Fundada em 2010, companhia tem milhões de fãs em seu país de origem e começa a se expandir globalmente

Na semana passada, uma notícia sobre o mercado de smartphones surpreendeu muita gente que não acompanha de perto o setor de tecnologia. Uma empresa desconhecida do grande público se tornou a terceira maior fabricante de smartphones do mundo.

A jovem empresa chinesa Xiaomi (pronuncia-se "xáumi") teve um impressionante crescimento anual de 211% no volume de smarpthones vendidos , ficando apenas atrás das tradicionais Samsung e Apple e à frente de outros nomes de peso, como Sony, LG, Motorola e Lenovo.

LEIA TAMBÉM:
Conheça a sede do Baidu, o Google da China

A Xiaomi atingiu a terceira colocação no ranking mundial de smartphones de uma forma simples: sendo a líder na China, maior mercado de smartphones do mundo. Mas recentemente a empresa começou a atuar em outros mercados, como a Índia, e deve chegar ao Brasil em breve.

Jeito Apple de ser

Desde sua criação, a Xiaomi tem adotado estratégias muito similares às usadas pela Apple. Seu CEO, Lei Jun, ocasionalmente chega a usar roupas parecidas com as que Jobs usava para apresentar iPhones e iPads. 

Lei Jun, com visual de Steve Jobs, em evento
Reprodução/Youtube
Lei Jun, com visual de Steve Jobs, em evento

Como a Apple, a Xiaomi também conseguiu criar uma cultura de devoção à empresa. Os eventos de lançamentos de produtos parecem concertos de rock, com fãs animados que vibram a cada nova especificação mencionada por Jun e, principalmente, vão à loucura com os baixos preços dos produtos da Xiaomi.

A influência da Apple está também nas lojas da Xiaomi, com ambientes clean e sofisticados e muito espaço para que os clientes testem os produtos. Até os vendedores se vestem de forma parecida, trocando apenas o azul da Apple pelo vermelho da Xiaomi. Também como a Apple, a Xiaomi lança poucos produtos por ano, incluindo somente um smartphone de ponta.

Troca de farpas com a Apple

E há também similaridades nos smartphones. Os celulares da Xiaomi e a interface MiUI, usada nos aparelhos, são vistas por muitos críticos como cópias deslavadas dos produtos da Apple.

Em outubro, Jony Ive, chefe de design da Apple, criticou os produtos da Xiaomi e disse que não via a imitação como um elogio. "Quando você faz algo pela primeira vez, não sabe se vai funcionar. Você passa 7 ou 8 anos trabalhando em algo, e logo depois aquilo é copiado. É roubo e é também é uma atitude preguiçosa. É completamente errado", disparou Ive.

Em resposta a Ive, Hugo Barra, executivo brasileiro responsável pela expansão internacional da Xiaomi, observou que a Apple também se inspira em outras empresas. "O iPhone 6 usa uma linguagem visual que já está no mercado há uns cinco anos e é usada há um bom tempo pela HTC. Ninguém pode se apropriar de conceitos amplos de linguagem de design", disse Barra em entrevista ao Economic Times . O número 2 da Xiaomi, Lin Bin, também respondeu a Ive e disse que ninguém pode julgar um produto da Xiaomi sem usá-lo. "Posso até dar um de presente para ele", afirmou, segundo o The Register .

Bom e barato

A influência da Apple certamente vem colaborando para o sucesso da Xiaomi. Mas boa parte da popularidade da empresa na China se deve a um fator bem mais fácil de entender: uma combinação agressiva de aparelhos com configuração robusta e preços muito baixos.

Um bom exemplo disso é o Mi4, smartphone de ponta mais recente da Xiaomi. O aparelho tem configuração de ponta, com tela de 5 polegadas IPS e Full HD, 3 GB de RAM e processador Snapdragon 801 quad core de 2,5 GHz, além de câmeras traseira de 13 MP com flash LED duplo e frontal de 8 MP. Na China, o aparelho é vendido por US$ 330 (cerca de R$ 820). Para efeito de comparação, o iPhone 6 mais básico custa US$ 860 (cerca de R$ 2.100). Na China, a Xiaomi vende também outros produtos, como pulseiras inteligentes, TVs e adaptadores com funções similares à Apple TV e ao Chromecast.

Expansão internacional e atuação no Brasil

Brasileiro Hugo Barra lidera expansão internacional da Xiaomi
Reuters
Brasileiro Hugo Barra lidera expansão internacional da Xiaomi

No final de 2013, o brasileiro Hugo Barra, então executivo de alto cargo na divisão de Android do Google, foi contratado pela Xiaomi com a missão de coordenar a expansão internacional da empresa.

Em abril deste ano, o CEO Lei Jun oficializou a intenção da Xiaomi de iniciar atividades em dez países fora da China até o fim do ano, incluindo o Brasil. Recentemente, a empresa inaugurou seu site para o público de fora da China ( mi.com ).

Pouco se sabe sobre a operação da Xiaomi no Brasil. É certo apenas que a empresa já tem razão social e escritório na região da Vila Olímpia, em São Paulo. Mas ainda não há previsão de lançamento dos celulares da empresa no País. 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.