Tela maior vem a calhar em tarefas de produtividade, mas tamanho pode incomodar em algumas situações

NYT

Está na hora de fazer as pazes com o termo "phablet". Claro, a indústria de tecnologia poderia ter bolado uma maneira mais bonita e menos desagradável para se referir a smartphones grandes o suficiente para serem usado como tablets, mas eles merecem um nome descritivo a ponto de ser inesquecível. Afinal, não são simplesmente telefones com tela grande; são um novo tipo de dispositivo de computação, uma máquina mais útil e mais versátil que smartphones ou laptops.

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Os phablets podem até mesmo se tornar o dispositivo dominante no futuro – o tipo mais popular de telefone no mercado e talvez o único computador de que a maioria das pessoas precisa.

FOTOS: smartphones de tela grande atualmente no mercado

Bom, há muito tempo eu odeio telefones grandes, mas em setembro decidi usar o modelo mais novo deles, o novo iPhone 6 Plus, da Apple, com sua tela de quase 14 cm, como meu computador principal, para todos os fins – um dispositivo único para trabalho, diversão e tudo mais. Tive que fazer paradas ocasionais para usar meu laptop e escrever meus artigos, mas acabei passei cerca de 80 a 90 por cento do meu tempo de computação com o telefone grandão da Apple.

Esse não é exatamente o meu estilo; se você tem recursos e paciência para comprar um laptop, um smartphone e um tablet, não pense duas vezes – mas se uma raça alienígena chegasse ao planeta e forçasse os terráqueos a usar apenas um único computador, aí eu escolheria o iPhone 6 Plus. Se o que você quer é uma máquina para tudo, um phablet como esse não é uma má ideia.

A Apple não adotou o novo termo, mas o 6 Plus é maior do que o original Samsung Galaxy Note, o dispositivo que saiu em 2011 e é geralmente creditado como sendo o primeiro phablet (o Note mais recente tem uma tela de quase 14,5 cm). O motivo pelo qual a Apple teve que fazer um phablet é óbvio, porque ele é um dispositivo de que seus executivos e fãs há muito costumavam gozar.

Bandeja no ouvido

Apesar do constrangimento de segurar um dispositivo tão grande quanto uma bandeja de refeitório ao ouvido, os phablets da Samsung e outras empresas se tornaram um sucesso global. Já são mais populares que laptops e desktops e é bem provável que, em breve, acabem vendendo mais do que tablets também.

Sua popularidade pode mostrar a insignificância do telefone: quem ainda dá telefonemas hoje em dia? Além disso, alguns observadores do mercado argumentam que um número significativo da população mundial não pode ou não consegue nem pensar em um futuro tecnológico em que todos possuam três dispositivos – um PC, um tablet e um telefone. Muitos querem uma única máquina que possa cumprir a maioria de suas necessidades computacionais.

Tamanho grande pode causar problemas

Por outro lado, o phablet tem muitas desvantagens. Dependendo do trabalho, há uma boa chance de que ele não seja tão confortável quanto seu PC. Como escrevi no meu artigo sobre o Microsoft Surface Pro 3 no início deste ano, muitas das tarefas que chamamos de "trabalho" normalmente exigem um grande teclado físico e, obviamente, o iPhone 6 Plus não vem com um.

Além disso, apesar de ser bem fino, o 6 Plus é cerca de 27 por cento mais alto e 32 por cento mais largo que o velho carro-chefe da Apple, o iPhone 5S. Isso o transforma em um monstro no seu bolso. Houve momentos esta semana em que peguei meu velho iPhone 5S e me apaixonei de novo por seu design sedutoramente compacto (a Apple também lançou um outro aparelho, o iPhone 6, com uma tela de quase 12 cm).

Porém, o que lhe falta de portabilidade, o iPhone 6 Plus compensa em usabilidade e acessibilidade. O phablet, como seu telefone, é uma máquina que está sempre com você, mas, como um tablet, tem uma tela grande o suficiente para permitir a realização de muitas tarefas mais produtivas – e, ao contrário de um laptop, está imediatamente disponível. É só tirar do bolso e começar a trabalhar em qualquer lugar.

Ao longo da semana, usei o 6 Plus para fazer quase tudo o que normalmente faço com meu telefone e meu laptop. Todas as manhãs, acordava e ia para meu escritório phablet, também conhecido como cama, sofá ou qualquer outro assento reclinável que encontrasse. Ficava lá olhando e tocando na tela o dia inteiro. Isso foi meio bizarro; minha casa está cheia de computadores, e pelo menos no início de minha experiência, muitas vezes tive de me conter para não agarrar o laptop para fazer o que era preciso.

Mas me contive e logo me vi adotando os hábitos de uma vida de phablet. Conferi meus e-mails, pesquisei meus artigos, li um monte de coisas na Web, trabalhei com algumas planilhas e, com a ajuda de um teclado físico acoplado, até tentei escrever alguns dos meus artigos sobre o aparelho.

A concorrência

Descobri que o 6 Plus tem duas vantagens sobre os smartphones menores e uma vantagem sobre os phablets rivais: uma, a digitação é muito mais fácil. Quando você o segura com as duas mãos no modo retrato – ou seja, verticalmente – e digita com os polegares, há um ajuste perfeito.

Usar seu teclado ou o teclado da Swype, ambos na tela, possibilitou que eu escrevesse e-mails muito mais rapidamente do que em smartphones tradicionais. Infelizmente, no modo de paisagem – segurando o telefone na horizontal – o efeito não é o mesmo.

A outra vantagem óbvia sobre telefones menores é o tamanho da tela. O display do 6 Plus é grande o suficiente para transformar atividades meio desagradáveis em pequenos smartphones em tarefas que são quase confortáveis para executar em um telefone. Elas variam entre assistir a filmes e ler documentos até utilizar planilhas e fazer uma triagem de e-mails – qualquer coisa que precise de uma tela e que poupe seus olhos.

A vantagem do 6 Plus sobre os outros phablets também é óbvia: o sistema operacional é o iOS da Apple, muito mais intuitivo e fácil de usar do que as interfaces que a Samsung utiliza em seus telefones.

É verdade que, ao contrário da Apple, as empresas que produzem celulares com Android adicionam funcionalidades extras para se aproveitar das telas maiores dos phablets, incluindo a capacidade de executar dois aplicativos em uma tela ao mesmo tempo. Mas acho muitas dessas características meio inúteis; não é sempre que preciso assistir a um vídeo e ler um e-mail ao mesmo tempo.

A vantagem mais importante é a facilidade de uso fundamental do iOS em comparação com seus rivais. O sistema operacional da Apple é mais fácil de entender e mais fácil de usar do que o Android, e os desenvolvedores ainda devotam grande parte de seus recursos para criar os melhores aplicativos primeiro para o iOS.

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