Avaliado em US$ 40 bilhões (R$ 105 bilhões), o Uber é um aplicativo de carona paga presente em 45 países, incluindo o Brasil

BBC

Autoridades de Nova Déli, na Índia, proibiram a empresa responsável pelo aplicativo Uber de atuar na cidade depois que um motorista supostamente estuprou uma passageira. 

Avaliado em US$ 40 bilhões (R$ 105 bilhões), o Uber é um aplicativo de carona paga presente em 45 países, incluindo o Brasil. Uma autoridade do Departamento de Transportes disse que a empresa havia sido "colocada na lista negra" por "enganar os clientes".

 A mulher de 26 anos usou o aplicativo de celular para pedir um táxi até sua casa na última sexta-feira, mas diz ter sido levada a uma região isolada e estuprada. O motorista está preso há três dias. Ele foi detido no domingo e compareceu ao tribunal na manhã desta segunda-feira.

 Muitas pessoas se aglomeraram diante do tribunal em protesto. Algumas delas tentaram atacar o homem após o fim da audiência, mas os policiais o levaram rapidamente para dentro do carro. A polícia diz que o motorista será acusado de estuprar a mulher, que trabalha em uma empresa financeira.

Proibição

O Uber, cujo serviço que está se tornando cada vez mais popular na Índia, foi acusado de não fazer o monitoramento adequado de seus funcionários. "O Departamento de Transportes proibiu todas as atividades relacionadas com o oferecimento de qualquer serviço de transportes pelo www.uber.com, com efeito imediato", disse um comunicado do governo, segundo a agência de notícias AFP.

 Pela proibição, qualquer táxi Uber em Nova Déli poderá receber uma multa ou ser apreendido. A empresa ainda está aceitando reservas em seu aplicativo e não está claro como a proibição será implementada, já que os táxis cadastrados não têm marca visível.

 Antes do anúncio da proibição, a empresa classificou o incidente como "horrível" e informou que faria o possível "para ajudar a levar o responsável à justiça".  

"Toda a nossa equipe sente muito pela vítima deste crime terrível. Faremos todo o possível, eu repito, todo o possível para ajudar a levar o responsável à Justiça e para apoiar a vítima e sua família em sua recuperação", disse o CEO do Uber, Travis Kalanick, em um comunicado.

 Kalanick afirmou ainda que a empresa "vai trabalhar com o governo para estabelecer checagens sobre o passado (dos motoristas), que atualmente não acontecem em seus programas de licenciamento de transporte comercial".

Polêmicas

Baseado em San Francisco, o Uber disse que a segurança dos passageiros é extremamente importante e que tem informações de GPS de todas as viagens realizadas. A acusação mais recente de estupro lançou luz novamente sobre a questão da violência sexual contra as mulheres indianas sob os holofotes, após uma série de incidentes recentes.

A notícia ocorre dias após o segundo aniversário do estupro e assassinato de uma estudante em um ônibus em Nova Déli, que causou comoção internacional e provocou endurecimento das leis contra a violência sexual no país. No entanto, correspondentes da BBC na Índia dizem que nem as leis mais duras têm conseguido diminuir o número de casos de estupro - de acordo com o Escritório Nacional de Registros de Crimes, a Índia teve mais de 33 mil casos em 2013, contra cerca de 25 mil em 2012.

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