Cofundador da Apple participou de evento da Symantec

Steve Wozniak falou sobre inovação, Apple, Steve Jobs e segurança em evento da Symantec realizado em São Paulo
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Steve Wozniak falou sobre inovação, Apple, Steve Jobs e segurança em evento da Symantec realizado em São Paulo

Longe da Apple desde 1985, Steve Wozniak, o cofundador da empresa ao lado de Steve Jobs, ainda hoje é referência quando o tema é inovação. Convidado do Symantec Vision 2014, evento realizado em São Paulo nesta quarta-feira (12), Woz, como é chamado, falou da crise de criatividade que a indústria tecnológica enfrenta, e defendeu os colegas de profissão.

LEIA TAMBÉM: "Nem Steve Jobs sabia que o iPhone mudaria a vida das pessoas", diz Wozniak

“Mesmo que Steve Jobs estivesse por aqui não seria diferente. Inovações do porte de um Apple II, de iPod ou de iPhone não surgem da noite para o dia”, explicou. Para Woz, existem vários níveis de inovação, alguns melhoram o que já existe e enquanto outros criam novos produtos, mas todos são importantes para o desenvolvimento da indústria com um todo.

Entrevistado por Sergio Chaia, vice-presidente e diretor geral, Woz contou que disse não ao primeiro convite de Jobs para criar a Apple. “Eu estava feliz na Hewlett Packard, um lugar onde sempre me imaginei. E não estava interessado no dinheiro que poderia ganhar. Eu queria ser um engenheiro da HP, e teria sido para sempre se não fosse pela parceria com Steve Jobs. Eu gostava de passar o dia todo nos laboratórios criando hardware, ajudando a desenvolver software. Eu não queria ser dono de uma companhia”. Foram os amigos, de acordo com Woz, que o convenceram a aceitar a proposta do outro Steve para começar a Apple.

Por isso, Woz diz que nunca se incomodou em ser o número dois da empresa, que ele até preferia assim, pois desta forma pode se dedicar à engenharia, que era o que fazia de melhor, enquanto Jobs assumia o controle da Apple. Foi desta forma que Woz, engenheiro eletricista e cientista da computação de formação, conseguiu criar praticamente sozinho o Apple II, máquina inaugural da era computação pessoal.

“Eu gosto que as pessoas gostem de mim, por isso teria sido um péssimo CEO. Já o Jobs era bom em negociação, em transformar qualquer coisa em produto, em embalar e vender. Em criar objetos de desejos para as pessoas. Ele foi o principal responsável por dobrar o valor da Apple com o lançamento do iPod anos mais tarde. Eu queria um emprego estável, enquanto ele queria ser alguém na história da informática”, contou.

Mesmo distante da empresa que ajudou a criar, Steve Wozniak continua a par dos lançamentos da Apple e também de seus concorrentes. Ao público, ele contou que costuma comprar toda a variedade de equipamentos só para experimentar. Enquanto engenheiro, ele é otimista com tendências que estão ganhando contornos mais precisos como a da computação cognitiva, com o Watson, da IBM , e da Internet das Coisas , mas ainda desconfia dos relógios inteligentes.

Usando um relógio que mede a temperatura corporal, mas não é inteligente como os que vemos hoje, Woz disse estar curioso para conhecer o Apple Watch. Em sua opinião, a interface é promissora, mas se a intenção era revolucionar, a Apple chegou tarde demais ao mercado.

Edward Snowden herói

Falando para uma plateia de conhecedores do tema da segurança e da privacidade, Woz disse considerar Edward Snowden – analista de sistemas e ex-funcionário da agência de inteligência dos Estados Unidos responsável por vazar vários documentos da segurança nacional norte-americana – um herói.

"De modo geral, contar um segredo nunca é bom. Mas Snowden fez algo que me parece de coração, porque afinal o governo norte-americano estava espionando pessoas e governos, descobrindo seus segredos sem que elas tivessem a menor ideia de que isso estava acontecendo”. Acho Snowden um herói porque ele abriu mão da sua liberdade por uma causa, mas não acho que esse adjetivo possa se aplicar a qualquer um que vaze informações.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.