado do Fire é uma decepção surpreendente. O mundo precisava de um smartphone ótimo e barato. Com seu alcance enorme, dedicação obsessiva ao atendimento ao cliente e disposição de renunciar aos lucros imediatos, a Amazon parece singularmente capaz de oferecer tal aparelho.

Smartphone de ponta

Porém, em vez de um telefone barato, a Amazon veio com um aparelho embalado com recursos impressionantes e de ponta. Alguns desses recursos podem ser atraentes para pessoas que já amam a Amazon, mas para quem não deseja estar ligado tão intimamente ao cérebro da empresa, é difícil ver suas vantagens sobre o iPhone ou o Galaxy da Samsung, e de qualquer outro smartphone topo de linha existente no mercado hoje em dia.

"É um telefone topo de linha", respondeu Jeffrey P. Bezos, fundador da Amazon e seu CEO, quando questionado na entrevista sobre o preço do aparelho. "Colocamos muito hardware e material caro aí".

Bezos não quis comentar se a empresa lucraria a cada telefone vendido. No passado, a empresa evitou esse modelo de venda de hardware. Porém, ele garantiu que a capacidade tecnológica do Fire o tornava uma pechincha.

Máquina de fazer compras

É verdade que o Fire tem vários recursos originais. Entre eles um sistema de reconhecimento de imagem, o Firefly, que permitirá identificar qualquer livro, filme, número de telefone ou outro objeto para o qual o aparelho for apontado. O Firefly é o coração da conexão do celular ao mecanismo de compra da Amazon.

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Mire o telefone em qualquer coisa na sua casa, como um saco de areia sanitária para gatos ou um tubo de pasta de dentes, e ele reconhecerá instantaneamente o produto e lhe dará uma opção de comprá-lo e recebê-lo de imediato. Durante uma pequena demonstração do telefone, que já está disponível para encomendas agora nos Estados Unidos com entrega em 25 de julho, achei o recurso sinistramente preciso. Ele reconheceu com exatidão praticamente tudo para que o apontei, oferecendo uma forma de compra sem perda de tempo – na Amazon.

Bezos contestou qualquer ideia de que houvesse algo suspeito nessa conexão à loja da Amazon. "Ajudar as pessoas a fazer compras é um serviço importante em qualquer smartphone, mas o telefone não se resume a isso".

Ele disse que seria "muito simplista" chamar o telefone de apenas um veículo para vender afiliações Prime, embora tenha reconhecido que os membros desse programa o aproveitariam muito mais.

O Fire tem tela tridimensional inovadora que proporciona uma sensação de perspectiva em algumas das telas de interface com o usuário. O sistema também permite rodar ou navegar por conteúdo inclinando o telefone de certa maneira. O recurso se destina mais ao chamativo do que ao útil, mas não de forma chata. O sistema não retarda nem interrompe o uso do aparelho, mas também não tenho muita certeza de que vá ajudar muito. Por outro lado, é muito bacana.

A Amazon incluiu dois recursos incomuns e úteis. Um é o Mayday, serviço de atendimento ao consumidor por vídeo ao vivo da Amazon, que começou a ser oferecido nos tablets Kindle Fire no ano passado. Com o telefone é possível abrir um chamado em vídeo com um atendente com um apertar de botão.

Mesmo os smartphones melhores e fáceis de usar podem ser irritantes. Como conectar o telefone à agenda pessoal e de trabalho? Como entrar na rede privada virtual da empresa? Qual é a melhor maneira de enviar à sua mãe uma dúzia de fotos em alta resolução? Responder essas perguntas no caso de outros telefones envolve consultar instruções online confusas, ligar para um 0800 ou dirigir-se a uma loja. No caso do Mayday, basta acenar para ter ajuda; é imediata e agradável.

Fotos guardadas para sempre

O outro recurso fantástico do Fire: toda foto tirada com o telefone é armazenada gratuitamente nos servidores da empresa. Não existe limite para quantas fotos podem ser estocadas. É um sistema de reserva simples e livre de dores de cabeça que eu gostaria que fosse oferecido por todo fabricante de celular – a Apple de forma mais urgente.

E, todavia, apesar dessas distinções, o telefone sofre de falhas severas na comparação com rivais de preços similares. A loja de aplicativos não chega nem perto do número de programas de terceiros atualmente disponíveis nos aparelhos iPhone ou Android. Existem mais de 200 mil aplicativos na loja da Amazon, mas quase todos foram projetados para os tablets da empresa. O iOS e o Android têm lojas de aplicativos chegando a um milhão de títulos.

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Como o telefone da Amazon é baseado numa versão do sistema operacional Android, do Google, poderia ser muito simples transformar alguns aplicativos em programas para o equipamento da Amazon, mas é impossível prever quantos desenvolvedores farão isso.

Com um telefone mais barato voltado para um público maior, a Amazon poderia ter desencadeado esse processo, mas um aparelho cujo público básico consiste nos membros do programa Prime pode não ser muito atrativo para os desenvolvedores.

Sistema operacional é bem diferente de rivais

Mais problemático do que a falta de aplicativos é a inovadora interface de usuário do celular. Embora o Fire não pareça simples, é completamente novo. Quem está acostumado com o iOS ou o Android terá de descobrir novas maneiras de lidar com o equipamento, o que poderia não ser um problema se a Amazon mirasse um público pouco sofisticado e que demora a adotar novidades.

Porém, a maioria das pessoas procurando um telefone com esse preço muito provavelmente já usou uma ou outra das grandes plataformas de telefone. A Amazon está lhes pedindo para aprender uma coisa nova, sem um grande benefício adicional.

O telefone da Amazon estreia num momento crucial para o setor – quando a inovação nos smartphones de primeira linha parece ter se estabilizado, com cada novo aparelho do segmento apenas melhorando o anterior. Se telefones caros agora são considerados chatos, os clientes podem muito bem começar a questionar se precisam gastar tudo isso. A Amazon poderia ter oferecido uma alternativa revolucionária – um aparelho excelente com recursos impressionantes, com um desconto substancial.

Quanto mais barato? Façamos as contas. O preço de US$ 200 sob contrato da Amazon implica um valor total de venda na casa de US$ 650. Não se vê esse preço ao se contratar o serviço, mas ele será formado na conta mensal. Por exemplo, ao fazer um plano de um gigabyte da AT&T com o telefone novo, você pagará US$ 82 mensais – US$ 50 mensais pelo serviço de dados, mais US$ 32 por mês pelo aparelho. Os modelos iPhone 5S e Samsung Galaxy são vendidos pelo mesmo valor.

Se a Amazon não tivesse acrescentado tantos recursos avançados no aparelho, ela seria capaz de fabricá-lo a US$ 250. Se vendesse o aparelho por esse preço, então, sua conta seria de US$ 62,50 – US$ 50 pelos dados, acrescidos de apenas US$ 12,50 pelo telefone. Isso poderia ser verdadeiramente revolucionário.

Embora não tenha exibido o recurso no palco, Bezos confirmou que o novo celular faz ligações telefônicas. "Não faço ligações com meu telefone há muito tempo, mas sei que as pessoas ainda fazem esse tipo de coisa".

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