Feira em Las Vegas tem centenas de exemplos de produtos que se conectam, mas tendência ainda possui desafios a superar

"A Internet das Coisas tem potencial para transformar a sociedade, a economia e a forma como vivemos nossas vidas", disse Boo Keun Yoon, presidente-executivo da Samsung em seu discurso na CES 2015 , em Las Vegas. Uma das principais empresas de tecnologia do mundo, a Samsung está preocupada não apenas em fazer a sua parte, mas em incentivar a indústria para que a Internet das Coisas seja aberta, com as tais coisas se conectando umas as outras independentemente de quem é o fabricante. Ao prometer que até 2020 todos os produtos da Samsung serão conectáveis, a sul-coreana não só reforçou seu discurso, como deixou claro o quão real é a Internet das Coisas.

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Intel e Qualcomm adotam padrões opostos para Internet das Coisas

Na CES 2015 não faltam exemplos da Internet das Coisas. Quase todos os grandes fabricantes possuem em seus estandes espaços dedicados aos produtos que podem se comunicar com outros a internet e com outros produtos, ganhando assim novas funcionalidades. Uma das grandes entusiastas da Internet das Coisas, a Qualcomm, que lidera a AllSeen Alliance, conjunto de empresas que adotam o AllJoyn como protocolo de comunicação entre os mais diferentes equipamentos, mostra em seu estande diversos produtos que já entraram na era da Internet das Coisas.

Rafael Steinhauser, vice-presidente sênior e presidente da Qualcomm para a América Latina, enumerou três categorias que já estão na chamada Internet das Coisas: equipamentos para a casa, carros, e dispositivos vestíveis, especialmente relógios, pulseiras e óculos inteligentes. 

A Epson foi uma das grandes empresas a investir pesado em dispositivos vestíveis neste ano. A fabricante criou o Runsense, um relógio inteligente para esportistas, o M-Tracer, um rastreador de movimentos para jogadores de golf, o Pulsense, uma pulseira inteligente que registra os batimentos cardíacos e as calorias queimadas, além do Moverio, um óculos inteligente para experiências de realidade virtual em primeira pessoa.

Já a Intel, grande fabricante de chips para a indústria tecnológica ao lado da Qualcomm, aproveitou a CES 2015 para anunciar o módulo Intel Curie, um produto de hardware do tamanho de um botão para soluções vestíveis, e uma colaboração com a Oakley para criar um óculos inteligente em conjunto. O Intel Curie é um módulo de chip específico para dispositivos vestíveis, que deve chegar aos clientes no segundo semestre.

Casa e carros conectados também são realidade

A casa conectada também ganhou aliados. Antes mesmo da CES 2015 abrir suas portas, a Qualcomm anunciou a criação de um modulo que transforma lâmpadas comuns em conectadas em parceria com a LIFX . O objetivo dessa plataforma é levar inteligência para o mais simples dos dispositivos, a lâmpada, presente em todos os cômodos de qualquer casa ao redor do mundo.

Na feira, aliás, não faltam bons exemplos do que uma casa conectada pode ser, com inovações que vão da fechadura da casa até o fogão, de câmeras que reconhecem visitantes até um dispositivo como Invoxia Triby, equipamento para ser usado na cozinha que recebe ligações e toca música quando conectado ao smartphone por Bluetooth.

E como bem se pode ver andando pelas CES 2015 a conectividade da Internet das Coisas também chegou aos carros. Muito embora não sejam exatamente uma novidade como os dispositivos vestíveis e a casa conectada, os carros conectados são bons exemplos do que é possível fazer na Internet das Coisas. Neste novo momento da indústria automotiva, o carro não se conecta apenas com ele mesmo, ligando sensores ao sistema para ajudar o motorista a dirigir. Agora, o carro é capaz de se ligar a internet via Wi-Fi ou por redes 3G e 4G graças a inclusão de chips no seu hardware, de fazer melhor uso de seus sensores, e também de entregar entretenimento ao ocupantes de um carro com ajuda da computação em nuvem.

Na CES 2015, um Maserati Quattroporte chama atenção. Um conjunto de tecnologias, incluindo o Snapdragon 602A da Qualcomm, um processador automotivo com circuitos de gerenciamento de energia integrado, ligado a um modem 3G/4G, com conexão Bluetooth e Wi-Fi, serviços de localização e carregamento wireless, alimentam esse sistema inteligente.

Uma das soluções mais interessantes neste carro está nos espelhos: câmeras instaladas ao redor do carro se comunicam com dois displays colocados no lugar de cada um dos espelhos retrovisor, entregando ao motorista uma visão muito mais ampla, sem pontos cegos. O sistema de Infotainment como é chamado, informação e entretenimento, também tem controle por voz e se conecta a internet do próprio carro, sem precisar de um smartphone para tal, criando uma rede segura para o acesso de seus ocupantes.

Redes e protocolos ainda são desafios

Um discurso comum entre os fabricantes é que as coisas precisam se conectar umas com as outras, por isso, criar e adotar padrões comuns é mais do que necessário. Para o CEO da Samsung, Boo Keun Yoon, a não adoção de protocolos abertos e o não compartilhamento de dados são os principais inimigos da Internet das Coisas atualmente. Afinal, é impensável que em todos os mercados do mundo os usuários possam consumir uma única marca para que tenha uma casa conectada, por exemplo.

Além desse, outro desafio, na opinião de Rafael Steinhauser, é infraestrutura de rede, especialmente do 4G e superior, na América Latina. Conforme lembra, de nada adianta ter equipamentos capazes de se conectar se as redes não dão conta de tantas conexões. Por isso, em países como o Brasi,l há uma barreira a mais a ser superada para que a Internet das Coisas se consolide e se transforme no próximo smartphone em termos de mercado, de crescimento e de importância para o usuário.

*A jornalista viajou para Las Vegas a convite da Qualcomm.

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