Especialistas em segurança disseram à rede CNN ter evidências que comprovam a ausência de participação de Pyongyang na invasão aos sistemas da gigante japonesa

O governo norte-americano garante, por meio de investigações da polícia federal do país (FBI), que a Coreia do Norte foi a responsável pelos ataques à Sony  devido à iminência do lançamento de "A Entrevista", em cujo roteiro dois jornalistas armam um plano para matar o líder da nação comunista, Kim Jong-un. No entanto, especialistas ouvidos pela rede CNN discordam totalmente da acusação.

Cartaz de The Interview, com Seth Rogen e James Franco
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Cartaz de The Interview, com Seth Rogen e James Franco

"Está claro para nós, baseados em evidências forenses, entre outras, que eles não são responsáveis por orquestrar ou iniciar os ataques à Sony", afirma Sam Glines, da empresa de cibersegurança Norse.

"Por meio de minhas observações, tenho a certeza de que tais ataques vão além das habilidades que o grupo especializado de Kim possui", concorda Scott Borg, pesquisador de segurança de Tecnologia de Informação.

O FBI afirma que o código de malware usado pelo grupo que se auto-intitula Guardiões da Paz é similar ao usado pela Coreia do Norte em ataques anteriores. No entanto, os especialistas acreditam na possibilidade de que outros "inimigos" da empresa japonesa tenham sido os responsáveis pelo caso que levou o longa-metragem do cineasta Seth Rogen a ter sua estreia cancelada na última semana – o que acabou sendo alterado após repercussão negativa que incluiu críticas do presidente Barack Obama.

Por exemplo, o grupo Lizard Squad, aquele que invadiu o sistema da Playstation Network pouco antes da invasão da Sony e revelou informações de seus usuários mundialmente, levando-o a ser retirado do ar. Além disso, há a suspeita de o vazamento ter sido obra de funcionários de segurança da própria empresa, que foram recentemente demitidos.

Outra possibilidade são os hackers independentes, que fazem invasões por prazer ou dinheiro, podendo ser contratados até por empresas concorrentes da gigante japonesa. Em 2011, uma invasão à Playstation Network revelou dados pessoais de 77 milhões de pessoas, levando o lucrativo sistema online de games da Sony a ser retirado do ar por quase um mês. As invasões foram causadas pelo grupo LulzSec, desmantelado um ano depois.

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