Embora em grande medida as impressoras tridimensionais sejam uma novidade para o público, varejistas e outras empresas utilizam-nas há anos nos bastidores

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Impressoras 3D do tamanho de geladeiras são vistas na sede da Shapeways nos EUA, empresa que tem parceria com a Hasbro
The New York Times
Impressoras 3D do tamanho de geladeiras são vistas na sede da Shapeways nos EUA, empresa que tem parceria com a Hasbro

No futuro não muito distante, impressoras tridimensionais poderão dar qualquer coisa ao público, desde um novo guarda-roupa até carne – e mesmo órgãos humanos. Ainda não chegamos lá, mas alguns grandes varejistas e marcas, ávidos em acompanhar o ritmo de tecnologia com capacidade de virar a mesa e gerar exposição, já começaram a explorar esse mundo tridimensional.

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Um dos primeiros a fazer experiências é a Hasbro que, em julho, anunciou parceria com a empresa de impressão 3-D, Shapeways, para vender arte de fãs inspirada na sua antiga linha de brinquedos Meu Pequeno Pônei.

"Andamos investigando a impressão tridimensional há um bom tempo, como muita gente", declarou John Frascotti, diretor de marketing da Hasbro. "O que a impressão 3-D verdadeiramente permite é a criação de arte que talvez não fizesse sentido para produção em massa, mas que faz todo o sentido num artigo único".

Para este projeto, descrito por Frascotti como "personalização em massa", a empresa vai começar com cinco artistas cuja obra estará disponível para encomendas online e impressa com um polímero plástico colorido que os executivos da Shapeways dizem ter uma textura similar ao arenito. Os projetos devem ser aprovados pela Hasbro para garantir que não sejam obscenos, violentos nem promovam o ódio, mas fora isso, os artistas têm liberdade, e também poderão definir o preço das figuras.

Uma peça disponível para venda no site do projeto mostra um dragão roxo pomposo chamado Spike sobre uma pilha de livros diante de uma mesa alta com uma pena de escrever na mão (segundo sua biografia oficial, Spike tem a capacidade inexplicável de enviar e receber mensagens ao arrotar). A obra se chama "Spike, Anote". Outra peça é um unicórnio azul e roxo com uma linda crina.

A Hasbro espera ampliar a parceria para incluir mais artistas, mais de suas linhas e outros materiais, já que as impressoras da Shapeways usam de tudo, de plásticos sofisticados para estojos de iPhone passando por ouro para joias e cerâmica para canecas.

Propriedade intelectual não é só desafio

O advento da impressão tridimensional criou um potencial enorme de vendas, mas também criou uma série de oportunidades de roubo, principalmente de propriedade intelectual. Por que sair e comprar uma boneca se você mesmo pode imprimir uma? Porém, em vez de fechar ainda mais o cerco sobre os personagens, a colaboração da Hasbro com a Shapeways pode estender o alcance de suas marcas registradas e manter o controle do que está associado à marca.

"Em vez de tentar proibir, eles querem permitir, e isso é genial", afirmou Peter Weijmarshausen, diretor-presidente da Shapeways. "A adoção dessa nova tecnologia é boa para todos. O usuário final fica feliz porque recebe o que deseja e nós não brigamos".

Embora em grande medida as impressoras tridimensionais sejam uma novidade para o público, varejistas e outras empresas utilizam-nas há anos nos bastidores. A rede de supermercados Target tem algumas em sua sede em Minneapolis. Elas têm o tamanho de uma geladeira grande e são usadas pela equipe de design da companhia para criar protótipos. Frascotti contou que a Hasbro tem impressoras 3-D industriais para o mesmo propósito.

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O Target não vende impressoras tridimensionais, mas o porta-voz da empresa afirmou ser esta uma área sob "monitoração ativa". Outros varejistas decidiram começar a vender as impressoras para consumidores.

O Home Depot vende impressoras 3-D da MakerBot em seu site há meses e, em julho, anunciou que começaria a vendê-las nas lojas de algumas cidades, como Nova York e Los Angeles. Utilizando um plástico derivado do milho, as impressoras têm preço inicial de US$ 1.375. Quando uma MakerBot imprime, há um cheiro de waffle no ar, segundo Bre Pettis, CEO da empresa.

A onda das impressoras domésticas

As impressoras domésticas costumam ser do tamanho de um forno micro-ondas e podem ser empregadas para fabricar artigos como acessórios de moda, utensílios e peças de reposição para bicicletas ou instrumentos musicais.

O Walmart começou a experimentar com o potencial da impressora 3-D para produzir empolgação entre os fregueses.

Na inauguração de várias lojas Sam's Club neste ano, impressoras 3-D farão um agrado aos consumidores: após digitalizar o rosto, elas produzirão bonecos de resina com a cara do freguês em um de três personagens da Marvel (Homem de Ferro, Capitão América ou Viúva Negra). O desfile da impressora móvel começou em julho numa loja nos arredores de Fort Worth, no Texas, e em Montgomery, em Illinois.

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Sucharita Mulpuru, analista da Forrester Research, afirmou que as investidas do varejo na impressão tridimensional para o consumidor final têm mais a ver com a "novidade e empolgação" do que com uma mudança séria nos modelos de negócios.

Para Mulpuru, as "impressoras 3-D de agora são como o Apple IIe", em referência a um dos primeiros computadores da Apple. "Ele tinha tela verde e comandos do DOS – não é a interface com a qual estamos acostumados hoje".

"É o Capítulo 1 ou o prólogo do mundo da impressão tridimensional caseira, mas creio que ela transformará nossas vidas no futuro", concluiu.

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