Originalmente, falha foi apresentada como um recurso

Uma falha do Chrome que faz com que o navegador sobrecarregue o processador e consuma energia em excesso será corrigida pelo Google nas próximas semanas. A falha existe desde 2010 e foi descoberta nesta semana por Ian Morris , colunista de tecnologia da Forbes.

A falha existe porque o Chrome, ao ser iniciado, modifica o tempo de descanso do Windows para 1 milissegundo, valor muito menor do que os 15 milissegundos que são padrão do sistema. Na prática, isso significa que o Chrome obriga o processador a "acordar" a cada milissegundo, mesmo que não haja atividade nenhuma no navegador. Outros navegadores não modificam esse ajuste e o processador pode "descansar" mais, "acordando" apenas a cada 15 milissegundos e poupando a bateria do notebook.

Segundo Morris, dados da Microsoft mostram que modificar o tempo de descanso para 1 milissegundo pode aumentar em até 25% o consumo de bateria do notebook.

Falha foi incluída de propósito, como um recurso

Um dado curioso é que a falha foi incluída de propósito e vista como um recurso para tornar o Chrome mais rápido do que os concorrentes. O site especializado Ars Technica localizou um post do fórum de desenvolvedores do Chrome , de 2010. Nele, o engenheiro do Google Mike Belshe afirmava que o tempo de descanso era muito alto e não havia sido alterado em anos, apesar do avanço dos processadores. 

O post de Belshe mostra ainda que o Google sabia que a alteração do tempo para 1 milissegundo teria consequências em todo o sistema, e não apenas no Chrome. Segundo Belshe, outras aplicações, como Windows Media Player, QuickTime e Flash já alteravam esse ajuste do Windows para 1 milisssegundo. Por isso, como essas aplicações quase sempre estavam abertas quando o computador está ligado, o Chrome estaria apenas "pegando carona".

Belshe afirma ainda que, logo depois da modificação, engenheiros da Intel avisaram que o Chrome estaria consumindo muita energia. Por isso, os desenvolvedores adaptaram o navegador para não alterar o tempo de descanso em aparelhos com baterias (notebooks). Mas, ao longo do desenvolvimento do navegador, essa detecção aparentemente foi perdida e o Chrome voltou a reduzir o tempo de descanso para 1 milissegundo também em notebooks. 

Como observa o Ars Technica, esse problema não era tão grave em 2010, pois Windows Media Player, Flash, QuickTime e outros plug-ins eram muito usados. Como esses plug-ins já reduziam o tempo de descanso para 1 milissegundo, o fato de o Chrome fazer o mesmo não tinha consequências.

Em 2014, porém, a situação é outra. Muitos plug-ins foram abandonados de 2010 para cá e não são mais tão populares. Muitas pessoas usam notebooks apenas com o Chrome aberto. Por isso, uma modificação que em 2010 não tinha grandes consequências agora se tornou uma falha, graças à popularidade do Chrome.

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