Gear VR funciona com um Galaxy Note 4 acoplado

Como já era de se esperar, o Gear VR Innovator Edition, óculos de realidade virtual da Samsung, é o produto mais disputado no enorme estande da empresa na IFA 2014 . Diferentemente de outros lançamentos da sul-coreana, que ficam expostos em mesas e ao alcance das mãos, o Gear VR pode apenas ser demonstrado por promotores treinados em cabines instaladas dentro de uma sala com paredes de vidro. Para entrar nesta sala de lançamentos, onde estão também os novos smartphones, é preciso antes encarar uma fila de 30 minutos. Óbvio que foi o que fiz.

Cada cabine de demostração (são em torno de dez) foca em um conteúdo desenvolvido por parceiros da Samsung especialmente para o lançamento do Gear VR. Vevo, DreamWorks, Cirque du Soleil e Marvel são algumas das empresas que criaram aplicações próprias para o óculos de realidade virtual desenvolvido em parceria com a Oculus, fabricante do Rift e que agora é de propriedade do Facebook.

Em uma das cabines de experimentação era possível ver e escutar Patrick Watson tocando a música "Stranges" no piano. Ao colocar o óculos de realidade virtual na cabeça, mais os fones de ouvido da linha Level, também da Samsung, fui transportada para a sala de uma casa. Sentada em uma poltrona de couro marrom, eu era capaz de observar não apenas o músico cantando, ao piano, mas tudo que estava ao meu redor. Girando na cadeira, pude ver cada detalhe da sua sala, inclusive um cachorro deitado no chão logo atrás de mim, balançando o rabo.

No clima intimista desse show particular, foi fácil se transportar para aquela realidade virtual, mas fiquei imaginando como seria estar em um show de rock, por exemplo. Em algumas cabines, era possível experimentar o óculos sem os fones de ouvido, ausência que compromete bastante a experiência.

Por mais que o foco desse tipo de conteúdo não seja o áudio, de nada adianta colocar um óculos de realidade virtual no rosto se aquilo que você escuta não é sobre aquilo que se vê. Talvez a Oculus, ou mesmo a Samsung, devesse pensar uma próxima edição do Gear com fones de ouvidos acoplados. Faz toda a diferença. Na cabine com um espetáculo do Cirque du Soleil, por exemplo, foi divertido estar no palco no meio dos artistas, mas as conversas paralelas, mesmo em alemão, desviavam minha atenção.

Na terceira cabine de demonstração que entrei vi um trailer de filmes da DreamWords. Mas não era um trailer num lugar qualquer: ao colocar o óculos realidade virtual fui transportada para um cenário cujo chão era feito de água, tal qual um lago. O céu era estrelado e logo na minha frente estava uma enorme tela onde passavam os vídeos. Bem mais legal do que no computador.

Comandos são dados com ajuda de um painel sensível ao toque na lateral do Gear VR
Emily Canto Nunes/iG
Comandos são dados com ajuda de um painel sensível ao toque na lateral do Gear VR

Apesar de parecer complexo, operar o Gear VR é simples: uma vez dentro do aplicativo, basta apontar a cabeça para a função que se deseja habilitar. Como outros dispositivos baseados em movimentos, como o Kinect ou o Wii, o óculos é o próprio controle remoto, e possui sensores como giroscópio, acelerômetro e magnetômetro. 

Para escolher um conteúdo, basta movimentar a cabeça até que uma cruz amarela, que faz o papel de cursor, esteja em cima do botão desejado, para então apertar na lateral direita do óculos, onde fica o touchpad. Na parte superior do óculos, um botão circular que vai para direita e para a esquerda faz o ajuste focal para olhos míopes ou hipermétropes. Ou seja, nada de óculos de grau na hora de brincar com o acessório vestível.

Muito embora a Samsung não tenha divulgado o peso, posso dizer que para um acessório feito para usar na cabeça ele ainda é bastante pesado. Mesmo com alças de ajuste na horizontal e na vertical, o Gear VR pesa sobre a face. No teste que fiz, não fiquei nem cinco minutos com ele no rosto e já comecei a sentir o peso. Ou seja,  ver um filme ou um show de horas pode ser um tanto quanto desconfortável. 

Para Samsung, Gear VR pode ir além do entretenimento

Ainda sem preço definido, o Samsung Gear VR Innovator Edition é, como o próprio nome diz, uma primeira edição inovadora. O produto será comercializado, mas para desenvolvedores e entusiastas, e virá com com quatro aplicações: Oculus Home, Oculus Cinema, Oculus 360 Videos e Oculus 360 Photos. A primeira serve para se conectar à loja Oculus, onde o usuário encontra conteúdo de realidade virtual. No Oculus Cinema, é possíver ver filmes 2D e 3D como se o usuário estivesse em uma sala de cinema. Já as opções de foto e vídeo 360 graus reproduzem o conteúdo panorâmico em realidade virtual.

Diretor de produto da Samsung, Roberto Soboll explica que produtos como Gear VR não são apenas uma tendência, mas uma realidade que só hoje tem como existir: "temos máquina e tecnologia para isso, mas precisamos antes ter conteúdo, e por isso estamos fazendo várias parcerias com provedores de conteúdos".

LEIA MAIS SOBRE A IFA 2014:

Para Samsung, tela curva é a próxima onda, e não só em TVs
Philips aposta em TVs com Android

Desenvolvido pela mesma Oculus que criou o Rift, o Gear VR se diferencia por ser um acessório para smartphones, que funciona de forma integrada com o celular e que por isso amplia suas capacidades e possiilidades de uso.

No entanto, assim como Rift, que foi criado primeiramente para jogos, o Gear nasce como um dispositivo voltado para o entretenimento, mas Soboll acredita que ele poderá ir além muito em breve. "O VR pode ser uma forma de entrar remotamente, por exemplo, na loja que tenho em uma cidade perdida em um rincão qualquer do Brasil. Com a realidade virtual, posso estar dentro da loja, um médico pode estar com um paciente, e um jogador pode jogar em grupo, sem sair do lugar", afirma o executivo.

*A jornalista viajou a Berlim a convite da Philips.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.