Resolução e tecnologia de tela são alguns dos itens a serem considerados na hora de comprar uma nova televisão

Por mais cobiçados que os itens tecnológicos sejam, sua compra dificilmente é feita por impulso. Diante de uma lista de especificações cada vez maior, o consumidor precisa não apenas refletir sobre a necessidade de um determinado produto, mas também sobre quais recursos são essenciais. Para além das preferências de marca, o iG preparou um guia rápido para ajudar na escolha da sua próxima TV.

LEIA TAMBÉM:  Guia: saiba como escolher uma Smart TV

1) Quantas polegadas?

Uma das primeiras perguntas a se fazer antes de comprar uma televisão diz respeito ao seu tamanho. Pense não apenas no que você gostaria, mas onde ela ficará dentro da sua casa, se pendurada na parede ou em cima de um móvel e, especialmente, no tamanho do ambiente em que a TV será colocada.

Existe uma correlação entre o tamanho da tela e a distância do sofá que se costuma respeitar, mas não é uma obrigação. As TVs atuais têm tanta resolução que sentar perto demais da tela não chega a prejudicar a experiência, ou seja, você não verá os detalhes do pixels. Porém, é bom lembrar, pode cansar sua visão.

De modo geral, a distância de visão da TV deve ser de duas vezes a medida da diagonal da tela. O cálculo, portanto, é dobrar as polegadas da TV e multiplicar o resultado por 2,54, para converter de polegadas para centímetros. Por exemplo, em uma TV de 40 polegadas, a conta deve ser 40 (a medida da tela) x 2 x 2,54. O resultado é de 203 centímetros, ou seja, dois metros. Já no caso de uma TV de 60 polegadas, seguindo a mesma regra, a distância deve ser de cerca de três metros.

LEIA MAIS: Benefícios das televisões com telas curvas são limitados

A cada ano que passa, as telas estão maiores. Em geral, os tamanhos disponíveis no mercado brasileiro variam de 26 a 60 polegadas, mas elas podem chegar a 105 polegadas. Nesse caso, os preços não são nada convidativos: entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

Em 2014, várias fabricantes trouxeram para o Brasil modelos de tela no formato curvo. Muito embora sejam proclamadas como um grande recurso de imersão pelas empresas, seus benefícios são limitados. Por isso, a tela curva acaba como uma questão de gosto do freguês mais do que de utilidade.

LEIA TAMBÉM:  Benefícios das telas curvas são limitados, diz especialista

2) LCD, LED, OLED ou Plasma?

Grande parte das televisões encontradas no mercado brasileiro possui tela de LCD LED, mas outras tecnologias como o próprio LCD comum, o plasma e, mais recentemente, o OLED, também podem ser encontradas. Antes de escolher, vamos às diferenças.

Em termos gerais, as telas de LCD (Liquid-Crystal Display) são as mais simples. Elas usam lâmpadas fluorescentes como fonte de luz, enquanto a camada de LCD age como uma cortina, bloqueando ou liberando a luz conforme a situação. Como a lâmpada fluorescente nunca é desligada, por vezes o preto pode não ser tão escuro como se gostaria. Além de finas, as telas de LCD são econômicas: chegam a gastar 50% menos de energia do que uma TV de tubo. Mais um motivo para você trocar de aparelho, certo?

Já o LCD LED é o que se pode chamar de uma evolução do LCD e não por acaso é o tipo mais encontrado nas lojas. Nesse tipo de tela, lâmpadas LED são usadas no lugar das lâmpadas fluorescentes. Os LEDs permitem maior controle sobre o nível de luz, e por isso as imagens têm melhores contrastes e brilho do que numa LCD convencional. As TVs de LED também são ainda mais finas e econômicas do que os modelos LCD comum.

TV de plasma acabou, mas OLED está chegando

O plasma é uma tecnologia bastante tradicional e confiável, mas está em declínio. Em 2014, LG e Samsung anunciaram que vão deixar de produzir TVs de plasma. Analistas dizem que as telas de plasma são tecnicamente incapazes de acompanhar os avanços em termos de resolução, e que também consomem mais energia e esquentam mais do que o LCD. Apesar do fim da produção, essas TVs ainda poderão ser encontradas por alguns meses até o fim dos estoques.

Conhecido pela sigla PDP (Plasma Display Panel), o plasma ficou famoso entre os aficionados por seu excelente contraste. Entretanto, as telas de plasma sofrem mais com o reflexo, e por isso são indicadas para ambientes escuros, com uma iluminação apropriada. Esse tipo de tecnologia também é mais suscetível a lugares de muita altitude e pode sofrer o efeito "burn-in", quando a imagem fica congelada durante muito tempo e marca a tela. Além disso, consome mais energia que o LCD ou o LCD LED.

Por fim, estão as televisões de OLED (Organic Light-emitting Diode). O OLED é um diodo emissor de luz, ou seja, um LED, mas que possui uma camada de filme orgânico que emite luz em resposta a uma corrente elétrica. Assim como o plasma, funciona melhor em ambientes escuros. Muito embora seja proclamado como sucessor do LED, o OLED ainda não deslanchou e poucos e caros modelos são encontrados nas lojas.

Seu custo de produção é alto e a demanda ainda não é suficiente para baratear a tecnologia como aconteceu com suas antecessoras. No final de 2014, a LG, umas das principais entusiastas do OLED, reduziu o preço de alguns modelos com a tecnologia de tela em até 75% .

Ultra HD, como também é chamada a resolução 4K, foi um dos destaques de 2014
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Ultra HD, como também é chamada a resolução 4K, foi um dos destaques de 2014

3) HD, Full HD ou Ultra HD?

A resolução da tela também é importante, pois dela depende a qualidade da imagem. No mercado, o mais comum é a Full-HD (HD é de High-Definition), com resolução de 1.920 x 1.080 linhas. Em alguns modelos menores, de 32 polegadas ou menos, pode ser encontrada a resolução HD, de 1.280 x 720 linhas.

A resolução mais alta disponível atualmente é a Ultra HD, também conhecida por 4K, com resolução de 3.840 x 2.160. O número de pixels é quatro vezes maior do que no Full HD, totalizando mais de 8 milhões de pixels. Neste caso, vale lembrar que quanto mais pixels, melhor a qualidade de imagem.

INFOGRÁFICO: Entenda a diferença entre as resoluções HD, Full HD, Ultra HD e 8K

Porém, o conteúdo em 4K ainda é bastante escasso: o Netflix tem apenas quatro documentários com essa resolução e a segunda temporada de House of Cards. Mais conteúdo está por vir, mas para que ele chegue à casa do consumidor a própria Netflix recomenda o mínimo de 15 Mbps para que o vídeo seja executado sem problemas. E ao contrário do Full HD, encontrado em filmes Blu-Ray, os conteúdos 4K não possuem uma mídia digital que os comporte. Uma solução ainda está em desenvolvimento e prevista para 2015.

Também é importante dizer que o padrão brasileiro de televisão digital por enquanto só entrega imagens em no máximo Full HD (1.080i). Ou seja, transmissão 4K só em canais pagos ou de caráter experimental. Resumindo, não há quase nada para ver em 4K atualmente, mas as fabricantes seguem investindo forte.

4) Tecnologia 3D

Antes tido como uma grande inovação, o 3D se tornou mais um acessório do que um motivo de compra. A exigência de novos e caros equipamentos para gravar em 3D afastou os produtores de conteúdo de TV. Mas, querendo ou não, o consumidor acaba comprando uma TV com 3D se optar por modelos mais sofisticados, pois a tecnologia já é incluída como recurso padrão.

Como no caso do 4K, não há muito conteúdo 3D para ser ver. Entre os canais abertos, apenas a Rede TV transmite em 3D. Nos canais fechados, não há oferta, mas há alguns filmes 3D em Blu-ray. O mesmo dá para dizer de games para as plataformas Xbox ou Playstation: poucos fazem uso dessa tecnologia.

Quanto aos óculos, há dois tipos: passivos e ativos. Óculos passivos são similares aos usados no cinema e costumam ser mais baratos, pois não têm componentes eletrônicos. Já no caso dos ativos, são óculos que têm bateria e são sincronizados com o televisor, alternando rapidamente a imagem entre os olhos. Na prática, não há grande diferença de imagem entre os dois tipos. Vai do gosto do freguês.

LEIA MAIS: Philips lança TVs 4K com produção nacional

5) Conectividade

Entradas HDMI e USB, assim como o vídeo componente, já são uma constante nas televisões disponíveis no mercado. O Wi-Fi, que até pouco tempo estava em poucos modelos, também deixou de ser um problema. TVs sem Wi-Fi são raridade nas prateleiras.

Além desses recursos de conectividade, algumas trazem o Bluetooth, que pode se interessante se você estiver a fim de usar um teclado para melhor usufruir da sua SmartTV, por exemplo. O Wi-Fi Direct, uma espécie de rede sem fio que é capaz de conectar os dispositivos da sua casa à televisão sem a necessidade de um roteador, é outra novidade dos modelos mais recentes. Há ainda padrões como Miracast e DLNA, que permitem enviar imagens de smartphones e tablets compatíveis para TVs sem uso de fios.

WebOS, da LG, aponta para o futuro dos sistemas para TVs inteligentes
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
WebOS, da LG, aponta para o futuro dos sistemas para TVs inteligentes

6) Smart ou não Smart?

Muito embora ainda existam televisões que não são inteligentes, os grandes fabricantes apostam fortemente neste segmento. A chegada ao Brasil de serviços como o Netflix, que faz streaming de séries e filmes pela internet, tornam as versões inteligentes ainda mais tentadoras.

iG  viu de perto os sistemas das principais fabricantes – LG, Panasonic, Philips, Samsung e Sony – e pode atestar que, embora tenham evoluído bastante, as TVs ainda não são tão intuitivas quanto um smartphone, por exemplo. Entretanto, em nenhum dos sistemas vistos isso chega a ser um problema, pois todos, alguns mais rapidamente do que outros, cumprem o que prometem em termos de inteligência.

Em 2014, a LG lançou finalmente suas primeiras TVs com WebOS, sistema criado pela Palm que passou pelas mãos da HP e finalmente foi comprado pela sul-coreana. De todos os sistemas testados pelo iG, o WebOS é o que mais se diferencia e, por consequência, se destaca . A plataforma parece mais adaptada às necessidades dos telespectadores de navegarem por aplicativos e canais de TV de uma forma mais fluída, sem ter que trocar de ambiente o tempo todo. Em termos de usabilidade, é uma evolução e tanto, pois interrompe e compartimenta menos a experiência do telespectador.

Quase todos os sistemas trazem os mesmos aplicativos para SmartTVs pré-instalados: Netflix, Youtube, Skype, Facebook e Twitter. Na hora de escolher, vale testar as principais concorrentes na loja e ver qual sistema se adapta melhor à sua necessidade e ao seu gosto pessoal. Alguns dos sistemas têm mais opções de personalização, enquanto outros são mais simples e diretos.

SAIBA: Apple TV e Chromecast transformam sua TV convencional em Smart TV

Android TV está chegando

Para 2015, a grande aposta é a Android TV . A Philips é uma das fabricantes que devem apostar no sistema anunciado pelo Google em meados de 2014. O Android TV permite acessar serviços de vídeo como Netflix e YouTube, além do conteúdo de vídeo e música da Google Play Store. O sistema vai oferecer ainda recomendações de conteúdo com base no perfil e nas atividades de cada usuário e trazer recursos similares ao do Chromecast.

7) Controles remotos e acessórios

Todas as fabricantes possuem aplicativos para smartphones que funcionam como controle remoto e que facilitam o acesso às funções inteligentes da televisão. Para tanto, basta que ambos os aparelhos estejam usando a mesma rede. Há também alguns controles que têm botões específicos para certos recursos inteligentes. O controle da Panasonic, por exemplo, tem um botão Netflix.

Em alguns casos, uma mesma TV pode vir com dois controles remotos, um mais completo e um mais simples. Em alguns casos, o segundo controle deve ser comprado separadamente, por isso vale ficar de olho. A maioria das empresas possui um segundo controle menor, com funções básicas como mudar de canal e aumentar ou diminuir o volume, que trazem um painel de toque similar ao que encontramos em notebooks para facilitar o acesso à Smart TV.

Assim como as TVs, controle remoto também está mudando
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Assim como as TVs, controle remoto também está mudando

A LG e a Samsung apostam em um controle que funciona de forma similar ao controle do Wii, ou seja, usa os movimentos do usuário para mover o cursor na tela. Nesse sentido, a Philips foi a que mais recursos colocou no seu controle padrão. Além de funcionar como um mouse, ele traz na parte posterior um teclado.

Câmeras também podem ser um acessório interessante para TVs se você é do tipo que se interessa em fazer chamadas pela internet também na televisão. Algumas TVs vêm com o equipamento embutido. Elas são capazes de reconhecer rostos e movimentos ou de acompanhar a pessoa que está na frente da TV até certo ângulo. As câmeras podem ser divertidas, mas, levando em conta os recursos observados pelo iG nas demonstrações das TVs, os aplicativos de comunicação, como o Skype, ainda precisam ser aprimorados.

VEJA: Com Ambilight, TV da Philips poderá projetar mais do que luz na parede

8) Atualização

Em tempo de TVs inteligentes com sistemas operacionais é preciso estar ainda mais atento ao comprar uma televisão. Isso porque, assim como acontece com os smartphones, a atualização das plataformas de TVs também levam em conta o hardware do aparelho. Ou seja, por alguns anos, sua nova TV poderá ter o sistema atualizado, mas em alguns casos o hardware não suportará a nova versão. É mais ou menos o que acontece com aparelhos antigos que rodam Android ou iPhones que rodam iOS. Quem comprou uma TV da LG antes do lançamento do WebOS, por exemplo, não poderá ter a nova plataforma instalada no equipamento que tem em casa.

Nesse sentido, a Samsung já possui uma solução interessante, que é o Evolution Kit, chamado de One Connect em algumas versões. Modelos mais novos trazem esse módulo onde estão todas as conexões do aparelho, além de alguns componentes. Neste acessório, que também é vendido separadamente, hardware e software são atualizados com a última versão disponível. O módulo prepara as TVs para o futuro pois, caso a TV não suporte o novo software, basta comprar um novo módulo para atualizar o sistema.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.