Beenoculus é um acessório que transforma o smartphone do usuário em um equipamento de realidade virtual e aumentada com base em imagens imersivas em 3D estereoscópico

O primeiro dia de CES, aberta na terça-feira (6), é sempre um bom termômetro do que o público aficcionado por tecnologia está buscando. Na edição deste ano não foi diferente, com o estande da Oculus Rift, óculos de realidade virtual recentemente comprado pelo Facebook, com filas que davam voltas ao redor das cabines de demonstração. Há alguns poucos quilômetros dali, em um estande bem menor, a equipe da Beenoculus trocava cartões de visita sem parar.

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Uma das poucas empresas brasileiras na CES 2015 , a Beenoculus, original de Curitiba, no Paraná, está em Las Vegas, nos Estados Unidos, por uma mais que nobre causa: lançar seu primeiro óculos de realidade virtual e aumentada, o Beenoculus. Selecionada para estar em uma área de inovação da maior feira de eletrônicos do mundo, a empresa já comemorava os contatos feitos no primeiro dia. O acessório, livremente inspirado no Oculus Rift, estará a venda ainda essa semana no site da empresa e deve chegar aos seus primeiros compradores ainda março de 2015.

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Para aqueles que desejarem apenas fazer uso da novidade, o Beenoculus deverá sair por R$ 99, valor bastante distante do Oculus Rift e menos da metade do preço do Gear VR, da Samsung, de US$ 199, mais de R$ 400. Já para desenvolvedores interessados em criar para o óculus, um kit de com fone de ouvido e controle para jogos estará disponível em breve por menos de R$ 500.

O fundador da Beetech e desenvolvedor do óculos, José Evangelista Terrabuio Júnior disse, em conversa com o iG , que o principal objetivo do seu projeto é popularizar o acessório. A ideia é permitir que todos os brasileiros, e futuramente cidadãos do mundo, possam desfrutar da experiência de entretenimento imersiva que o 3D estereoscópico proporciona. Resultado de um ano de pesquisas realizadas por dez profissionais, o Beenoculus recebeu um aporte pessoal de seus sócios de cerca de R$ 2,5 milhões em recursos.

Terrabuio, sócio da Beetech, conta que logo que receberam na empresa que já fazia games o seu kit de desenvolvimento do Oculus Rift surgiu a ideia de fazer algo com base no smarthphone. E antes mesmo do Gear VR, da Samsung, lançado em 2014 na IFA, ser apresentado, o grupo foi atrás de referências e viu que era possível fazer algo inovador.

“O Oculus Rift tem fio, precisava estar conectado ao PC, mas pensamos: para que tudo isso se hoje o smartphone tem tudo que é preciso, especialmente em termos de sensores como giroscópio, para uma experiência imersiva 360º esteoroscópico. Por que não fazer algo em que eu acomplo o smartphone das pessoas, que torne a ideia barata ao mesmo tempo que difunde efetivamente a realidade virtual. O mais caro é o aparelho, que já é do usuário ”, explica Terrabuio.

Foi a partir daí que a empresa, que tem apoio da Incubadora Tecnológica do Instituto Paranaense de Tecnologia (Tecpar), começou a desenvolver protótipos feitos em impressora 3D, agregando conhecimento dos sócios e de amigos próximos com experiências em outras indústrias. Com isso nasceu também as soluções de software que transformam imagens comuns em estereoscópicas e um SDK (kit de desenvolvimento) para outros desenvolvedores criarem para o Beenoculus. As aplicações da empresa já são compatíveis com smartphones Android e que rodam iOS.

O Beenoculus

Diferente do Rift e do Gear VR, que possuem componentes eletrônicos e alguns sensores no próprio óculus, o Beenoculus é mais um acessório para smartphones. Para utilizá-lo, o consumidor precisa apenas encaixar o seu aparelho, de mais de 5 polegadas de tela, na tampa plástica. As duas lentes em contato com a tela é que dão a sensação de imersão no cenário reproduzido pelo hardware do aparelho.  Para olhar para o lado ou para cima basta mover a cabeça que o conteúdo na tela acompanha o movimento.

Ao experimentar o Beenoculus na CES 2015, o iG visitou a torre da Telepar e outros pontos turísticos disponíveis em fotos 360º pelo app, e viu também um clipe do Paul McCartney de dentro do palco.

A tampa se prende ao corpo do Beenoculus, onde estão as lentes, com ajuda de imãs, e pesa pouco mais do que o peso do aparelho. O maior desafio da Beetech foi exatamente esse: chegar num design que fosse bom e barato e que pudesse popularizar a realidade virtual e aumentada, sempre pensando primeiro no mercado brasileiro. O próximo passo, segundo Terrabuio, é lançar uma loja de conteúdos para o Beenoculus, que possa hospedar aplicativos desenvolvidos por terceiros especialmente para o óculus de realidade virtual 100% brasileiro.

Disponível para pré-compra, o Beenoculus poderá ser adquirido por qualquer um que se interessar pelo produto, sendo um dos focos da empresa atender aos mercados de games, entretenimento, educação e desenvolvedores. A Beetech já tem até uma parceria com o Departamento de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para criar experiências imersivas com o conteúdo do projeto Homem Virtual de aprendizado em primeira pessoa.

Para o usuário comum, que não busca a perfeição técnica, mas a experiência, o Beenoculus pode ser mais interessante que opções existentes no mercado, como Gear VR ou mesmo o Oculus Rift, bem mais caros. A expectativa, segundo Terrabuio é das melhores, uma vez que a ideia é que as pessoas não fiquem usando o acessório por horas a fio, mas sim que façam uso dele para consumir conteúdos que são beneficiados pelo 3D estereoscópico, como jogos e filmes. “As experiências vão ser curtas, mas intensas”. A expectativa da empresa é vender um milhão de equipamentos em dois anos, arrecadando R$ 200 milhões com produtos, jogos e aplicativos.

*A jornalista viajou a Las Vegas a convite da Qualcomm.

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